Sinopse Guild Wars
Sinopse Guild Wars
Guild Wars é uma história de aventura e ação em um mundo de fantasia, com elementos de um jogo de RPG. Isso é algo comum, porém, o que torna singular é quando nosso protagonista escolhe uma classe totalmente incomum.
— Lynia, um mundo de sonhos e aventuras, pelo menos era assim até o Rei Demônio e seu exército tomarem metade do continente. Eu diria que meu mundo parece um grande e belo jogo de tabuleiro.
Anos antes, durante o ataque ao vilarejo de Vics…
— Querido, a porta não vai segurar por muito tempo.
— Maria, pegue o Oliver e vá para a saída dos fundos!
— Mas e você, Karlos?
— Eu irei ficar aqui.
— Querido, precisamos de você, não sei para onde iríamos sem você.
— Não se preocupe, irei ganhar tempo para vocês! Cuide do Oliver por mim.
— Mas, querido…
— Vá logo, Maria. A vila já está em chamas, e os monstros estão próximos! Corra para a floresta.
Karlos então dá um beijo em Maria, que logo depois pega seu filho e corre para a saída dos fundos de sua casa. Antes de entrar na floresta, os dois escutam o barulho de uma porta sendo quebrada e um grito de dor logo em seguida.
— Essa é a última memória que tenho do meu pai.
Maria e Oliver conseguem escapar para uma cidade vizinha, que os acolhe de imediato. Os dois ficam lá por um tempo, Maria cuida de Oliver, que tinha apenas 8 anos, enquanto trabalha nas colheitas para garantir seu sustento. Ao completar 10 anos, uma fábrica próxima da vila oferece oportunidades de trabalho para Maria, que receberia três vezes mais do que ganhava trabalhando nas colheitas. Então, sem pensar duas vezes, a jovem mãe começa a trabalhar lá. Os dois vivem bem por um bom tempo, mas a fábrica exigia muito de Maria, que ficava doente constantemente. Até que um dia, uma doença rara e incurável a atinge, deixando-a acamada e impossibilitada de trabalhar, o que resulta em sua demissão e na perda total de seu sustento. Vários curandeiros tentam encontrar uma cura para a doença de Maria, mas todos falham, dizendo que é incurável. Os meses passam, Oliver já tem 12 anos, e para manter sua mãe bem, ele trabalha arduamente nas colheitas. Até que, numa noite nublada, ao chegar da colheita, Oliver vê sua mãe sentada na cama.
— Mãe, como a senhora conseguiu se levantar?
— Oliver, venha aqui.
— Mas, mãe, deite-se. Sua saúde vai piorar se continuar em pé.
— Venha logo, Oliver!
— Exclama, usando toda a sua força.Oliver, percebendo a importância da situação, senta-se na cama de sua mãe, que se senta ao seu lado.
— Filho, você precisa sair desta vila.
— Mas por quê, mãe? Sei que a vida aqui não é das melhores, mas…
— Oliver, me escute! Você precisa sair logo daqui, esta vila pode ter nos ajudado por muito tempo, mas eu não sei quanto tempo tenho de vida.
— Mãe, eu não vou te abandonar!
— Oliver, você já tem 12 anos. Quando você chegar ao nível 5, finalmente saberá sua classe, provavelmente será uma classe voltada para a administração.
— Mas o que isso tem a ver com eu deixar você sozinha nesta vila?
— Filho, você tem todo um futuro pela frente. Você já desperdiçou toda a sua infância cuidando de mim.
— Pois saiba, eu não acho que foi desperdício, mas tudo bem, NÓS vamos para a cidade, entendeu?
— Filho, não faça isso. Eu já sou velha e fraca.
— Isso não é algo discutível! Em uma semana, irei arrumar nossas coisas e vamos para a cidade.
O destino de Oliver estava traçado, mas ele precisava resolver algumas coisas antes de partir. No dia seguinte, ele vai à casa do chefe da vila para anunciar sua partida. Ao chegar lá, o chefe da vila estava na frente de casa cuidando de sua horta pessoal.
— Oi, chefe, tem um minuto?
— Bom dia, Oliver, como vai? E sua mãe, está melhor?
— Tenho trabalhado muito, e minha mãe está na mesma.
— Oh, nenhum curandeiro deu certo?
— Pergunta, triste por Oliver.
— Infelizmente não. — Exclama, cabisbaixo.
— Bom, imagino que não veio aqui apenas para bater papo, precisa de algo?
— Na verdade, estou planejando me mudar para a cidade!
— O quêêêê?! — Exclamou, quase gritando de surpresa.
Logo depois, alguns passos pequenos são escutados vindo da casa do chefe. Em seguida, a porta se abre, uma garotinha de cabelos ruivos, com cerca de 10 ou 11 anos, aparece.
— Papai, o senhor está bem?
— Oh, desculpe te assustar, Diana. Recebi uma notícia que me surpreendeu, só isso. — E o que foi?
— Depois o papai te conta, filha. Vá para casa, que preciso conversar com este garoto.
— Foi você quem assustou o papai, não foi? Seu feioso!
— Olha a boca, Diana. Vá para casa, filha. A garotinha então se retira do local.
— Desculpe minha filha, ela sempre foi muito apegada a mim.
Então, quando ela se preocupa, acaba falando o que não devia. Mas me diga, garoto, por que essa decisão?
— Minha mãe disse que eu deveria tentar ganhar a vida na cidade, mas como ela está muito debilitada, eu vou levá-la comigo, na esperança de encontrar um curandeiro de alto nível lá.
— Faz total sentido. Bom, você tem a minha benção para sair. Se precisar de alguma ajuda, é só me avisar, e não se esqueça de que você sempre terá seu espaço aqui.
— Obrigado, chefe. Ainda ficarei por aqui por mais uma ou duas semanas.
— Então até mais tarde, Oliver.
— Até, chefe.Os dias passam, Oliver começa a arrumar as coisas. Ele tem dinheiro suficiente e contratou uma carroça para levar sua mãe e ele em segurança, pelo menos era isso que ele planejava.No dia anterior à sua mudança, Oliver estava dormindo quando começou a ouvir alguns sons. Devido ao cansaço, ele os ignorou a princípio. No entanto, o cheiro de queimado o despertou, e ele percebeu que os sons que estava ouvindo eram os gritos das pessoas da vila.
— Merda, deve ter acontecido um incêndio na vila.
Oliver pegou uma pá e saiu de casa, pronto para ajudar a apagar o incêndio. Lá fora, viu a maioria dos aldeões correndo para fora da vila. Sem entender o motivo, ele se aproximou de uma mulher que corria.
— Senhora, o que está acontecendo? O incêndio é grande?
— Corra, garoto, vamos morrer! — Exclamou ela, desesperada.
— Mas por quê?
— Olhe para trás!
Oliver se virou e viu a razão do medo das pessoas: um cavaleiro negro montado em uma cavala esquelética, acompanhado por um exército de esqueletos, estava atacando a vila. O exército do Rei Demônio reapareceu na vida de Oliver.
Oliver então retorna para casa e decide apenas pegar sua mãe e ir embora.
— Mãe, vamos! Rápido!
— Calma, filho. O que está acontecendo?
— O exército do Rei dos Demônios está atacando a vila!
— Oliver, vá embora. Estou morrendo já; morrer agora ou depois não muda nada para mim. Mas você precisa continuar vivo, meu filho.
— Não, eu não vou te deixar aqui!
— Teimoso como seu pai!
Durante a discussão, os dois ouvem um estrondo vindo da porta da casa.
— Vamos, mãe, logo eles vão arrombar a porta.
Maria então, com muito esforço, se levanta, olha para seu filho e diz:
— Desculpe, filho, mas seu pai me deixou a missão de cuidar de você! Nunca contamos, mas antes de nos tornarmos senhores feudais, fomos aventureiros.
— Você e papai? — Questiona, surpreso com a descoberta.
— Eu era uma grande maga, então deixa essa com a mamãe cuidar disso! Bola de Fogo.
Mesmo muito doente, Maria lança um feitiço que quebra a parede, criando uma porta dos fundos para seu filho.
— Agora vá, Oliver!
— Mas, mãe!
— Não quero repetir, Oliver.
— Está bem, mãe.
Novamente, os dois ouvem um estrondo na porta e na parede da casa.
— Vai, Oliver. Não se esqueça que eu te amo, meu filho! — Exclama, chorando ao ver seu filho pela última vez.
— Obrigado, mãe. Vou deixar você e papai orgulhosos.
Oliver sai correndo da casa, com lágrimas nos olhos. Ele sabia que tinha que sobreviver. Enquanto corre, ouve mais uma explosão. Sua antiga casa estava em chamas. Ele sabia o que aconteceu: sua mãe fez algo para levar o máximo de esqueletos possível, dando tempo para ele.
— Adeus, mamãe.
Oliver corre, olhando ao redor, vendo várias casas pegando fogo, pessoas caídas sem vida no chão. A vila inteira estava destruída. A essa altura, o garoto não acreditava que havia mais pessoas na vila além dele; ou fugiram ou estavam mortas. Até que ouve de longe um grito de desespero, fazendo-o mudar sua trajetória. Agora, Oliver corre em direção ao grito e logo encontra sua fonte. A filha do chefe estava chorando diante do corpo sem vida de seu pai. Ele resolve resgatar a menina.
— Ei, você! Venha comigo. Se ficar aqui, vai morrer.
— Eu não ligo. Meu pai está vivo, e eu vou tirá-lo daqui! — Exclama, arrastando o corpo sem vida de seu pai.
— Seu pai já morreu. Vamos.
— Meu pai é o mais forte. Ele nunca vai morrer. — Exclama, debulhada em lágrimas.
Oliver começa a ouvir passos; o exército de esqueletos estava próximo de alcançar aquele lugar.
— Vamos! — Grita, segurando a menina.
— Não!
Oliver começa a arrastar a garota na tentativa de salvá-la, mas alguns esqueletos logo chegam e, ao verem as duas crianças, avançam para matá-las. O garoto não era um guerreiro, muito menos um mago. Naquela situação, nada podia ser feito. Mas ele ainda queria ao menos salvar a garota, então se joga em cima dela para protegê-la.
— O que você está fazendo?
— Fica quieta! Talvez você possa sair viva.
Dois esqueletos chegam perto e puxam suas espadas para finalizar o jovem.
— Droga, desculpa, mãe e pai. Não vou conseguir seguir o legado da nossa família.
Quando Oliver estava prestes a ser atingido, ouve o som de espadas se chocando. Ele se levanta e vê a imponente figura de uma cavaleira.
— Garoto, você está bem?
— S-sim! — Responde, enquanto seus olhos brilham de admiração pela cavaleira que acabara de salvá-lo.
— Ufa, ainda bem que cheguei a tempo. Se eu tivesse chegado mais tarde e houvesse mais mortes por causa disso, o chefe iria me matar.
Os esqueletos, sem muita enrolação, voltam a atacar. A cavaleira se defende e, com um golpe simples, derrota um dos esqueletos.
— Esses monstros nem esperaram eu terminar de falar.
O outro monstro tenta atacar, mas novamente a cavaleira desfere um golpe simples que derrota o esqueleto num piscar de olhos.
— Pronto, já acabei com eles. Agora vocês dois saiam daqui. Logo chegarão mais deles, e lutar para proteger aqui é um saco.
— Muito obrigado pela ajuda.
Oliver pega a filha do chefe e começa a correr. Antes que se afastasse demais, a cavaleira se vira e diz:
— Ei, moleque. Eu vi como você tentou proteger a vida dessa garotinha. Continue com essa coragem, que você chegará longe.
Oliver continua a correr, lacrimejando por tudo o que aconteceu, mas com um sorriso no rosto de quem vai viver mais um dia
Após de alguns dias…
Oliver e Diana, depois de escaparem da vila, andam em direção aonde o garoto imagina que ficava a cidade. Os dois caminham por exatos dois dias, até o momento em que Diana desaba de cansaço no chão.
— Vamos descansar, por favor.
— Ok, estamos andando há dois dias, acho que merecemos.
Oliver percebe que a menina estava meio triste, então ele resolve se aproximar para tentar acalmá-la.
— Diana, é esse o seu nome, né? Mesmo andando por dois dias juntos, mal tivemos tempo para conversar.
— Realmente. — Respondeu, demonstrando tristeza em seu olhar.
— Ainda está de luto pelo seu pai, né?
— Não, eu estou bem.
— Eu também perdi minha mãe, na verdade, ela salvou minha vida! Sei como é perder alguém.
— Não! Você não sabe como estou me sentindo, você chegou na situação muito depois!
— Diana, o que aconteceu?
— Nossa casa foi atingida por uma das bolas de fogo quando o exército dos rei dos demônios apareceu. Com a casa pegando fogo e prestes a desmoronar, meu pai me pegou e me levou para fora de casa. Só que lembrei que não tínhamos pegado o colar da minha falecida mamãe. Então, sem pensar, eu corri para casa, que já estava em volta de chamas. Quando eu achei o colar, a casa começou a desmoronar, eu pensei que era meu fim, mas meu pai apareceu e me jogou com tudo para fora de casa. Ele tentou sair, mas a casa caiu em cima dele!
— Desculpa, eu não sabia…
— No final de tudo, perto de morrer, ele ainda falou para viver uma vida feliz! Sendo que ele morreu por minha causa.
— Diana, não foi culpa sua.
— Foi sim! Não tente tirar essa culpa de mim, eu vi ele morrer na minha frente sem poder fazer nada.
Nesse ponto, a jovem garota já estava em prantos, palavras já não adiantavam mais. Oliver já sabia o que era perder alguém importante, sem conseguir fazer nada. Então, por puro instinto, ele abraça a garota, que chora até adormecer em seus braços.
— Nada disso foi culpa sua, Diana… É tudo culpa dos demônios! — Exclama, com ódio em seu rosto.
Os dois adormecem, e no dia seguinte, um pouco mais descansados, eles seguem viagem. A viagem para a capital não era algo árduo; por ser uma rota comercial, muitas carruagens mercantis passavam. Mas, por estarem sujos e machucados, nenhuma alma generosa apareceu para dar uma carona.
Dias depois…
Longos 10 dias haviam se passado, e Oliver e Diana haviam finalmente chegado na cidade. Logo de cara, eles se impressionaram com o tamanho daquele lugar, mas depois da boa impressão, perceberam que aquele lugar não seria tão fácil quanto imaginavam. Logo na entrada, um guarda barra eles.
— Autorização.
— Senhor, nossa vila foi atacada pelo exército do rei dos demônios.
— Autorização.
— Não temos essa autorização.
— Então, se retirem do portão de entrada.
— Mas, senhor, estamos caminhando há 12 dias, precisamos de refúgio.
— Aqui é a capital imperial, não aceitamos qualquer um só porque a pobre vila foi atacada. Então, repito, se retirem da vila.
Irritada com a situação, Diana se põe na frente para lidar com a situação.
— Guarda, você não está entendendo nossa situação, precisamos.
Antes mesmo de Diana terminar sua frase, o guarda desfere um tapa em sua cara, que chega a derrubá-la.
Oliver ajuda Diana a se levantar e a leva para longe do portão. A menina, que estava lacrimejando, vê o garoto rasgar um pouco da gola de sua camisa, molhar o pedaço de tecido e colocar no rosto dela.
— Não ajuda muito, mas
— Vamos procurar um jeito de conseguir essa permissão.
Os dois procuraram em volta do reino por algum lugar onde pudessem dormir. Mas falharam miseravelmente, assim chegando o anoitecer. Os dois então encontram uma pequena árvore e adormecem por lá mesmo.
Já de manhã…
Uma jovem garota estava passando por aquele local e vê duas crianças sozinhas; ela vai até eles. Oliver começa a escutar passos e, ao acordar, ele se depara com uma jovem garota olhando para ele.
— O que é isso!
— Oh, desculpa te acordar assim, rapaz.
— Quem é você e o que está fazendo aqui?
— Sou apenas uma moradora daqui?
— Da cidade imperial?
— Não, não, moro em uma casinha aqui perto.
Com o barulho da conversa, Diana aos poucos começa a acordar.
— Ai, que barulheira é essa?
— Fique perto de mim, Diana, ela pode ser perigosa!
— Quem é essa?
— Oh, não me apresentei, né? Sou Ruby, sou filha de médico e temos uma clínica aqui perto. Ao ver vocês, fiquei muito curiosa para saber o que aconteceu.
— Somos refugiados da invasão do exército do rei dos demônios. — Respondeu, limpando o olho e ainda bocejando.
— Refugiados? Sério, coitadinhos! Vamos lá para casa, irei pedir para meu pai verificar vocês.
A barriga de Oliver e Diana faz um som como se eles estivessem morrendo de fome.
— Talvez uma comidinha também caia bem.
— O que você acha, Diana?
— Bom, a única coisa que podemos perder é a vida, então acho que ir ao médico é a melhor opção.
— Tá bom, né! Ruby, a gente decidiu ir.
— Ah, ainda bem! Me sigam.
Cerca de 10 minutos de caminhada depois, eles finalmente chegam na clínica.
Ruby então abre a porta e de cara encontra seu pai tomando chá enquanto lê um livro.
— Oi, pai, já voltei e trouxe visitas.
— Trouxe as ervas que te pedi?
— É claro!
Oliver e Diana entram na casa meio constrangidos, mas logo o homem se vira e começa a falar com eles.
— O que aconteceu com vocês, jovens? Vocês parecem estar magros e com essas olheiras gigantes, imagino que não tenham dormido bem nos últimos dias…
— Somos refugiados de uma vila bem no interior, por isso tivemos que vir aqui andando.
— Isso explica tudo.
— Vou colocar a mesa, pai. Vamos comer depois dar uma olhada na saúde deles.
Depois de algum tempo, Ruby coloca uma mesa gigante com diversos tipos de comida. Oliver e Diana, sem comer há dias, pareciam feras famintas. O pai dela, por outro lado, comia bem lentamente.
— Aqui é uma clínica?
— Sim, sou médico há anos, e atendo aqui em casa mesmo.
— Então, o senhor sabe magia de cura, né?
— Na verdade, não. Eu não nasci com o dom da magia.
— Então, como o senhor cura os outros?
— Normalmente, eu tento encontrar a causa da doença e depois faço remédios para que as pessoas se curem.
— Mas por que as pessoas viriam aqui, com tantos sacerdotes que as curam em segundos?
— Qual é o seu nome, minha jovem?
— Diana, por quê?
— Gosto de pessoas curiosas como você, Diana! Os sacerdotes começaram a ter um alto custo durante os anos, então imaginei uma alternativa mais lenta, e de valor menor.
— Entendi, obrigada, doutor.
— De nada.
Eles voltam a comer, até que, do nada, escutam várias batidas na porta seguidas por um grito.
— Doutor, doutor, doutor, socorro!
Ruby vai correndo e abre a porta, vendo uma senhora que parecia ter 40 anos segurando um garotinho de seis anos que estava gemendo de dor. Logo depois, o doutor chega e fala.
— Vamos para o consultório.
O doutor pega o garoto no braço e leva para o consultório. A senhora tenta entrar, mas Ruby a impede e diz.
— Calma, senhora, meu pai é especialista nisso.
— Por favor, salve meu filho! — Exclamou, enquanto desabava chorando no chão.
Diana observava atentamente a situação, enquanto Oliver apenas continuava a comer. Um tempo se passa, e o doutor sai do consultório. A senhora, que já estava mais calma, vai rapidamente falar com o doutor.
— Como está meu filho, doutor?
— Ele estava ardendo em febre, por causa de uma forte gripe, mas agora o quadro dele já está mais estável.
— Ai, doutor, muito obrigada mesmo, o senhor é um anjo na minha vida.
— Não é para tanto! Deixe ele descansar, amanhã a senhora vem buscá-lo.
— Obrigado, doutor, amanhã eu volto.
Diana viu toda a situação e ficou admirada; ele salvou a vida do garoto, sem saber usar magia, sem precisar matar ninguém. Logo depois, os dois terminam de comer e são medicados pelo doutor.
— Bom, vocês dois estão fadigados, a única coisa que posso recomendar é tentar ter noites de sono melhores.
— Bom, obrigado, doutor, pela comida e por verificar a nossa saúde.
— De nada.
— Vamos indo, Diana?
— Oliver, eu preciso conversar com você, eu vi o doutor salvando aquela criança e é isso que eu quero ser, uma pessoa capaz de salvar outras.
— Você quer ficar aqui, então?
— Eu gostaria, mas só se o doutor deixar então.
— Uma aprendiz, não acho que seja uma má ideia.
— Se é isso que você quer, Diana, tem meu total apoio.
— Obrigada, Oliver! Por me salvar e cuidar de mim esses dias.
— De nada, pequena. bom vou indo, doutor.
— Até, rapaizinho.
Oliver vai até a porta, Ruby então aparece para se despedir.
— Já estão indo? Cadê a garota?
— Ela resolveu ficar, para aprender com o seu pai.
— Ah, uma companhia feminina, mas e você está tudo bem com isso?
— Mas é claro, adoro aquela garota, passamos por poucas e boas nessa nossa jornada, e fico feliz por ela encontrar o que quer.
— Se você está tudo com isso, não tenho queixas, boa sorte na sua jornada.
— Obrigado.
Oliver então sai pela porta sem destino escolhido, ele caminha por um breve tempo até que escuta o som de uma voz vindo de longe.
— Oliver! Isso não é um adeus! Vamos nos encontrar de novo — Exclamou, gritando para que seu amigo conseguisse escutar.
— Pode ter certeza disso, Diana, se torne uma grande doutora até lá! — Exclama, fazendo o mesmo gesto que sua amiga.
— Pode contar com isso, vamos nos ver de novo, isso é uma promessa!
Oliver acena, se despedindo assim, continuando sua jornada
— Ok, sem a Diana. Só preciso de uma verificação, como irei encontrá-la?
Oliver caminhava, pensando em uma solução, até que uma carroça passou por ele, e o garoto resolveu fazer o que era mais fácil: perguntar.
— Senhor, senhor, pode me ajudar com uma coisa?
O homem que conduzia a carroça percebeu a presença do garoto e parou sua viagem para respondê-lo.
— O que você precisa garoto?
— Eu gostaria de saber como consigo uma autorização para entrar na cidade imperial.
— Pagando por ela na sede da guilda dos mercadores.
— E quanto custa?
— 900 Nicols.
— Nossa, nem trabalhando na fazenda a vida inteira conseguiria esse valor. Não há outra maneira de entrar?
O homem deu uma boa olhada no garoto, pensou um pouco e disse:
— Peça carona para a carruagem que está atrás da minha. Se você ficar parado aqui cerca de 5 minutos, ela deve aparecer.
— O senhor mesmo não pode me dar uma carona?
— Oh, eu não posso, pois não tenho uma autorização de nível especial, mas posso afirmar que o senhor da carruagem de trás terá.
— Entendi, obrigado senhor.
— De nada.
logo a carruagem se afastou. O homem olhou novamente para o garoto e disse:
— O Daryl vai me dever um favor.
— Falou comigo?
— Não.
A carroça finalmente saiu do alcance do garoto, que começou a esperar a carruagem que poderia ajudá-lo.
Cerca de 8 minutos depois...
Oliver finalmente avistou a carruagem partindo em direção a ele.
— Senhor, senhor, senhor! — Gritou, tentando chamar a atenção do homem.
Diferente do carroceiro, esse parou sua carruagem para responder ao garoto. Dela saiu um homem enorme; com certeza pesava mais de 150 kg, vestido de forma elegante, parecia um homem de poder.
— O que deseja, jovem?
— Um senhor que passou de carroça mais cedo me recomendou pedir carona para você, até a cidade imperial.
— Ah, então aquele patife me deve um favor! -exclamou num tom bem sarcástico - Mas você procurou a pessoa certa, rapaz. Eu darei uma carona até a cidade.
— Muito obrigado, senhor! Nem sei como agradecer.
— Bem, há uma condição para entrar em minha carruagem.
— Qual é? — Perguntou, um pouco preocupado com a condição.
— Eu transporto uma mercadoria muito frágil, então não toque em nada dentro da carruagem!
— Ok, combinado!
— Então, seja bem-vindo à minha carruagem.
O homem acompanhou Oliver até a parte de trás da carroça e a abriu, permitindo que o garoto entrasse. A carruagem estava definitivamente lotada, com várias caixas de todos os tamanhos cobertas por um cobertor. Assim que a viagem começou, o rapaz ficou atento às coisas ao seu redor. Logo, a carruagem parou, e ele conseguiu escutar a conversa do homem com o guarda.
— Bom dia, está tudo dentro dos conformes, guarda?
— Bom dia, senhor Daryl. Sim, tudo conforme o planejado. O senhor está trazendo o mesmo de sempre?
— Sim, algumas coisas a mais e outras a menos, mas sim.
— Tem algo relacionado aquelas coisas que mencionei?
— Na verdade, sim. Encontrei algumas, mas há muitos interessados, então terão que ir para leilão.
— O leilão será hoje à noite?
— Sim.
— Ok, estarei lá para tentar recuperar o dinheiro que venho ganhando.
— Então, pegue sua parte de hoje para ter alguma chance.
— Obrigado, senhor.
A carruagem voltou a se mover, e Oliver, que estava ouvindo a conversa, ficou preocupado com as mercadorias que aquele senhor estava transportando. Quanto mais a carruagem andava, mais a ideia de pular dela passava pela mente dele. O garoto logo criou coragem e decidiu que iria pular. Ele colocou as mãos na entrada da carruagem, prontamente para pular, mas antes que pudesse fazê-lo, foi atingido por algo, sendo arremessado para trás e batendo com tudo nas caixas.
— Que merda foi essa! — Exclamou, meio atordoado.
Ao abrir os olhos, viu uma menina; tinha cerca de 12 ou 13 anos, com cabelos brancos e olhos verdes.
— O que você está fazendo aqui? — Questionou, sussurrando.
— Ah, estou aqui porque peguei uma carona para entrar na cidade.
— Fale baixo! Esta é uma carruagem que transporta escravos. Você é idiota o suficiente para pegar carona com esse tipo de pessoa?
— Eu já havia percebido que era uma carruagem suspeita. Estava prestes a sair antes de você me dar um chute no peito!
— Muitas desculpas. Eu não vim aqui para isso, mas vou te fazer o favor de te salvar.
— O quê? Eu já estava saindo, se você não tivesse me impedido.
— Chega de conversa, vamos logo!
A garota agarrou sua mão, e os dois pularam para fora da carruagem. Ao abrir os olhos, estavam no meio da rua, mas rapidamente foram para um beco para se esconderem.
— Ok, chega de loucura por enquanto.
— Xiiiiooo, fique quieto! Fizemos barulho ao pular da carruagem. Precisamos ficar escondidos até a situação se acalmar.
— Ok.
Os dois ficaram quietos no beco por cerca de 10 minutos, até que a garota achou que estava tudo seguro.
— Acho que podemos falar agora.
— Primeiro, quem é você? O que era realmente aquela carruagem? E por que você invadiu ela?
— Muitas perguntas, mas tudo bem. Sou Alice Crew, uma ladra e também salvadora da sua vida. Aquela carruagem tinha a função de levar novos escravos para o leilão. Eu estava lá porque queria roubar. Imagino que isso ficou meio óbvio.
— E por que você me salvou? Mesmo eu já estando prestes a sair de lá.
— Porque você me lembrou uma antiga história da minha família. Mas agora já te ajudei. Vou indo, tenho muitas coisas para fazer.
Alice começou a ir embora rapidamente, mas Oliver a impediu, colocando-se na frente dela.
— Já que você me ajudou uma vez. — Mesmo não precisando. pensou. — Você pode me ajudar de novo? Não tenho nada comigo, nem água, comida, dinheiro.
— Sem dinheiro? Então foi por isso que você estava na carruagem, entrou ilegalmente na cidade, espertinho. Eu já gostei de você! Então vou te ajudar, principalmente porque aquele mercador vai querer te procurar. Então, vamos fazer um trato: eu te ajudo a sobreviver, e você me ajuda a roubar.
Alice estendeu a mão, na intenção de formalizar um trato.
— Roubar?
— Sim, é como me sustento.
— Não acho que meus falecidos pais iriam gostar disso, porém não tenho muitas escolhas. Tudo bem, trato feito.
Oliver apertou a mão de Alice, formando assim uma parceria.
2 dias depois…
— Você está pronto, Oliver?
— Estou pronto, Alice!
— Então vamos colocar o plano em prática.
Oliver sai do beco onde estava conversando com Alice. O garoto estava vestindo roupas velhas e imundas. Ele então se aproxima de um casal de nobres e diz:
— Senhor, estou com fome!
— Onde estão seus pais, garoto?
— Eles faleceram, senhor. Estou com fome!
— Pobrezinho. Aqui estão alguns trocados para você, querido.
— Muito obrigado. É sempre bom fazer uma boa ação.
Quando o nobre coloca a mão em seus bolsos, percebe que sua carteira desapareceu. Sua esposa se assusta ao notar isso, e os dois começam a procurar na roupa do nobre.
— Desculpe-me, rapaz. Acho que perdi minha carteira.
Mas ao olhar novamente para onde o garoto estava, ele havia desaparecido.
Minutos antes…
— Ok, o plano é o seguinte: peguei emprestadas essas roupas velhas e sujas.
— Alice!
— Tá, eu roubei. Mas isso não importa. Você vai usá-las e então...
— Usar essas roupas velhas e sujas? Não vou.
— Você vai sim, a menos que saiba usar a habilidade de roubar? — Questiona, irritada.
— Tudo bem. o que mais?
— Você me atrapalhou no meio!
— Então continue…
— Você vai até um casal de nobres e vai precisar deixá-los parados por 10 segundos.
— Como vou fazer isso?
— Você terá que inventar algo. Mas precisa ser pelo menos 10 segundos para eu ativar a habilidade e sair fora.
— Entendi, pode deixar comigo.
Depois do roubo…
Os dois correm de volta para onde estavam ficando. O roubo foi um sucesso e logo teriam dinheiro para se alimentar.
Já dentro da "casa"...
— Conseguimos! Esse nobre tinha várias moedas!
— Conseguiremos comer algo hoje?
— Sim! Mas precisamos comprar escondidos. Vamos nessa?
— Vamos!
Os dois saem andando, com Oliver seguindo Alice, pois ela tem muito mais experiência que ele. Por não conhecer nada sobre sua parceira, o garoto decide tentar descobrir algo sobre ela.
— Alice, como você veio parar aqui?
— Ah, é uma longa história.
— estou com tempo e como parceiro, quero saber da sua história!
— Você é muito curioso! Mas tudo bem, já que insiste. Meus pais eram mercadores. Tínhamos uma loja em uma cidade litorânea. Para expandir os negócios, nos mudamos para a capital imperial, e no começo tudo estava indo muito bem. Estávamos prosperando bastante. Mas isso começou a causar inveja nos nobres. Até que uma noite a loja foi atacada, roubaram tudo e atearam fogo nela.
— E seus pais?
— Eles ficaram bem. Decidiram voltar para a terra natal. Eu fiquei.
— Por que você ficou?
— Não importa. Já estamos chegando.
Por alguma razão, sinto que ela mentiu nesta última parte. Pensou o garoto, incapaz de descobrir a verdadeira história de sua amiga.
Uma loja no final do beco era o que Oliver visualizava. Parecia mais com uma loja abandonada do que qualquer outra coisa. Alice então vai até a frente da loja e diz.
— Um ladrão rouba bronze, dois roubam prata, três roubam ouro.
Então uma figura misteriosa abre uma fresta da porta e diz:
— E mais de três?
— Instaura-se o caos.
— Seja bem-vindo.
Então a porta se abre. Lá dentro não era uma loja comum. Havia apenas duas seções: uma com comidas e mantimentos, e outra com itens como espadas, arcos, entre outros. O que parecia ser o dono do local era um homem grande, parrudo e careca, com cara de quem mataria qualquer um.
— Alice Crew, o que veio fazer aqui?
— Vim comprar algumas coisas.
— E quem é esse ao seu lado? Você andando com carne nova não é algo que vejo muito.
— Trate-o como meu assistente.
— Pois bem, esse seu assistente está um pouco famoso.
— Um pouco famoso? Pode me dizer o porquê? — Questiona, tirando uma moeda do bolso e colocando-a no balcão.
— Vi algumas coisas na cidade que me fizeram reconhecer o rosto dele.
— O que você viu? — Pergunta, colocando mais uma moeda no balcão.
— Vi cartazes dele espalhados pela cidade. Até sei quem os colocou, se estiver interessada.
— Não precisa. Foi o mercador de escravos. Oliver, já pegou alguns alimentos?
— Sim.
— Pegue uma adaga para você também. Trader, foi um prazer fazer negócio com você.
Alice joga a carteira nas mãos deles e vai embora.
— É sempre bom fazer negócio com você, Alice.
Em questão de segundos, Alice puxa Oliver e sai correndo da loja. Trader abre a carteira e percebe que ela está vazia. Ele sai correndo da loja e diz:
— Alice, sua desgraçada!
Os dois correm até chegarem em casa. Ao entrar, Alice diz:
— Tenho boas e más notícias. Qual você quer primeiro?
— Boa!
— Temos comida e suprimentos por algum tempo. Agora que você tem uma adaga, consegue matar alguns ratos que vivem conosco para ganhar experiência.
— Ok, agora me fale a má notícia.
— O maldito do mercador de escravos espalhou cartazes oferecendo dinheiro para quem te encontrar pela cidade. Então você terá que ficar na espreita comigo por mais tempo.
— Vamos continuar com essa vida de bandidagem por mais um tempo
Um ano se passou desde que Oliver e Alice realizaram seu primeiro roubo. Desde então, os dois evoluíram bastante em suas técnicas, melhorando consideravelmente suas condições de vida. Agora, ao menos, tinham uma cama para dividir. No entanto, algo que irritava bastante o garoto era a quantidade excessiva de ratos no local. Ele matava pelo menos um por semana, o que lhe rendia um pouco de experiência a cada vez. Até que, em uma noite, começaram a escutar um barulho de pequenos passos próximos a eles.
— Oli, mata esse rato que está andando por aí, por favor.
— Ah, essas criaturas só aparecem à noite para atrapalhar o sono.
O garoto reclamou, levantando-se para lidar com o empecilho. Ele pegou sua adaga e escutou atentamente o som das patinhas se esgueirando pelo lugar. Ele já havia feito isso repetidamente durante o ano, então rapidamente encontrou e lançou um golpe mortal na criatura, matando-a.
*Oliver Vics ganhou 32 de experiência!*
*Oliver Vics subiu de nível!*
*Classe desbloqueada*
— Alice, matei o rato e subi de nível! Finalmente desbloqueei minha classe! — Exclamou, super animado. Nem parecia que ele havia acabado de acordar.
— Ah, é? Qual é a sua classe?
— Como vejo isso?
— É só dizer "abrir status".
— Ok, abrir status.
*Nome: Oliver Vics*
*Idade: 13 anos*
*Classe: Mestre de Guilda*
*Nível: 5*
*Habilidades:*
- *Treinador Acelerado (Dobra o XP dos seus companheiros)*
- *Olho que Tudo Vê (Pode ver o status de outras pessoas)*
— Sou da classe Mestre de Guilda — disse, sem saber o que aquela classe significava.
— Nossa, nunca ouvi falar dessa classe. Pensei que você seria da classe Ladrão, como eu.
— E o que te levou a pensar nisso?
— Dizem que fazer muito uma ação pode te levar a receber a classe que mais se enquadra. Se essa teoria for real, deve ser seu destino ser dela.
— Certo, agora que descobri ela, o que eu faço?
— Bom, agora acho que sua barra deve estar limpa. Então vale a pena ir à guilda dos aventureiros perguntar.
— Tudo bem, mas agora vou dormir. Amanhã você pode me dizer onde fica a guilda.
— Combinado, agora vamos dormir!
*No dia seguinte...*
— Bom, as instruções da Alice me levam até aqui.
Oliver entra no que imagina ser a Guilda. Lá, havia muitas pessoas, várias usando armaduras e roupas de mago. Ele vê um balcão com o que parecia ser uma atendente e se dirige até lá.
— Oh, um garotinho! O que te traz aqui? Prazer, meu nome é Narah.
— Prazer, eu sou Oliver.
— O que o jovem precisa? Quer ser um aventureiro?
— Acabei de subir de nível e recebi uma classe estranha. Poderia me informar o que ela faz?
— Claro, pode falar que eu explico.
— Mestre de Guilda.
— Mestre de Guilda? — Narah questiona, surpresa.
Ela rapidamente se aproxima do garoto e começa a falar em seu ouvido:
— Não fale sua classe em voz alta.
— Por que? — Questiona, confuso.
— Sua classe é bem rara. Se algum aventureiro veterano escutar, ele vai provavelmente tentar te usar.
— Ah, ok.
— Se alguém perguntar, diga que você é um guerreiro ou algo do tipo.
— Certo, mas o que posso fazer sendo dessa classe?
— Se você tivesse idade, eu recomendaria virar um aventureiro, mas imagino que pela sua idade, seja um pouco cedo. O ideal seria você sair em missões o quanto antes para evoluir. Já sei! Vou falar com meu chefe. Espere um minuto.
Narah sobe uma escadaria perto de onde estava. Enquanto Oliver espera, ele vê uma cena lamentável: uma elfa entra na guilda agredindo uma jovem garota.
— Sério, vocês anões são realmente inúteis. Nem como escudo humano você serve.
— Desculpa, minha senhora, eu vou melhorar!
As duas rapidamente passam pelo garoto e vão para um canto da guilda. Logo depois, Narah volta para o balcão.
— Acabei de conversar com meu chefe.
— E o que ele disse? — Pergunta, curioso.
— Não podemos fazer de você um aventureiro, mas podemos fazer de você um ajudante de aventureiro.
— O que um ajudante de aventureiro faz?
— Basicamente, você poderá ir em missões de ranking baixo, mas não irá evoluir.
— Acho que serve.
— Podemos fazer o seu registro então?
— Pode sim.
— Nome completo e idade? A classe eu já sei.
— Oliver Vics, 13 anos!
— Ok, aguarde um tempo e logo farei seu registro.
— Tá bom, ficarei esperando!
*Um tempo depois...*
— Aqui está, Oliver, seu cartão de registro. Normalmente cobramos, mas como você é um caso especial, este é por conta da casa.
— Muito obrigado, Narah, mas estou com uma dúvida.
— Pode dizer.
— Você disse que preciso ir com um aventureiro para missões, certo?
— Certo.
— Como irei arranjar um aventureiro que esteja disponível para um ajudante?
— Isso eu resolvo para você.
Narah então enche os pulmões de ar, e Oliver se afasta. A garota grita:
— Existe algum aventureiro veterano à procura de ajudante?
A elfa se levanta e vai até o garoto.
— Você parece ser fraco. Serve para lotear os monstros pelo menos?
— Eu era um fazendeiro. O trabalho sujo é quase minha especialidade.
— Então seja bem-vindo ao grupo! Daqui a alguns minutos já vamos para uma missão.
A elfa volta para onde estava sentada. Oliver, sem enrolar muito, resolve agradecer e logo vai para onde sua nova companheira estava.
— Obrigado, Narah, pela ajuda!
Oliver começa a andar em direção à elfa, mas a recepcionista segura sua mão e diz:
— Você tem certeza? Essa mulher tem um histórico de explorar os aventureiros novatos.
— Não se preocupe. Se eu ganhar XP já vai ser o suficiente. Entretanto, obrigado pelo aviso!
Narah larga a mão do garoto, que logo sai andando até a elfa.
— Tomara que nada de ruim aconteça.
— Estou pronto!
— Ótimo, a outra está chegando. Fique esperando por aí.
— Ok. Qual é seu nome?
— Olha, já aceitei que façamos uma missão juntos, não quero papo com você.
— Mas precisamos nos comunicar na missão.
— Ai que saco. Me chama de chefe, eu te chamarei de empregado 2. Satisfeito?
Oliver percebe que ela não queria papo, mas ele precisava de detalhes. Resolve então testar uma habilidade, afastando-se um pouco e usando "Olho que Tudo Vê" na elfa. Para sua surpresa, aparecem os status:
*Nome: Liria Riaran*
*Idade: 214 anos*
*Classe: Arqueira*
*Nível: 34*
*Habilidades:*
- *Mira Precisa (aumenta 50% na precisão)*
— Uma arqueira, que interessante. Mas o nível dela não é tão alto.
— Ei, moleque, vamos! A empregada número 1 voltou.
Oliver fecha o status da elfa e vai até onde estava a mesma. Chegando lá, ele conhece a "empregada 1", uma jovem de cabelos avermelhados, estatura pequena e que carregava um pequeno martelo.
— Empregada 1, conheça o empregado 2. Bom, iremos exterminar um apontamento de goblins aqui perto.
— Ok!
— Sim, senhora — responde, com tom baixo e amedrontado.
— Já não falei para você falar alto, garota?
— Desculpa, senhora, vou melhorar.
— Você realmente só me dá trabalho. Vamos logo antes que fique muito tarde.
Os três saem da guilda, rumo à floresta onde ficava o apontamento. Liria não gostava de andar ao lado de quem considerava inferior, então deixou os dois irem na frente.
*Horas antes na casa de Oliver e Alice*
— Alice, eu sei que da minha classe você não entende, mas pode me ajudar com minhas habilidades?
— Posso tentar, diz aí o nome delas.
— Treinador Acelerado e Olho que Tudo Vê.
— Essa habilidade Olho que Tudo Vê é bem rara! Ela mostra os status das outras pessoas. Tenta usar em mim, para ativar é só falar o nome da habilidade.
— Olho que Tudo Vê!
*Nome: Alice Crew*
*Idade: 14 anos*
*Classe: Ladrão*
*Nível: 10*
*Habilidades:*
- *Roubar (Dependendo das condições, pode roubar um item aleatório ou item específico)*
— Realmente apareceu!
— Agora, esse Treinador Acelerado, nunca vi. Geralmente, as habilidades vêm com uma descrição. Consegue falar dessa habilidade?
— Dobra o XP dos companheiros.
— Espera, existe uma habilidade assim?
— Por que, é uma habilidade muito ruim?
— Ao contrário, é uma habilidade lendária!.
*De volta ao presente*
— como funcionam as coisas? Percebi que não formamos um grupo, e até onde sei precisamos formar um para compartilhar o XP. -pergunta Oliver para a primeira empregada.
— Ah, a chefe não faz grupo. Ela disse que compartilhar XP com novato é desperdício.
— E como a gente ganha XP indo em uma missão com ela?
— Quando fazemos a pilhagem nos monstros, ganhamos um pouco.
— Ah, então vamos formar um grupo apenas eu e você. Tenho uma habilidade que vai nos ajudar.
— Ok.
— Qual seu nome?
— Rina e o seu?
— Prazer, Oliver.
— Prazer
Os três andam por um tempo até chegar a uma espécie de fortaleza de goblins, com cerca de 15 das criaturas no local.
— Quinze, não? Bom, vamos fazer o simples. Empregada número 1, faça sua função.
— Tá bom. — Exclamou, sem muita vontade.
— Chefe, qual é a função dela?
— Já disse para não falar comigo, apenas observe e aprenda.
Rina, que estava com uma armadura de couro, uma espada e um escudo, se desloca para frente do forte.
— Atrair.
Ela começa a bater em seu escudo com a espada, enquanto usa uma habilidade que atrai os goblins. Em questão de segundos, todos os monstros começam a ir para cima da garota. Ao ver isso, Oliver entra em desespero.
— Todos os monstros estão indo para cima dela! Ela não vai conseguir se defender!
— Como eu disse, fique em silêncio.
A elfa rapidamente puxa seu arco e começa a disparar. Um por um, ela vai derrubando todos os goblins, mas mesmo assim alguns conseguem atacar Rina, que, para surpresa de Oliver, se defende muito facilmente. Quando restam apenas alguns goblins, a arqueira olha para o garoto, que está parado sem fazer nada.
— O que você ainda está fazendo aí? Comece logo a pilhagem!
Oliver entra no campo e começa a pilhar os corpos. A elfa termina de matar os outros goblins rapidamente. Rina se junta a Oliver na pilhagem. Havia uma cabana no centro da vila, que parecia ser algo importante para os monstros.
— Depois de terminarmos aqui, precisamos fazer mais algo?
— Na verdade, não. Apenas temos que reportar o que aconteceu para a guilda.
— Compreendo.
Depois de um tempo, Oliver decide verificar o status de Rina.
*Nome: Rina Lor*
*Idade: 15 anos*
*Classe: Escudeira*
*Nível: 16*
*Habilidades:*
- *Atrair (Ao bater em seu escudo, atrai a atenção de todos os monstros à sua volta)*
- *Muralha de Ferro (Aumenta sua defesa em 70% por 10 segundos)*
Enquanto Oliver olha o status de sua companheira, a elfa caminha em direção à cabana central. Rina percebe que está ganhando bem mais XP que o normal e resolve perguntar a Oliver o motivo.
— Oliver, estou ganhando bem mais experiência que o normal. Isso é graças àquela habilidade que você mencionou?
— Então, é que minha habilidade...
No momento em que Oliver iria contar o segredo por trás do aumento de XP, a cabana é destruída em pedaços. Liria, que havia ido verificar o local, é arremessada para longe! Caída, ela olha para sua empregada e diz:
— Merda, empregada 1, venha me proteger!
Ao olhar novamente para a cabana destruída, os dois observam que uma criatura era responsável por tudo aquilo. Um Hobgoblin estava pronto para matar qualquer um à sua frente. O monstro vê os dois e logo avança.
— Oliver, recua! Vá ajudar a chefe.
— Ok.
O monstro, com cerca de 2 metros e meio de altura, carrega uma clava de madeira gigante e começa a desferir golpes na garota. Rina era muito resistente e consegue, com dificuldade, aguentar os golpes da criatura. Oliver corre até a elfa e diz:
— Chefa, levanta! Precisamos ajudar a Rina! — Exclama, desesperado.
— Ajudar ela? Pode considerá-la um cadáver ambulante. Um Hobgoblin é muito forte para eu enfrentar.
— Então, o que iremos fazer?
— Eu não sei você, mas eu vou fugir.
— Você realmente vai abandoná-la? — Exclama, sem conseguir reagir bem ao que estava acontecendo.
— Exatamente, pelo menos ela terá uma função digna na vida.
A elfa, mesmo machucada, sai correndo do local. Oliver fica perplexo com aquilo. Ao voltar seu olhar para Rina, vê a garota sendo arremessada para longe pelo Hobgoblin, mesmo defendendo o golpe. A criatura começa a correr em direção a Oliver, que fica paralisado de medo. Quando o monstro chega perto e aplica o golpe mortal, Oliver apenas consegue olhar. Entretanto, Rina ainda não havia sido derrotada e volta para a batalha, defendendo o golpe do monstro.
— Onde a chefa foi?
— Ela disse que não teria chance contra esse monstro e foi embora.
— Merda, sabia que esse dia chegaria! Oliver, dá o fora daqui, eu seguro esse monstro. Salve sua vida.
Encorajado por Rina, Oliver consegue se mexer novamente e corre para longe. O monstro volta e aplica um poderoso golpe, que arremessa Rina para longe. Sem tempo para se levantar, a criatura aplica outro golpe. Rina mal consegue se defender e toma um grande dano, que a deixa deitada no chão.
— Bom, pelo menos salvei duas pessoas. Inútil eu não fui.
O monstro se prepara para dar o golpe final, mas é interrompido ao sentir uma pedra acertar seu rosto. Ele olha e vê que Oliver havia voltado com uma série de pedras, que arremessa incessantemente no Hobgoblin. A criatura, ao ver isso, muda seu alvo para o garoto e começa a andar em sua direção. Rina, ao ver aquilo, grita para Oliver:
— Eu falei para você ir embora!
— Eu não vou deixar você morrer sem fazer nada! Vamos sair dessa juntos, Rina! — Grita, enquanto continua a jogar pedras no monstro.
— Ele voltou... por mim? Sério? Ele planeja me salvar com uma série de pedras! Que garoto tonto.
Com suas últimas forças, Rina se levanta, bate no escudo com a espada e usa sua habilidade Atrair, fazendo com que o Hobgoblin mude novamente seu alvo. O monstro avança até a garota e tenta acertá-la, mas antes ela usa sua outra habilidade.
— Muralha de Ferro!
Rina defende facilmente o golpe. Antes que o Hobgoblin pudesse aplicar mais um golpe, ela sobe na clava e corre pelo braço dele. O monstro começa a balançar seu braço, arremessando-a para cima.
— Facilitou minha vida! Meu ataque é bem baixo, mas se acertar nesse ponto, pode ter certeza que vai funcionar!
Rina joga sua espada, que acerta em cheio o olho do Hobgoblin. A criatura grita de dor e Rina cai no chão, mas logo se levanta e corre. O Hobgoblin, cego de um olho, tenta acertar um golpe fatal na garota.
— Meu escudo está prestes a quebrar, mas tenho certeza que sua clava de merda também! Tenho 3 segundos da minha habilidade!
Rina, que estava correndo, se vira e com seu escudo bloqueia o golpe, resultando na quebra de seu escudo e da clava do monstro. A garota então dispara. Oliver aproveita a brecha e foge junto. Com o olho ferido e sem arma, o Hobgoblin desiste da perseguição, mas marca muito bem o rosto deles na memória.
Oliver havia sobrevivido a sua primeira missão.
Os dois, depois de conseguirem escapar do HobGoblin, se reencontram. Oliver, sem saber o que fazer, questiona Rina.
— E agora, o que fazemos, Rina?
— Normalmente, quando a missão é concluída, precisamos reportar à guilda.
— E quando ela não é concluída?
— Nesse caso, realmente não sei. Entretanto, provavelmente voltar à guilda e reportar o que aconteceu deve ser nossa melhor opção!
— Realmente, vamos nessa. O caminho até a guilda é um pouco longe.
Os dois, mesmo exaustos, caminham até a guilda. No caso de Rina, além de cansada, ela estava ferida. Então, com certa dificuldade, eles conseguem entrar no local e, ao entrar, dão de cara com Liria, que estava saindo da guilda.
— Olha só quem vejo aqui. Não imaginei que viriam. Como os dois inúteis sobreviveram?
Sem forças para falar, os dois apenas se mantêm calados.
— Sem resposta, né? Muito bem! Então espero vocês dois amanhã aqui na guilda, no mesmo horário.
Liria sai andando, gargalhando. Ver os dois naquela situação não a comovia; aquilo, para ela, era apenas engraçado.
— Vamos, Rina...
Os dois entram na guilda. Ao vê-los, a atendente se desespera e corre até eles.
— O que aconteceu com vocês? Liria acabou de reportar que vocês dois morreram na batalha contra o HobGoblin.
Rina, que mal se mantinha em pé, desaba no chão.
— Meu Deus! Chamem um sacerdote, um curandeiro ou qualquer um que saiba usar magia de cura.
Duas pessoas se levantam da mesa e vão até onde os três estavam e dizem:
— Ela estava ferida? Deixem ela conosco e iremos levá-la para o médico mais próximo.
— Muito obrigado, gente.
Então, Rina é levada para o médico para tratar sua ferida. Oliver, por outro lado, só estava exausto. Ele fica na guilda para explicar o ocorrido. Ele e a atendente se sentam.
— Oliver, Liria me contou uma parte. Confirma se é verdade isso.
— Ok.
— Vocês estavam fazendo a missão normalmente, conseguiram limpar a área, mas ao explorar a cabana central o HobGoblin apareceu, causando o caos.
— Até aí, tudo realmente aconteceu.
— Nisso, ela completou, dizendo que ela protegeu vocês com todas as forças, mas mesmo assim vocês haviam morrido pelas mãos do HobGoblin.
— Bom, vou contar o que aconteceu.
Oliver então explica detalhadamente o que tinha acontecido. A atendente se mostra horrorizada ao saber das ações de Liria.
— Como ela pode fazer isso? Ela sabe que ajudantes de aventureiros são membros especiais, que devem tomar muito cuidado com vocês.
— A Rina também é uma ajudante.
— Sim, ela se tornou recentemente. Acho que essa é a sexta missão dela. Mas agora não se preocupe, irei falar com meu chefe para resolver isso. Por enquanto, vá para sua casa e descanse.
— Tá bom! Amanhã eu volto aqui.
Oliver um pouco mais descansado volta para sua casa. Ao chegar, encontra sua companheira Alice sentada na cama, contando quantas carteiras ela havia roubado.
— Olha quem chegou! Vem ver aqui, Oliver. Peguei tudo isso só hoje.
— Quantas você roubou hoje?
— Acho que foram cinco!
— Você está ficando profissional nisso.
— Eu sempre fui! Mas me diga, aventureiro, quais são as novidades?
— Muita coisa aconteceu, mas eu consegui ser um aventureiro em treinamento basicamente. Conheci uma menina bem forte chamada Rina e também uma elfa chamada Liria, que abandonou a gente enquanto estávamos lutando contra um HobGoblin.
— Calma, muita informação de uma vez. Me explica com mais calma.
— Tá bom.
Oliver então explica da mesma forma que explicou para a atendente da guilda.
— Então, no primeiro dia como aventureiro, você foi traído e quase morreu?
— Mais ou menos isso.
— Essa menina, Rina, o nome dela, né?
— Sim.
— Onde ela está agora?
— Ela foi levada ao hospital para curar seus ferimentos.
— Que pena. Como ela foi traída junto com você, pensei que seríamos boas amigas. Talvez eu pudesse levá-la para o mundo do crime!
— Eu não estou tão machucado, mas mesmo assim, estou bem exausto.
— Imagino pela sua aventura. Descansa aí. Por sobreviver ao seu primeiro dia, imagino que você mereça!
— Então tá bom. Boa noite, Alice!
— Boa noite, Oliver.
O garoto então dorme, e no dia seguinte acorda bem disposto. Como Oliver havia roubado por um ano inteiro junto com Alice, os dois combinaram que, caso o menino trouxesse dinheiro para casa, ele não precisaria mais roubar. Com sua companheira ainda dormindo, ele sai rumo à guilda. Ao chegar lá, dá de cara com a atendente da guilda, que se surpreende ao vê-lo com energia tão cedo.
— Oliver? Pensei que não te veria tão cedo. Conseguiu descansar?
— Estou totalmente recuperado.
Uma pessoa se aproxima dos dois e, para o desgosto de Oliver, era alguém conhecido. Liria chega já se impondo.
— Oh, não é que você realmente veio? Cadê aquela inútil da Rina? — Questiona, com ar de deboche em sua fala.
— Ela sofreu muito na nossa luta. Não acho que os machucados dela...
— Uh, ela sempre foi uma inútil mesmo! Já que está só você, vamos logo para mais uma missão.
— Você ainda acha que eu irei para mais uma missão com você?
— Ah?
Liria chega perto e levanta pela gola de sua camisa…
— Quem é você para me desobedecer?, com raiva em seu olhar.
— Você acha que iria para qualquer lugar com alguém que abandona seus companheiros no meio de uma situação de vida ou morte!
Oliver grita, fazendo com que todos os olhos e ouvidos das pessoas que estavam na guilda se voltassem para a situação. A elfa observa a situação e, para não estragar a sua reputação, solta o garoto.
— Seu chilique te salvou dessa vez, muleque.
Liria vai embora da guilda, e a atendente que estava observando tudo suspira de alívio.
— Ainda bem que ela foi embora. Infelizmente, temos que ter esse tipo de aventureiro na nossa guilda. Mas dessa vez encontrei uma solução. Como você veio antes do que imaginei, a pessoa com quem marquei para você fazer grupo ainda não chegou.
— Ah, será que ele ou ela vem ainda hoje?
— Sim, que tal você dar uma volta na cidade enquanto ele não chega?
— Pode ser. Tem alguma recomendação?
— Tem um restaurante aqui perto. Geralmente, ele é sempre lotado, mas às vezes ainda tem um lugar.
— Ok, vou lá.
Oliver sai da guilda e vai para o restaurante mais próximo. Como havia sido informado, ele estava cheio. No entanto, próximo dali havia uma pequena taberna. O garoto vai até lá e, ao entrar, percebe que estava vazio. Ele se senta no balcão, e em segundos, uma pequena garota se aproxima e fala:
— Bom dia! Qual é o seu pedido, senhor?
— Uma garotinha tão nova a chefe deste local?
Então, da cozinha, sai um homem que parecia ter cerca de 2 metros.
— E você não é um pouco jovem para frequentar uma taberna?
— Papai? Eu já tinha tudo sob meu controle.
— Eu sei que tinha, mas volta para a cozinha e fique lá com sua mãe.
— Tá bom, papai.
A garotinha sai em disparada, rumo à cozinha do restaurante, assim fazendo com que só sobrasse Oliver e aquele gigantesco homem.
— Diga, garoto, o que veio fazer aqui?
— Eu estava procurando algum lugar para comer e resolvi vir aqui.
— Por que não foi no restaurante próximo daqui?
— Lugares cheios não são os meus locais favoritos.
— E o que você está fazendo por essas bandas? Está perdido?
— Nada demais.
— Imagino que você deve ter um motivo, mas deixa de papo. O que você quer comer?
— Alguma recomendação?
— Meu ensopado de carne nunca teve reclamações.
— Nem elogios! — Diz a filha do homem, que estava escutando a conversa pela porta da cozinha.
— Essa menina!
— Pode ser ensopado de carne! — Exclamam, dando uma risada de canto de boca.
— Ok, espera aqui. Logo volto.
Oliver espera por um tempo, até que ele escuta o som da porta da taberna se abrindo, e logo um garoto entra no estabelecimento dizendo:
— Pai, cheguei! Oh, tem um cliente aqui.
— Ah, oi.
— Você já foi atendido, rapaz?
— Já!
— Foi por um homem bem grande?
— Foi sim.
— E o que você pediu?
— Há um ensopado de carne.
— Nossa, que coragem.
— Coragem? — Questiona, sem entender por que aquele garoto estava falando nisso.
— Dizem que esse prato já matou um homem!
Novamente da cozinha, o homem de metros sai e dizendo:
— Cala a boca, filho imprestável!
— Eu só estava querendo salvar a vida desse garoto.
— Fica quieto, moleque.
O homem então coloca o prato com o ensopado. Oliver via aquela comida que não parecia estar tão ruim. Ele então pega a colher e come um pouco do ensopado. Ao comer, o corpo do garoto se arrepia inteiro.— Ruim, né?
Oliver sentia um gosto estranho na sua boca, mas nesse 1 ano que ele passou com Alice, ele já havia comido tantas coisas estranhas que isso não é uma das piores. O garoto então continua a comer.
— Esse garoto é dos meus. Qual é o seu nome, garoto?
— Oliver Vics.
— Vics, nunca vi ninguém na cidade com esse nome. Você é um forasteiro?
— Sim, vim de uma vila bem longe daqui.
— Oh, prazer, eu sou o Thae, esse idiota do meu filho e o Joan e nós somos os Gardinos.
— O que você está fazendo numa cidade dessas, Oliver?
— Vim morar aqui depois que minha vila foi invadida, então me mudei para essa cidade para reconstruir minha vida.
— Bom, essa é a capital do nosso reino, então acho que aqui é onde você tem mais chances mesmo.
— Nós, os Gardinos, temos essa taberna, mas meu filho inútil aqui é um aventureiro.
— Oh, um aventureiro? Eu sou um aprendiz de aventureiro.
— Espera? Você hoje foi designado para se aventurar com alguém?
— Sim, a atendente da guilda me informou que ela me achou alguém para eu ir em aventura.
— Nossa, que mundo pequeno!
— Por que você diz isso?
— Por que quem foi designado para te ajudar fui eu!
— Sério?
— Sim, bom como já nos conhecemos, terminamos de comer e vamos lá para a guilda.
— Tá bom!
Depois de um tempo, Oliver termina de comer, assim estando pronto para partir, ele se levanta.
— Estou pronto!
— Então vamos! — Diz Joan, levantando-se e pegando suas coisas.
— Tchau, filho. Cuide desse garoto!
— Eu irei, até mesmo tarde, pai.
Os dois então saem andando. Como eles mal se conheciam, o silêncio se mantinha, até que Oliver resolve ver os status de Juan, assim usando sua habilidade Olho que Tudo Vê.
Nome: Juan Gardino
Idade: 18
Classe: Espadachim
Nível: 25
Habilidades: Empunhadura dupla (Permite que o usuário use duas espadas ao mesmo tempo com extrema aptidão)
— Ele tem 18 anos e já é level 25? Por que Liria, que tinha centenas de anos, não era de nível muito mais forte? — Questionou, mentalmente.
Então, depois de um tempo caminhando, eles chegam na guilda e já encontram a atendente que fica muito surpresa ao ver Oliver e Juan juntos.
— Olha só que surpresa, você encontrou ele antes que pudesse apresentá-lo.
— Acabamos nos encontrando na taberna aqui perto.
— Boa tarde, deixou aquela missão reservada, como eu havia pedido?
— Deixei. Acabar com uma alcateia de lobos na floresta Fumegenta.
— Está pronto, Oliver?
— Estou!
— Então vamos formar um grupo.
— Vamos!
Grupo formado: Oliver Vics e Juan Gardino.
Eles então partem para a floresta. Para sorte deles, a Floresta Fumegenta não era tão longe, mas suas árvores eram grandes e espessas, dando um ar sombrio para o local. Caminhando mais um pouco, eles chegam na frente da caverna.
— Bom, chegamos. Os detalhes da missão diziam que provavelmente haveria só uma alcateia de lobos, mas tenho algo me falando que não é apenas isso.
— Certo. Vamos entrar?
— Vamos, mas antes, pegue essa tocha. Será sua principal arma de defesa contra os lobos. Sempre mire na cabeça e acerte-os com toda sua força.
— Entendido.
— Então, que comece oficialmente nossa missão!
Oliver e Juan entram na caverna. Por fora, ela parecia bem pequena, mas por dentro ela se estendia bastante, tanto em largura quanto em profundidade. Não havia nenhuma iluminação dentro da caverna, então a única coisa que eles conseguiam ver era a luz de suas tochas. Até que Juan percebe uma movimentação à sua frente, e diz:
— Fique atrás de mim. Acho que encontramos os primeiros lobos.
— Tá bom!
Os lobos logo sentem a presença dos dois garotos e os atacam. Juan, como um aventureiro com mais experiência, puxa sua espada e se defende do ataque inicial do lobo. Oliver começa a bater com a tocha para todos os lados e acidentalmente acerta o lobo. Ao ver aquilo, Juan se lembra da conversa com a atendente da guilda.
— Então, você que ajude esse garoto a conseguir experiência em aventuras?
— Exato.
— Mas como ele se tornou um aprendiz de aventureiro? O que ele tem de especial?
— Ah, isso você vai descobrir! — Exclama, dando uma piscadinha.
— Ele deve ser um prodígio no combate. — Pensou, Juan.
Nos tempos atuais…
— Um prodígio no combate já posso confirmar que ele não é! Então, qual será o motivo pelo qual ele é um aprendiz de aventureiro?
Os lobos voltam a atacar, mas Juan decide acabar com os dois de uma vez.
— Ruja Kyoshi!
Juan, então, com extrema facilidade e velocidade, acerta os dois lobos, que são vencidos.
Juan e Oliver receberam 45 de Experiência.
— 45? Normalmente, o lobo dá bem menos que isso.
— E por causa da minha habilidade.
— Espera, você tem uma habilidade que aumenta a experiência?
— Sim.
— Isso é muito impressionante!
Os dois continuam a andar, e Juan logo começa a pensar que ele havia entendido o que Oliver tinha de especial, e criar laços com aquele garoto seria algo que o beneficiaria muito. Ele fica perdido em seus pensamentos até que escuta rosnados vindo de longe.
— Oliver, tá vindo mais uma leva. Fica atrás de mim.
Juan se concentra e escuta o passo de 3 lobos vindo na sua direção. Ele se prepara e, com um corte cruzado, acerta os 3 lobos de uma só vez. Ao olhar um pouco mais adiante, mesmo na escuridão, ele conseguia ver uma porta.
— Isso não é algo que possa ser feito por lobos. Oliver, se prepara, algo mais forte está mudando nos lobos.
— Tudo bem.
Juan, então, abre a porta. Lá é um salão bem grande, cheio de construções humanas e destroços. E diferente do restante da caverna, aquele salão era bem iluminado. E no centro dele havia um Orc e mais 3 lobos ao seu redor.
— Merda, é um Orc! Oliver, se esconde perto dos destroços e se mandar correr, vai embora daqui sem olhar para trás!
O Orc, ao ver os dois garotos, não começa a atacar. Ele apenas aponta para eles, assim fazendo com que os lobos atacassem. Juan se defende do primeiro e consegue contra-atacar, assim já finalizando uma das criaturas. Os dois outros lobos recuam, mas o Orc dá um rugido, fazendo com que eles voltem a atacar. Já escondido, Oliver usa sua habilidade no Orc.
Nome: **** (Orc)
Idade: Indefinido
Classe: Indefinido
Nível: 30
Habilidades: Ordem do Chefe (Comanda todas as criaturas à sua volta)
— Juan, ele tem uma habilidade que faz ele comandar todas as criaturas em sua volta. Acabando com o Orc, os lobos param de atacar.
O Orc escuta a voz do garoto e comanda os lobos a atacarem Oliver. Juan rapidamente corre para defender seu aliado. E novamente, com golpes cruzados, ele acaba com os dois lobos. Mas antes que ele pudesse reagir, o Orc deferiu um soco que acertou Juan com tudo. O garoto voa e acerta a parede do salão.
— Merda, esse monstro é bem forte!
O Orc vai até o garoto, o pega e o contrai contra a parede. Juan grita de dor! Oliver, ao ver seu companheiro em uma situação de vida ou morte, pega sua tocha e corre na direção do Orc. Sem o monstro ver, o jovem aventureiro pressiona a tocha nas costas do Orc, que grita de dor, assim fazendo com que soltasse o Espadachim e começasse a correr atrás de Oliver.
— Merda, Juan, agora é com você!
— Até que você é corajoso, garoto! Esse Orc é forte, mas pode ter certeza que ele não vai conseguir se defender do golpe de mãos poderoso!
O Orc, que continua correndo atrás do Oliver, dá espaço para Juan atacar. O aventureiro, então, usa uma magia.
— Imbuir elemento!
Ele imbuiu fogo em sua espada e corre na direção do orc. Oliver, graças à sua habilidade de fuga, consegue driblar o monstro e passar por baixo dele, correndo em direção a Juan. O Espadachim se prepara, e o garoto então sai da frente de seu companheiro, fazendo com que o orc esteja frente a frente com seu verdadeiro adversário.
— Vamos, Ruja Kyoshi! Corte flamejante!
Juan, usando sua espada, dá um corte lateral, cortando a cabeça do orc. Com isso, a missão é finalizada.
Juan recebeu 500 de experiência.
Oliver recebeu 500 de experiência.
Oliver subiu de nível.
Oliver subiu de nível.
Oliver subiu de nível.
Juan subiu de nível.
Nome: Oliver Vics
Idade: 13 anos
Classe: Mestre de Guilda
Nível: 8
Habilidades:
Treinador acelerado (Dobra o XP dos seus companheiros)
Olho que tudo vê (Pode ver o status de outras pessoas)
— Deu uma canseira, mas olha só a experiência que ganhamos.
— Eu consegui chegar ao nível 8.
— Vamos descansar um pouco, depois vamos para a guilda.
— Ok, acho que é o melhor a se fazer.
Juan e Oliver descansaram por cerca de uma hora. Logo depois, exploraram a área para confirmar que a missão havia sido concluída. Eles levaram os caninos e a pele dos lobos, além de um canino do Orc.
— Deixa que eu levo, Juan. Você deve estar bem cansado!
— Realmente estou, mas isso não é desculpa. Deixa eu te ajudar!
Juan pegou metade dos itens de Oliver e ambos os carregaram enquanto caminhavam até a guilda. No caminho, resolveram conversar:
— Essa foi sua primeira missão?
— Não, minha primeira missão foi ontem, mas não deu muito certo.
— Sério? Pensei que você já tinha ido em algumas. Mesmo não sendo forte, você conseguiu me ajudar.
— Nesses últimos anos, aprendi muito sobre trabalho em equipe com uma amiga.
— Mas me diga, o que deu errado na sua última missão?
— Ah, fui com um aventureiro experiente e outra aprendiz, e as coisas começaram a se complicar.
— Espera, eu ouvi essa história mais cedo. Você foi o ajudante que sobreviveu ao HobGoblin?
— Exatamente.
— Seus feitos ficaram famosos na guilda. Mas por que você aceitou fazer missão com aquela elfa?
— Ela tem uma fama ruim?
— Ruim? Ela tem uma fama horrível! Uma mulher que abusa da boa vontade dos aventureiros novatos e nunca faz missões difíceis.
— Não posso negar que o boato é verdadeiro.
— Eu te admiro por ter aguentado e sobrevivido a uma aventura com ela.
— Sinceramente, não fiz muita coisa. A outra ajudante realmente fez de tudo para sairmos vivos da missão.
— Ah, alguma hora quero conhecê-la. Quem sabe nós três possamos ir em uma aventura juntos?
— É uma boa ideia!
Eles continuaram caminhando até finalmente chegarem à guilda. Ao entrar, a atendente os recepcionou.
— Vocês voltaram! Ainda bem, não se machucaram?
— Eu me machuquei um pouco, mas nada que uma boa noite de sono não resolva.
— Eu estou bem, o Juan me protegeu.
— Então posso considerar que a missão foi um sucesso?
— Sim, trouxemos aqui os caninos dos lobos que matamos, junto com o canino de Orc que estava no local.
— Oh, se houve mudança na missão, é bom reportar. Venha comigo, Juan.
— Esse tipo de coisa é rápida, já retorno, Oliver!
— Tá bom.
Cerca de 10 minutos se passaram... Juan e a atendente retornaram.
— Muito obrigado, Juan!
— De nada, até amanhã! Vamos, Oliver?
— Vamos!
— Tchau, Oliver, até amanhã!
— Tchau, obrigado por hoje.
Após se despedirem, os dois andaram até a casa de Juan, onde Thae estava os esperando.
— Vocês saíram vivos! Deu tudo certo lá hoje?
— Deu, graças a esse carinha aqui.
— Então ele não é pouca coisa, né?
— Com toda certeza, não sou.
— Então tome isso...
Thae deu um pacote bem pesado na mão de Oliver.
— O que é isso, senhor Thae?
— Aventureiros costumam voltar muito cansados das suas aventuras, então separei um pouco de comida.
— Tem certeza que o senhor quer me dar isso?
— Aceite, Oliver. A comida do meu pai não é boa, mas não é sempre que ele dá algo de graça.
— Ah, então vou aceitar.
O dia naquele momento já estava se encerrando, e ao ver o pôr do sol, Oliver decidiu que era hora de ir embora.
— Acho que já está tarde. Obrigado pela ajuda, Thae e Juan.
— Até mais, Oliver. Se precisar de ajuda, me chama.
— Vai com cuidado, garoto.
— Até!
Oliver foi embora. A caminhada para onde ele morava com Alice não era longa, mas mesmo assim foi tempo suficiente para a noite cair. Próximo de casa, o garoto escutou uma voz vindo de longe.
— OLIVER!!!!! CUIDADO!
— Aquela é quem eu estou pensando? — Questionou, arregalando os olhos para tentar enxergar.
— ATRÁS DE VOCÊ!
— É a Alice ali! Ela falou atrás de mim ou entendi errado?
Sem nenhum tempo de reação, o garoto foi brutalmente atacado. Com forte dor na cabeça e com o ouvido zunindo, Oliver percebeu que havia perdido a consciência por um breve momento. Ao abrir os olhos lentamente, ele viu Alice lutando com dois caras, mas a dor era grande, fazendo com que o rapaz perdesse novamente a consciência.
— Oliver, acorda, vamos!
Novamente recobrando a consciência, Alice, com muita pressa, ajudou o garoto a se levantar. Ele então observou que o braço de sua amiga estava machucado.
— Alice, você está bem?
— Estou, mas vamos logo! — exclamou, tentando apressá-lo o máximo possível.
— Mas seu braço...
— Esqueça isso, isso só aconteceu porque não sou uma boa combatente. Mas vamos, temos que nos esconder.
Alice pegou Oliver pela mão e começou a puxá-lo.
— Mas o que aconteceu?
— Eu não sei! Mas ao entardecer, alguns caras invadiram nossa casa procurando por mim e por você.
— Merda, quem viria atrás da gente?
— A gente passou cerca de um ano inteiro roubando várias pessoas. Não sei quem foi, mas pode ter certeza que demos motivo.
— Verdade, algum plano em mente?
— Se esconder. Mas você conhece alguém que possa nos ajudar?
— Conheço dois aventureiros!
— Ótimo, qual é o nome deles? Tenho uma magia ótima para essa situação.
— Juan Gardino e Rina Lor!
— Ok, divine bird that guides the blind.
Uma pomba formada por magia então apareceu. Alice cortou um pedaço de sua roupa e, com magia, escreveu uma carta e a deu para a pomba, que começou a voar até seu objetivo.
— Fireball!
Uma bola de fogo voou até os dois. Alice rapidamente tirou duas adagas que estavam escondidas em sua roupa e se defendeu.
— Vamos logo, Oliver!
Os dois começaram a correr freneticamente. Uma série de bolas de fogo começaram a voar na direção deles. Olhando rapidamente para trás, Oliver percebeu que havia ao menos oito caras perseguindo-os.
— Não olhe para trás, apenas corra!
— Alice, precisamos despistá-los!
— Merda, me segue, Oliver!
Os dois correram até um beco escuro. Seus perseguidores rapidamente chegaram ao beco. Ao chegar lá, algo estranho aconteceu: os dois jovens haviam sumido, e naquele lugar havia apenas uma lixeira e uma tampa de bueiro.
— Será que conseguimos despistá-los? — questionou, ofegante.
— Acho que sim, mas não por muito tempo.
— Existe algum lugar onde podemos nos esconder?
— Na verdade, não sei dizer. Depende de quem está nos caçando. Se for um nobre com muito dinheiro, pode ter certeza que não vai haver lugar seguro nesta cidade.
— Eu tenho alguém que pode nos abrigar, mas apenas fora da cidade.
— Acho que serve. Como estamos no esgoto da cidade, imagino que um desses canos nos leve para fora da cidade.
— Então vamos?
— Vamos.
Os dois começaram a andar pelos esgotos da cidade. Eles pensavam que teriam um tempo sem perseguição, mas logo Alice começou a escutar passos vindo de longe.
— Merda, nenhum assassino ou caçador de recompensas normalmente vai até os esgotos. O cara que está nos caçando deve ter bastante dinheiro.
Os passos começaram a se aproximar cada vez mais.
— Alice, eles estão chegando perto! O que fazemos? — questionou, muito agitado.
— Pelo o que conheço daqui, estamos perto da sessão de tratamento. Vamos para lá.
— Tá bom!
Os dois saíram correndo, mas, para o azar deles, o som dos passos deles correndo sobre a água suja foi identificado pelos perseguidores.
— Eles estão por perto, fiquem atentos!
Os dois correram até chegarem à sessão de tratamento. Aquela era uma área que conectava com outra área através de uma ponte, e debaixo dela havia um abismo.
— Chegamos na sessão de tratamento. Vamos lá, não estamos muito longe da saída do esgoto.
Alice foi na frente, mas antes que ela pudesse atravessar, dois dos perseguidores apareceram do outro lado.
— Merda, como vocês já chegaram aqui?
Oliver escutou passos vindo de onde eles haviam vindo.
— Alice, esses são outros. Os que estavam originalmente nos perseguindo estão chegando por trás.
— Não temos muito o que fazer. Oliver, vou abrir caminho!
— Espera, deixa eu ver os status deles.
Alice, sem escutar seu amigo, puxou suas duas adagas e atacou os dois. Oliver rapidamente usou sua habilidade.
Nome: ********** (Humano)
Idade: Indefinida
Classe: Assassino
Nível: 25
Habilidades:
Apunhalar (Recebe o dobro de chance de acertar uma punhalada em seu oponente)
Nome: ********** (Humano)
Idade: Indefinida
Classe: Assassino
Nível: 22
Habilidades:
Corte Fatal (Recebe o dobro de chance de acertar um golpe mortal em seu oponente)
— Alice!! Recua!!
Alice tentou atacar o primeiro assassino, mas ele, usando uma espada, se defendeu facilmente. Com um chute na barriga da ladra, ele a jogou para perto de Oliver.
— Alice, os níveis deles são maiores que o seu!
— Oliver, aprenda uma coisa: os níveis, no final das contas, são só números! Eu vou abrir o caminho. Corre quando eu mandar.
— Ok!
O segundo assassino usava um par de adagas, assim como Alice. Ele logo tomou a frente e começou seu ataque contra os garotos. A ladra puxou suas armas e uma troca de golpes aconteceu. Os golpes do assassino eram rápidos e precisos, mas a garota, mesmo com o braço machucado, conseguia acompanhar. Oliver, vendo sua amiga lutar pela vida dos dois, não conseguia ficar parado. Ele então elaborou um plano em sua mente.
— Alice! Sai da frente!
Não entendendo quais eram as intenções de Oliver, ela parou a sequência de golpes contra o assassino. Logo em seguida, se afastou. O garoto passou correndo pela ladra, sussurrou algo para Alice e assumiu o campo de batalha.
— FireBall!
Ao escutar o nome de uma magia, o assassino fechou os olhos e se protegeu. Um segundo depois, percebeu que nada tinha acontecido. Ao abrir os olhos, recebeu um grande chute, sendo jogado para fora da ponte.
— Bom plano, Oliver! — exclamou, olhando para trás e dando um sorriso.
Momento do sussurro...
— Faz o de sempre, eu distraio...
Sem muito tempo para pensar, o outro assassino atacou. Alice, que tinha se distraído por um momento, foi pega de surpresa, recebendo um ataque por cima. Ela usou suas duas adagas para se defender. Entretanto, o golpe foi muito forte. Quando as lâminas se tocaram, as adagas da ladra se quebraram, mas o golpe mesmo assim passou direto.
— Minhas adagas, merda!
O assassino encontrou mais uma brecha e, usando sua habilidade, tentou apunhalar a barriga de Alice. Sem ter o que fazer, ela foi gravemente ferida. Alice, sem hesitar, deixou a espada perfurar totalmente sua barriga e segurou seu adversário. Ela se virou e disse:
— Oliver, eu te amo, meu irmãozinho.
— Alice!
A ladra então se jogou da ponte junto com o assassino. Oliver olhou para baixo e viu sua amiga caindo. Ela então gritou:
— Corre!
O garoto, mesmo devastado, atravessou a ponte e saiu correndo. As lágrimas em seu rosto não paravam de cair. Correndo pelos canos do esgoto, ele só conseguia pensar:
— Por que? Por que eu sou tão fraco? Por quê?
Oliver, correndo pelos esgotos, voltou a escutar passos. Mesmo correndo o máximo que conseguia, não era o bastante. Na sua frente, os canos do esgoto se dividiam em dois: um iria para a direita e o outro para a esquerda. O garoto se animou, mas, para seu azar, dois assassinos apareceram em uma das entradas e bloquearam o caminho.
— Merda.
Oliver deu meia-volta, porém os dois perseguidores originais finalmente o alcançaram, encurralando-o.
— O que eu faço?
Sem esperanças de sobrevivência, Oliver observou os assassinos se aproximando. Quando eles iriam finalizar o garoto, escutaram:
— Ruja, Kyoshi!
Em um rápido corte, dois dos assassinos foram vencidos. Guardando sua espada, Oliver viu um conhecido: Juan Gardino estava no campo de batalha.
— Eu sei que falei que qualquer coisa era para me chamar, mas não achava que seria tão rápido!
— Juan! Você está aqui! — exclamou, extremamente feliz por vê-lo.
— É claro! Eu disse que, se você precisasse de mim, eu iria te ajudar. Mas me diga qual é a situação.
— Alguns assassinos e caçadores de recompensas estão me perseguindo, mas não sei o porquê.
— Então só temos que perguntar! Vou capturar um deles.
Os assassinos restantes, sem perder tempo, tentam um ataque rápido, mas Juan estava preparado. Ele puxa sua espada e bloqueia os golpes deles. O espadachim começa o contra-ataque, inicialmente sendo bloqueado por um dos assassinos.
— Você acha que essa espada fraca consegue vencer minha Kyoshi?
Juan volta a atacar, mas desta vez com mais força, quebrando a espada e eliminando o assassino. O outro, ao ver todos os seus aliados caídos, tenta escapar.
— Você acha que vai conseguir fugir? Corte rápido… ruja Kyoshi!
Movendo-se em alta velocidade, Juan corta uma das pernas do assassino, o derrubando.
— Pronto, agora vamos descobrir quem está te perseguindo!
O aventureiro então tira a adaga do assassino e o coloca em seu ombro.
— Vamos sair desse lugar nojento!
— Não é melhor sair da cidade, Juan?
— Não se preocupe, agora você está comigo!
— Ok, então vamos.
— Mais à frente tem um caminho que nos leva de volta para a cidade. Pode não parecer, mas aqui tem missões de exterminar ratos com bastante frequência!
— Juan, percebi que desta vez, antes de você usar seu golpe, você usou uma magia ou algo do tipo?
— Na verdade, o "ruja Kyoshi" é apenas algo que gosto de falar. A verdade é que uso a magia "corte rápido", que aumenta meu ataque e velocidade durante um golpe.
Oliver e Juan partem para a saída. Mesmo agora estando a salvo, Oliver ainda sentia bastante medo e tristeza pelo que havia acontecido com Alice. Para o seu próprio bem, ele decidiu focar na própria sobrevivência por enquanto.
Depois de algum tempo...
— Finalmente saímos desse esgoto. Esse lugar fede demais.
— Concordo.
— Agora vamos levar esse aqui para algum lugar mais reservado! — exclamou, enquanto dava uns tapas nas costas do assassino.
Os dois saíram por um bueiro perto do subúrbio da cidade. Por causa disso, achar uma casa escura não foi uma real dificuldade!
— Como iremos fazer ele abrir a boca?
— Simples.
Juan pega a adaga do assassino que ele havia guardado e a crava na coxa dele. O assassino acorda gritando de dor.
— Já acordou? Então responda as minhas perguntas.
— Você não vai tirar nada de mim!
Juan retira a adaga e estava prestes a acertar novamente o assassino, mas Oliver o interrompe.
— Isso é realmente necessário?
— Não acho que ele vai responder de bom grado! Mas você ainda é uma criança. Se quiser, fique na porta vigiando.
— Tá bom, acho melhor.
Oliver sai e fica esperando na porta. Onde eles estavam era uma rua escura, com algumas casas que não dava para saber se tinham pessoas morando ou se estavam abandonadas. Mesmo fora da casa, ele conseguia escutar os gritos do assassino.
Depois de um tempo...
Juan sai rapidamente da casa dizendo:
— Oliver, você estava certo, temos que ir embora da cidade.
— Calma, o que você descobriu?
— Merda, não dá tempo de explicar!
Uma adaga voa em direção aos dois. Rapidamente, Juan saca sua espada e consegue bloquear o golpe.
— Merda, agora ela já está aqui.
— Quem está aqui? — questiona, sem entender a situação.
Uma mulher então pula de cima de uma das casas. Ela era bem alta, parecia ter no mínimo 1,75m, tinha cabelos longos e loiros, com várias cicatrizes pelo corpo.
— Oliver, não consegui quase nada de informações do assassino, mas descobri duas coisas muito importantes. Um: ele tinha um feitiço de rastreamento nele. Dois: quem está nos perseguindo é a quinta divisão da Guilda dos Assassinos.
A mulher que estava se aproximando lentamente, ao escutar isso, diz:
— Meu subordinado teve a coragem de revelar algo? Como vocês já são cadáveres ambulantes, vou me apresentar. Capitã da quinta divisão da liga dos assassinos, Wine Black. Serei o carrasco de vocês.
— Juan, ela é mais forte que você.
— Provavelmente.
Oliver decide usar sua habilidade, o "Olho que Tudo Vê", para verificar os status daquela mulher.
Nome: Wine Black
Idade: 25 anos
Classe: Assassina de Elite
Nível: 40
Habilidades:
- Corte Silencioso (Usando sua alta velocidade, consegue fazer um corte tão preciso ao ponto de só a vítima conseguir perceber)
*******
*******
— Level 40! Merda, ela é a pessoa mais forte que conheci até hoje.
— Oliver, fique atrás de mim.
— Ok!
Oliver tenta se afastar, mas antes mesmo de fazer qualquer movimento, Wine aparece do seu lado prestes a acertá-lo com uma adaga negra. Juan, com um movimento muito rápido, consegue sacar sua espada e bloquear o golpe.
— Para você matá-lo, terá que passar por cima de mim!
— Uh, Juan Gardino, né? Um aventureiro que não é um novato, mas de longe não é um dos mais experientes.
— Você me conhece?
— A rede de informações da Guilda dos Assassinos é invejável! Mas a questão é por que você está protegendo esse garoto. Sei que os Gardinos se apegam àqueles que consideram amigos, mas não sabia que era tanto.
— Bom, esse moleque é especial, e além disso meu pai gosta dele, o que é raro de acontecer.
— Então acho que seu pai vai a dois enterros!
Wine dá uma investida veloz em Juan, que bloqueia o golpe com grande dificuldade. A assassina logo começa uma série de golpes que, mesmo o espadachim sendo habilidoso, ele leva vários cortes. Sem opções, ele recua.
— Merda, não consigo contra-atacar. Minha única opção é acabar com um único ataque! Então vamos, ruja Kyoshi!
Atacando com tudo que tinha, Juan se vê bloqueado por Wine.
— Você deu nome para um simples corte rápido? Pois deixe-me mostrar como se usa essa magia. Corte Rápido!
Em alta velocidade, Wine faz um corte na perna de Juan.
— Merda! Foi um corte profundo, mas eu ainda consigo lutar.
— Tem certeza? Olhe sua espada.
Ao olhar, Juan se assusta. Sua lâmina estava ficando negra, como se estivesse apodrecendo rapidamente.
— O que você fez com Kyoshi?
— Minha adaga é um tanto quanto especial. O nome dela é Adaga da Amargura. Quanto mais uma lâmina entra em contato com ela, a espada começa a apodrecer até se quebrar.
— Oliver, corra! Não vou conseguir segurar essa luta por muito mais tempo.
Vendo de longe a situação, Oliver começa a pensar:
— Eu não consigo defender ninguém! Eu sou um peso!
Ele então começa a se lembrar do sacrifício dos seus pais, de não ter conseguido defender Diana e do sacrifício de Alice. Então, em um surto de emoções, ele sai de onde estava e grita:
— Wine, deixa o Juan em paz! Sou eu quem você quer!
— Se sacrificando pelo seu amigo, que lindo! Mas essa sua bondade será o motivo da sua morte! Corte Rápido!
Wine avança em alta velocidade para cima de Oliver. O espadachim, com sua perna machucada, não consegue acompanhar.
— Sai daí, Oliver!
Wine mira no pescoço de Oliver e, no momento em que a lâmina iria atingir seu pescoço, o garoto fecha os olhos. Ele fica um tempo esperando a dor, mas percebe que nada havia acontecido, então volta a abrir os olhos. Ele vê Rina segurando seu escudo, bloqueando o golpe.
— Na próxima vez avisa onde você está, né?
Capítulo 10: Relações
— Mais uma se juntou à festa.
— Rina! Você veio no momento certo.
— Preciso ajudar meu companheiro aprendiz de aventureiro!
— Não se distraia, garota!
Wine faz uma finta e passa pela garota, voltando a atacar Oliver, mas ela é parada novamente, dessa vez por Juan, que bloqueia o golpe. Rina logo aparece tentando acertar um golpe, usando seu escudo, fazendo a assassina recuar.
— Você é a garota que ajudou o Oliver na primeira missão dele?
— Sou eu mesma. Quem é você?
— Já disse para vocês não se distraírem!
Wine avança novamente. Rina, sem pensar duas vezes, bloqueia o golpe. Juan logo em seguida ataca a assassina, que não consegue se defender.
— Consegui acertar o ombro dela.
— Se continuarmos assim, dá para vencer! — exclamou, entusiasmada.
— Não conseguiremos manter essa luta por muito tempo!
— Por quê?
— Olha seu escudo.
Rina olha o escudo e vê uma mancha preta. Ao olhar a espada de Juan, percebe que ela também está com a mesma mancha.
— O que é essa mancha?
— É um efeito daquela adaga. Quando nossos equipamentos entram em contato, as armas começam a apodrecer.
Oliver, que já havia se escondido, ficou o tempo inteiro pensando. A batalha não poderia se estender tanto, então ele sai de onde estava escondido e diz:
— Wine, tenho uma proposta para te fazer.
— Uh, o garotinho quer negociar? Normalmente não negocio com a presa, mas como você sobreviveu a todos os assassinos que mandei, vou te escutar.
— Você sabe que essa luta não irá durar muito, então proponho um desafio.
— Uma criança me desafiando?
— Bom, se você e seus assassinos não conseguiram matar uma simples criança, vamos fazer assim: não irei me esconder nem fugir! Mas se eu sobreviver a 5 minutos de ataques, você nos deixa em paz.
— Você tem sorte, moleque, eu adoro um desafio! — exclama, enquanto lambe sua adaga.
— Desculpa deixar tudo na mão de vocês.
— Não é de todo mal, agora temos uma chance de sobreviver!
— Pode ficar tranquilo, Oliver!
A batalha então retorna. Wine volta a atacar ferozmente, e Rina bloqueia os golpes com toda sua força. A sequência de golpes é muito rápida, a ponto de Juan não conseguir revidar.
— Juan, me ajuda!
— Ruja, Kyoshi!
Juan força um ataque usando sua magia corte rápido, e Rina prontamente dá espaço para que seu companheiro possa acertar o ataque.
— De novo esse golpe! Agora você vai entender o que é um corte rápido!
Um confronto de cortes rápidos ocorre: a adaga de Wine contra a espada de Juan! As lâminas rapidamente se chocam.
— Você não é tão ruim quanto eu esperava.
Juan usa toda a sua força naquele golpe, mesmo sabendo que provavelmente não venceria.
— Mas não o bastante!
Wine vence a disputa, cortando superficialmente a costela de Juan.
— Juan, você ainda consegue lutar?
— Consigo sim…
Wine rapidamente se move para finalizar Juan, mas Rina, com seus reflexos aguçados, defende mais um golpe da assassina.
— Você está conseguindo manter esses dois vivos, mas como fará isso sem seu escudo?
Rina olha para o escudo e percebe que ele está perto de apodrecer completamente.
— Merda!
Juan percebe que o escudo de sua parceira não aguentaria por muito tempo e faz um ataque para afastar a garota. Wine, sem dificuldade, se defende e recua.
— Nenhum de vocês irá aguentar mais uma troca de golpes! Tem certeza que vão sacrificar suas vidas para defender esse moleque?
— Rina, seu escudo resiste a mais um golpe?
— Acho que sim.
— Você consegue segurar o corte rápido da Wine?
— Não tenho certeza, mas se eu usar meu trunfo, talvez consiga!
— Ok, vamos apostar tudo nesse ataque! Minha Kyoshi não vai aguentar por muito tempo.
— Perceberam a burrice que estavam fazendo!
— Cala a boca, sua assassina de merda! Vamos com tudo, Kyoshi! Ruja, Kyoshi!
Com toda sua força, Juan usa seu corte rápido novamente.
— Você não aprende? Você não tem chance contra mim!
Wine, em resposta, usa seu corte rápido. Novamente, um confronto de cortes rápidos ocorre, mas para a surpresa da assassina, Rina aparece em sua frente dizendo:
— Muralha de ferro!
Rina usa sua habilidade que aumenta sua defesa. Wine, em alta velocidade, tenta passar por cima da garota sem compaixão, mas para sua surpresa, a garota consegue defender o ataque!
— Oh, você ainda tinha uma arma na manga! Pena que demorou muito para usá-la!
O escudo de Rina fica totalmente preto e, com a adaga fazendo pressão, ele se deteriora. Sem proteção, Wine iria dar um golpe fatal na garota, mas havia esquecido de uma pessoa: Juan aparece e ataca a assassina, que não consegue se defender. Para não sofrer um golpe fatal, Wine dá uma finta e leva apenas um corte superficial no ombro.
— Merda!
Juan, frustrado por não aproveitar a melhor oportunidade que haviam criado, ataca novamente, mas desta vez Wine se defende usando sua adaga, fazendo com que Kyoshi fique totalmente preta. Os dois recuam, sem opções, e começam a ficar em desespero.
— E agora, Juan?
— Sinceramente, não faço a mínima ideia.
— Machucados, sem armas, apenas com uma espada em suas mãos.
— Não há o que fazer. Rina, pegue o Oliver e corra o mais longe possível!
— Sacrificando-se por seus companheiros, que atitude linda!
Wine começa a caminhar lentamente até os dois.
— Não vou te abandonar. Essa luta é nossa, ficarei até o final.
— Tem certeza?
— Tenho!
Wine chega bem perto dos dois e diz:
— Sinceramente, essa luta foi interessante, Oliver!
O garoto então sai de seu esconderijo e diz:
— Diga, Wine.
— Parabéns, de alguma forma você venceu a aposta.
— Essa vitória não é minha, é desses dois.
— Rina e Juan, vocês me entreterão bastante. Como recompensa, darei um bônus: o nome do meu cliente é Daryl, o mercador de escravos.
— Obrigado, Wine.
Wine rapidamente se retira. Rina e Juan, tensos por causa da batalha, desabam de cansaço.
— Finalmente acabou?
— Sim, acabou.
Juan, caído no chão, olha para sua espada e percebe que ela está se deteriorando. Triste, mas orgulhoso, ele diz:
— Essa foi nossa melhor luta. Obrigado, Kyoshi.
Oliver se aproxima dos dois e diz:
— Obrigado, agradeço do fundo do meu coração.
— Ainda não nos agradeça, ainda temos uma coisa para fazer.
Algumas horas depois, na sala do mercador de escravos…
— Cadê a Wine? Ela tinha me dito que iria entregar a cabeça daquele garoto ainda hoje!
— Se acalme, ela vai vir.
Antes que os dois pudessem respirar, a porta da sala onde estavam foi arrombada e um grupo apareceu: Oliver, Juan e Rina. O guarda que estava junto se prepara para atacar os três, mas Juan, com uma nova espada, usa seu corte rápido, derrotando rapidamente o guarda.
— O que vocês três querem aqui?
— Você colocou minha cabeça a prêmio e acha que vai sair ileso?
— Você está me ameaçando?
— Não sei se estou conseguindo enxergar direito, mas você não tem como se defender.
— É isso que você acha? Pois eu controlo mais de mil escravos. Com uma palavra, mando todos te caçarem!
— É mesmo?
Das sombras, uma sexta pessoa aparece atrás do mercador, colocando uma faca em seu pescoço. A pessoa misteriosa diz:
— Se você tem coragem, dê a ordem!
Oliver repara que conhece aquela voz e aquela adaga. Olhando bem, reconhece a pessoa que estava atrás do mercador: Alice de alguma forma havia sobrevivido!
— Calma! Não me mate, vamos negociar!
— Vamos negociar.
— O que você quer?
— Primeiro, quero que tire a recompensa pela cabeça de Oliver.
— Certo!
— Agora, que tal uma quantia em dinheiro?
— Quanto você quer?
— Cerca de 8 milhões de nicols.
— Isso eu não posso aceitar!
— Tem certeza? — questiona, apertando a faca contra o pescoço do mercador.
— Tá bom, mas não aceito mais nenhuma exigência.
— Ok, negócio feito.
O mercador escreve uma carta dizendo que a recompensa está anulada e fala para um de seus serviçais enviá-la para a guilda de assassinos. Logo depois, pega os oito milhões e dá para Alice.
— Foi bom negociar com você. Até a próxima!
— Nunca mais apareça na minha frente.
Alice e seu grupo saem do covil do mercador. Oliver de cara pergunta:
— Alice, como você sobreviveu?
— Isso eu conto depois.
Vocês dois são a Rina e o Juan?
— Sim! — dizem os dois.
— Bom, vocês arriscaram a vida por esse meu ajudante, então peguem isso.
Alice entrega quatro milhões nas mãos dos dois.
— Não posso aceitar tudo isso! — exclama, envergonhada.
— Pois eu aceito com prazer. Vou comprar uma espada nova!
— Por favor, aceite, Rina. Sei que isso não é o suficiente para pagar a dívida que Oliver criou, mas peço que aceite.
— Se você insiste, eu vou aceitar.
— Obrigado, gente.
— Acho que valeu a pena, mas agora deixa eu voltar para casa. Preciso tratar meus machucados.
— Eu também vou indo. Não me machuquei, mas estou exausta!
— Obrigado pela ajuda e juro que vou entender se vocês não quiserem se aventurar comigo.
— O que você está falando, Oliver? Nos encontramos na guilda amanhã!
— Não posso deixar meu parceiro ajudante de aventureiro na mão!
— Obrigado.
— Até amanhã, Oliver.
Juan e Rina vão embora, só sobrando Oliver e Alice.
— Alice, agora é sério.
— Diga, Oliver.
— Como você sobreviveu?
— Ah, você pergunta muito.
— Eu preciso saber, é sério!
— Vamos para casa, Oliver.
Alice pega a mão de Oliver e puxa o garoto na direção da sua casa.
— Alice, é sério, como você está viva?
Capítulo 11: Guilda de Aventureiros
Alguns dias depois, Oliver estava finalmente pronto para voltar a se aventurar. Ele rapidamente vai até a guilda e, logo na entrada, encontra seus dois conhecidos, Juan e Rina.
— Oliver!
— Vem aqui!
Oliver se senta na mesma mesa em que seus amigos estavam, conversando sobre os próximos passos.
— Vamos procurar algumas missões?
— É claro!
— O único problema é que, com nossos níveis atuais, não conseguimos missões que nos deem muita experiência.
— Por quê? — Oliver e Rina questionam ao mesmo tempo.
— Vocês realmente não foram ajudados por aventureiros, mas deixem-me explicar. As missões são divididas em rankings: E, D, C, B, A e S. Atualmente não somos considerados um grupo de aventureiros, pois temos apenas um membro oficialmente filiado à guilda.
— Ah, então não conseguimos porque eu e a Rina somos aventureiros novatos?
— Mais ou menos isso.
— E como resolvemos isso?
— Temos duas opções: ou esperamos vocês dois completarem as tarefas suficientes para se tornarem aventureiros, ou contratamos alguém para o nosso grupo.
— Acho melhor a segunda opção.
— Então tá bom. Rina, me ajuda a procurar alguém bom. Oliver, que tal você olhar algumas lojas de suprimentos?
— Ok, tá combinado.
Oliver sai da guilda e segue direto para uma loja conhecida entre vários aventureiros. Lá dentro, ele vê uma vasta opção de itens, de poções a algumas armaduras básicas. No local havia apenas duas pessoas: um atendente e alguém usando um capuz. O garoto se aproxima discretamente. O atendente logo diz:
— O que um rapaz tão novo está fazendo por aqui?
— Sou um assistente de aventureiro! Estou apenas verificando os itens.
— Oh, não sabia que a guilda aprovava assistentes tão jovens.
A pessoa encapuzada, que estava perto do balcão, se aproxima e diz:
— Se a guilda aprovou um rapaz da sua idade, você deve ter algo de especial.
— Não tenho certeza se tenho algo especial... — diz, receoso de revelar sua classe.
— Você tem certeza disso? Vou dar uma verificada. Olho que tudo vê!
— Ela também tem essa habilidade? Quem é ela?
— Mestre de Guilda? Interessante, uma classe não combatente. Me diga, rapaz, você almeja se tornar um aventureiro?
— Sim, eu me tornarei o maior de todos!
— Com essa classe, terá muito trabalho pela frente. Vou te dar uma dica: se você não consegue derrotar os monstros, faça com que seus aliados tenham poder para isso.
— Obrigado.
— Por nada, garoto. Nos vemos em outro momento.
A pessoa misteriosa se retira do local, mas antes de sair, se vira e diz:
— Julius, dê um kit de suporte para o garoto. Pode colocar na minha conta.
— Pode deixar!
O atendente vai até uma das prateleiras e pega uma bolsa cheia de suprimentos.
— Antes de tudo, prazer. Sou Julius, trabalho nesta loja! Sempre que precisar de algo, pode falar comigo.
— Ah, prazer. Eu sou Oliver. Você sabe quem era aquela pessoa?
— Até sei, mas acho melhor não te contar.
— Por quê?
— Bom, tenho meus motivos... mas vamos mudar de assunto. Vou te explicar o que vem nessa bolsa.
— Tá bom.
— Basicamente, ela contém alguns itens para alguém de classe de suporte. São cerca de 2 poções de cura, 1 poção contra veneno, 1 poção de fortalecimento e 2 de paralisia.
— São muitos itens! Quanto custa essa bolsa?
— Cerca de 150 moedas.
— Não é ridiculamente caro, mas é muito mais do que eu tenho.
— Por sorte, já está paga. Boa sorte, garoto.
— Obrigado!
Oliver sai da loja e retorna à guilda. Chegando lá, encontra Juan e Rina acompanhados de uma terceira pessoa. O garoto se aproxima do grupo.
— Voltei. Consegui algumas coisas interessantes.
— Ah? Esse é o terceiro membro do seu grupo?
— Sim, este é Oliver Vics!
Chegando mais perto, Oliver percebe que a terceira pessoa era uma bestial, um híbrido entre fera e humano.
— Me diz aí: se a menina defende, o que esse garotinho faz?
— Ele é de uma classe de suporte. — Juan responde, tentando esconder o fato de que Oliver ainda não tinha nenhuma habilidade útil em combate.
— O que você faz? Cura? Fortalece?
— Na verdade, ainda não tenho nenhuma habilidade útil em combate... mas não vou atrapalhar!
— Você realmente é apenas um ajudante. Tente não ser inútil.
— Não vou ser!
— Oliver, conseguimos uma missão. Já está preparado para ir?
— Sim, vamos nessa!
— Vou passar os detalhes da missão. Temos que investigar uma floresta ao norte daqui. Os moradores próximos relataram o aparecimento de vários monstros.
— Entendido! — exclamaram Oliver e Rina ao mesmo tempo.
— Preciso pegar alguns equipamentos. Nos encontramos no portão de entrada daqui a duas horas?
— Pode ser! — responderam Rina, Oliver e Juan juntos.
Oliver resolveu voltar para casa, para avisar que iria sair em uma nova aventura. Chegando lá, encontrou Alice.
— Oh, bem-vinda de volta, Alice!
— Se recuperou, Oliver?
— Sim. Você sumiu logo depois da batalha contra aquela assassina.
— Eu precisava resolver alguns assuntos pessoais.
— Sem problema! Eu e meu grupo conseguimos mais uma missão!
— Oh, boa sorte! Dessa vez não vou conseguir ajudar. Provavelmente terei que ficar mais um tempo fora.
— Ok, se puder, manda notícias!
— Pode deixar... — disse ela, com um leve tom de tristeza.
Depois de um tempo, Oliver foi para a entrada da cidade. Ao chegar, todos já estavam lá, apenas esperando.
— O peso morto chegou por último — provocou Arkhena.
— Ei! Não fale assim do Oliver! — rebateu Rina.
— Rina, fica tranquila. — Oliver respondeu com um sorriso.
Juan se aproximou de Rina e murmurou:
— Eu e você sabemos do potencial do Oliver. Ele não precisa da nossa ajuda para provar isso.
— Você tá certo — respondeu ela.
O grupo deixou a cidade, seguindo em direção à floresta que ficava ao oeste. Tentando agir como líder, Juan tomou a frente:
— Antes de entrarmos em combate, vamos fazer uma formação. Rina, sua defesa é impecável, então fique na frente. Oliver, se esconda e observe as redondezas. Se avistar algo estranho, nos avise!
— Ficar escondido como um pobre coitado, é isso? — resmungou Oliver.
— Arkhena, por favor, pare de provocar o Oliver — disse Juan. — Ele vai se provar mais útil do que imagina.
— Duvido muito... mas tudo bem. — Arkhena deu de ombros.
— Juan, qual é a missão? — perguntou Rina, um pouco tensa.
— Temos que exterminar um ninho de aranhas antes que se reproduzam ainda mais.
— Você disse aranhas?! — Rina começou a tremer.
— Não é muito fã delas?
— Eu tenho pavor de aranhas!
— Pare de reclamar, escudeira. Aranhas são um excelente café da manhã!
— Só se for pra você! — respondeu Rina, quase chorando.
Oliver observou Arkhena com mais atenção. Ela parecia ter a mesma idade de Juan, corpo atlético e expressão confiante. Metade humana, metade besta, possuía traços de um grande urso pardo.
— O que tá olhando, moleque?
— N-nada!
— Arkhena, você é uma artista marcial?
— Exato! E não se esqueçam, estão trabalhando com a maior artista marcial que existe! — respondeu ela, com um sorriso arrogante.
— Perfeito. Então fique na linha de frente comigo!
— Lá é onde eu brilho mais!
Os quatro avançaram pela floresta por um bom tempo, até que Rina ouviu um som estranho.
— Pessoal, acho que tem alguma coisa ali! — disse, tremendo de medo.
Um arbusto começou a se mexer. Todos sacaram suas armas — e uma pequena cobra surgiu.
— Ah, desculpe, pensei que fosse uma das aranhas!
— Sem problema, Rina.
— Chefia, me diz uma coisa: essas aranhas são peçonhentas? — perguntou Arkhena.
— Não, mas elas soltam rajadas de ácido tão fortes que corroem até metal.
— Ótimo... — resmungou Oliver. — Vamos ter que ficar atentos.
Quanto mais caminhavam, mais claros eram os sinais do ninho: árvores cobertas de teias e pedras corroídas por ácido.
— Se preparem! — ordenou Juan.
Após alguns metros, encontraram o ninho: dezenas de aranhas do tamanho de cães... e uma gigantesca, com quase quatro metros.
— A maior deve ser a chefe. — disse Juan. — Rina e eu cuidamos das menores. Arkhena, consegue segurar a grandona até acabarmos?
— Acho que consigo.
— Então vamos nessa!
Rina e Juan correram em direção ao ninho.
— Juan, e agora?
— Só não deixa elas jogarem ácido em mim!
— Tá bom!
— Temos que chamar a atenção delas.
— E como vamos fazer isso?!
— Simples! Ei, suas aranhas nojentas, venham até nós! — gritou Juan.
Dezenas de aranhas avançaram contra eles.
— Iiiihhhhhh! — gritou Rina, em pânico.
— Tá na hora de ir com tudo! Dilacera, Kamakura!
Com um golpe veloz, Juan cortou várias aranhas de uma vez.
— Elas podem ser muitas, mas não são fortes!
— Juan, cuidado! — gritou Rina.
Várias aranhas dispararam ácido contra ele, mas Rina conseguiu defender com seu novo escudo. Oliver, observando de longe, pensou:
— O Juan tem uma nova espada, e a Rina um novo escudo... essas aranhas não vão ser problema pra eles.
Enquanto isso, Arkhena enfrentava a aranha-chefe. Suas mãos transformadas em patas de urso desferiam golpes potentes, mas o monstro era resistente e rápido.
— Essa aranha é veloz demais! — grunhiu ela.
Oliver percebeu que Arkhena estava em desvantagem. Tentando ajudar, se aproximou e gritou:
— Senhora Arkhena, posso ser útil!
— Cala a boca e fica escondido! Não me subestime, eu me viro! — rugiu ela.
A aranha aproveitou a distração e atacou. Arkhena segurou a cabeça do monstro com uma das mãos e rugiu:
— Não sei se entendeu, mas também não me subestime! Golpe do Urso!
O impacto rachou o chão, mas não foi suficiente. Oliver, surpreso, pensou:
— Incrível! Ela é mais forte que o Juan!
A aranha recuou, irritada, e começou a disparar teias. Arkhena desviava, mas era obrigada a recuar cada vez mais.
— Finalmente, uma oportunidade de ser útil! — pensou Oliver.
Ele se moveu pelos arbustos e lançou uma poção de paralisia. A aranha parou de se mover, imobilizada.
— Não se esqueça do seu verdadeiro adversário! — gritou Arkhena, agarrando o corpo do monstro e arremessando-o com força contra as árvores.
— Droga, esse bicho é mais resistente do que parece — murmurou ela.
Oliver se aproximou:
— Eu tenho um plano.
— Um plano? — Arkhena arqueou as sobrancelhas.
Oliver explicou rapidamente.
— Tem certeza que consegue fazer isso funcionar?
— Pode deixar comigo.
— Então vamos nessa!
Oliver entregou uma poção para Arkhena e se escondeu novamente. A garota avançou, desviando das rajadas de ácido.
— Ok, garoto, agora é sua parte. — pensou ela.
Oliver se aproximava, mas foi notado. Um jato de ácido o atingiu parcialmente, abrindo feridas.
— Merda! O plano vai dar errado! — gritou Arkhena.
— Continua o plano! — gritou Oliver, revelando sua posição.
Correndo em zigue-zague, Oliver avançou até o monstro. Mesmo ferido, conseguiu chegar perto e colocou sua última poção de paralisia no peito.
— Isso vai doer... mas é o único jeito! — murmurou.
A aranha atacou. A lâmina de sua perna quebrou a poção e cortou o peito do garoto. O veneno fez efeito: o monstro parou imóvel.
Arkhena aproveitou a brecha, saltou e atravessou a criatura com um golpe devastador.
Arkhena ganhou 1000 de experiência
Oliver ganhou 500 de experiência
Juan ganhou 500 de experiência
Rina ganhou 500 de experiência
— Ainda bem, conseguimos derrotá-la! — suspirou Juan.
Com o peito sangrando e a poção ainda afetando seu corpo, Oliver cambaleou e caiu. Antes de tocar o chão, foi amparado por Arkhena.
— Ok, garoto... você provou que tem coragem. — ela disse, segurando-o firme. — Você é realmente útil.
Uma semana depois…
— Ai, que dor de cabeça!
— Olha quem finalmente acordou!
— Alice! Como eu vim parar em casa?
— Seus companheiros me contaram que você foi imprudente, mas graças a você, a missão foi concluída.
— Ah, eu acho que fui um pouco mesmo… — fala, tentando não olhar para o rosto de Alice.
— Oliver, deixa eu te perguntar uma coisa…
— Pode perguntar!
— Você tá louco de ficar arriscando sua vida por nada? — diz, extremamente irritada.
— Ah, mas assim a Arkhena venceria o monstro!
— Pelo que o Juan me falou, a missão dela era segurar o monstro, e a própria confirmou que conseguiria.
— Mas eu queria ser útil! Não ficar sendo um peso morto!
— Garoto, eu já te falei que existe outro jeito de ajudar além de fazer a parte principal. Quando roubavam comida, você nunca foi o que roubou, mas no final nós dois comíamos! Você não precisa se arriscar!
— Tá bom…
— Agora vai se arrumar. Seus amigos pediram para eu avisar quando você acordasse, então provavelmente virão aqui hoje!
— Mas eu tô um caco, nem tomei banho!
— Olha a nossa casa! O banho é o menor dos problemas.
— É verdade…
Algum tempo depois…
Oliver corre para abrir a porta. Quando abre, dá de cara com Rina, Juan e Arkhena.
— Pessoal! Vocês realmente vieram!
— Claro que iríamos ver nosso suicida favorito! — diz Juan, com um grande sorriso.
— Oliver, se você ficar se arriscando assim eu vou ter que te bater! — diz Rina, nervosa por não ter conseguido proteger o amigo.
— Como você é ousado, garoto!
— Ainda bem que vieram!
Alice, que estava cozinhando, aparece na porta. Ao vê-la de avental, o grupo fica em choque.
— Por que todos estão me encarando?
— É estranho ver a grande ladra Alice de avental — diz Juan, tentando disfarçar o olhar.
— Eu achei que ficou muito fofinha!
— Parem de me encarar, nojentos!
Arkhena, que não conhecia Alice, estranha a situação e pergunta sem pudor:
— Ok, mas quem é você? Alguma espécie de babá do Oliver?
— O que eu sou? Boa pergunta. Oliver, o que você me considera?
— Ah… pra mim você é uma irmã.
— Irmã? Interessante… então é assim que você me vê, maninho!
— Passamos tanto tempo juntos que você é como se fosse da minha família.
— Obrigada. É raro eu escutar isso… — diz ela, um pouco envergonhada. — Mas, diz aí, sou a irmã mais velha, né?
— Acho que não… acho que somos tipo irmãos gêmeos.
— Gêmeos? Tá bom, aceitável.
— Então você é a irmãzinha do garoto ousado! Você seria a ousada?
— Não. Pode me chamar de Alice mesmo — diz, com expressão fria, mostrando que não gostou da piada.
— Ah… tá bom.
— Mas entrem, pessoal. Não reparem a bagunça, somos meio pobres!
O grupo se reúne. Alice serve uma refeição rápida. Depois de comer, o assunto sério começa.
— Oliver, além de ver como você está, viemos por outro motivo.
— Pela sua cara é algo sério, Juan?
— Mais ou menos, mas não é nada ruim!
— Ufa, pensei que iam me expulsar do grupo — diz Oliver, aliviado.
— Na verdade, é o contrário. A Arkhena decidiu se tornar um membro efetivo do nosso grupo!
Oliver olha para Arkhena, os olhos brilhando. Ela fica levemente envergonhada, mas afirma:
— Vocês são até que divertidos. Vou dar a honra de se tornarem membros do meu grupo!
— Obrigado, senhora Arkhena! — diz Oliver, ajoelhando aos pés dela.
— É isso mesmo, demonstre gratidão! — ela ri, orgulhosa.
Juan continua:
— Queremos tornar o grupo oficial.
— Um grupo oficial? Éramos um grupo falso?
— Não exatamente. Existem grupos oficiais e grupos não oficiais. A principal diferença é nas missões que podem pegar. Grupos oficiais, licenciados pela guilda, podem pegar missões de maior dificuldade e têm prioridade na escolha.
— Certo, acho que entendi. Como nos tornamos oficiais?
— Para isso precisamos passar por um teste prático fornecido pela guilda.
— Que seria?
— Uma batalha simulada com um aventureiro de ranking C.
— Todos nós?
— Não, apenas dois.
— Mas normalmente todos do grupo lutam para vencer um ranking B.
— Mas só você e a Arkhena são lutadores. Eu e a Rina somos suporte.
— Sabemos disso. Eu pensei em uma estratégia.
— Espadachim, disso você não tinha me falado! — diz Arkhena, animada.
— Mas para isso, Rina, Arkhena e Oliver, vamos precisar treinar.
Na guilda de aventureiros…
— Narah!
— Oliver! É tão bom te ver! Juan, Rina e Arkhena…
— Ah, a garotinha que se recusa a me dar missões rank S.
— Por favor, não cause outro alvoroço como da última vez!
— Como assim “da última vez”? — pergunta Oliver, confuso.
— Quando estávamos procurando um novo membro para o grupo, encontramos a Arkhena brigando com a recepcionista porque queria uma missão rank S.
— Sinceramente, eu não acho que estava errada!
— Pois estava. Por favor, não cause mais tumulto — diz Narah, com um olhar frio.
— Vamos esquecer o passado! Narah, tem uma missão boa para o meu grupo? — Juan sorri, apoiando-se no balcão, usando o charme.
— Ah… acho que tenho uma de extermínio de goblins e outra de coletar pernas de louva-a-deus lutador — diz Narah, envergonhada.
— Ok, vamos querer as duas!
— As duas? Como vocês vão fazer duas missões ao mesmo tempo?
— Simples: vamos nos dividir!
Capítulo 14: A determinação de Arkhena
Após aceitarem a missão, o grupo havia se dividido para se preparar da melhor forma possível para aquela aventura. O primeiro passo de Oliver foi reabastecer seu estoque de poções, que ele havia gasto na última missão. Graças ao dinheiro que tinha ganhado como recompensa, o rapaz rapidamente comprou as poções. O segundo passo foi decidir pesquisar o monstro que enfrentaria; o melhor lugar para isso era a biblioteca interna dentro da guilda. Oliver volta até lá e dá de cara com Narah.
— Oliver, voltou aqui. Precisa de alguma coisa?
— Preciso sim! Aqui tem uma espécie de biblioteca, né?
— Sim, fica nos fundos. Por que deseja ir pesquisar algo?
— Sim, quero pesquisar mais sobre o monstro que iremos enfrentar.
— Ah, pesquisando o inimigo! Certo, pode ir lá. Tem só uma menina lá, mas acho que tem espaço para os dois!
— Obrigado!
Oliver vai até a biblioteca. Chegando lá, não havia muitos livros, mas, como Narah havia dito, havia uma garota com uma grande capa; o rapaz imaginou que seria uma maga. Rapidamente ela percebe a presença dele, olha para o garoto, mas disfarça. O garoto começa a procurar o bestiário, retirando diversos livros do lugar e fazendo barulho. A maga, incomodada, diz:
— Precisa de alguma ajuda? — diz, extremamente incomodada.
— Ah, eu tô procurando o bestiário!
— Ok! Telecinese!
Magicamente um livro sai da prateleira, levitando até a mão da maga. Rapidamente ela entrega o livro para o garoto.
— Isso foi magia?! — diz, extremamente animado.
— Sim? — questiona, surpresa pela reação do rapaz.
— Que legal! Com magias você pode fazer várias coisas, né? Eu só tinha ouvido falar, mas nunca tinha visto!
— A magia não é nada além de uma arma de destruição!
— Sério? Eu acho magia bem legal, mas se você diz isso, vou tomar cuidado.
A maga apenas fica em silêncio, como se não quisesse mais conversar. Oliver se senta e começa a pesquisar. Depois de alguns minutos, ele finalmente acha o monstro que iria enfrentar. Ele lê diversas vezes até decorar. Ao terminar, coloca o livro no lugar, agradece à maga e vai embora.
Algum tempo depois…
Oliver e seu grupo voltam a se reunir, dessa vez prontos para partir. Agindo como líder do grupo, Juan diz:
— Ok, vamos começar nosso plano! Arkhena, por favor, cuide do Oliver!
— Ei, você sabe que eu sei me virar! — diz, irritado.
— Pode deixar comigo, Juan! O tampinha é fraco, mas sei que ele vai dar o jeito dele de me ajudar! — exclama, enquanto dá um cascudo no rapaz.
— Ei, para com isso! — diz, tentando tirar a mão de Arkhena de sua cabeça.
— Vejo que viraram bons amigos!
— Vamos logo com essa missão! — diz Arkhena, animada.
— Então vamos!
— Boa sorte, Oliver! — diz Rina, meio nervosa por deixar seu amigo ir em uma missão sem ela.
— Obrigado, Rina. Boa sorte!
— Vem, tampinha, vamos nessa.
Arkhena começa a andar. Rapidamente Will começa a segui-la. Rina e Juan também começam a andar, mas na direção oposta, e o rapaz percebe que sua companheira estava apreensiva. Ele pergunta:
— Está nervosa, Rina?
— Sim… não gosto de deixar o Oliver sozinho!
— Calma, a Arkhena está com ele. Se algo perigoso acontecer, ela vai conseguir lidar!
— Bom… vou torcer para que não aconteça nada.
Juan percebe que precisava dar um jeito de mudar o clima daquela conversa, então diz:
— Você realmente gosta muito dele, hein, Rina?
— Gosto… ah, espera! Não como se gostasse dele de forma romântica ou algo assim! Ele é um companheiro importante, que me ajudou em um momento difícil! — diz, extremamente constrangida.
— Sei!
Oliver e Arkhena andam por horas até finalmente chegarem ao local da missão: a Floresta da Perdição. Uma vasta floresta, lar de várias espécies de monstros.
— Acho melhor acampamos!
— Ok. Eu não sou boa em trabalhos assim, então vou caçar alguma coisa para comer!
— Combinado!
Arkhena entra na floresta em busca de algum monstro comestível. Oliver, com muita agilidade, acende uma fogueira e faz camas com folhas das gigantescas árvores do local. Depois de um tempo, a garota volta com um monstro que parecia um javali.
— Vamos comer? — diz, segurando o javali como se fosse um grande prêmio.
— Vamos!
Os dois rapidamente assam a carne de javali e têm um jantar farto. Com a barriga cheia, eles se deitam. Antes de dormir, Oliver olha para Arkhena; a garota percebe e diz:
— O que foi?
— Ah, eu meio que fiquei em dúvida… você é metade humano e metade animal, não é?
— Sim. Minha parte faz parte dos grandes ursos-pardos!
— Urso? Por isso você é tão forte! Por mais que eu nunca tenha visto um, já li que eles são bem fortes!
— Pois o seu informante está certo! Éramos um dos clãs mais fortes da minha terra!
— Éramos?
— Sim… infelizmente acho que não existe mais nenhum representante da minha espécie. Não sei se sabe, mas, há alguns anos, existia um grande reino que era governado por Homens-Bestas. Mas esse reino fazia fronteira com o reino dos demônios… — diz, com tristeza na voz.
— Quando os demônios começaram a se movimentar, o reino foi o primeiro a ser atacado…
— Sim. Foi uma guerra terrível, mas nós, meio-bestas, conseguimos contê-los por um bom tempo. Mas falhamos. Na época eu tinha mais ou menos sua idade, e eu não consegui ajudar. Meus irmãos me deram o tempo que eu precisava para fugir. Por eu ser fêmea, eu era a única que poderia reconstruir o grande clã dos ursos-pardos!
— Então ainda devem existir Homens-Bestas, mas de outras espécies?
— Com toda certeza! Principalmente os Homens-Bestas de animais herbívoros. Eles são territorialistas igual nós, os carnívoros, mas mesmo eles devem ter feito o mesmo que o meu clã fez.
— Entendi, obrigado por me contar, Arkhena.
— Não precisa agradecer, tampinha! Agora vai dormir!
— Tá bom… boa noite!
Depois de uma boa noite de sono, os dois acordam e vão direto para a floresta. Andando cuidadosamente, eles logo conseguem encontrar a área dos insetos. Mariposas, baratas e vários outros insetos de tamanho surreal. Andando escondidos, logo acham um louva-deus que tinha cerca de dois metros.
— Esse é o inseto que temos que derrotar?
— Sim, é ele!
— Então vou nessa. Fique atrás!
— Calma, tome essa poção antes! — diz, entregando uma poção de fortalecimento.
— Bem lembrado! Obrigado, tampinha.
Arkhena toma a poção e sai do esconderijo, andando até o inseto, que rapidamente percebe sua presença.
— Não sei como um mero inseto pode ser um bom treinamento, mas vamos nessa!
Transformando suas mãos em patas de urso, ela avança contra o inseto, que consegue desviar do golpe e, com um contra-ataque, acerta a costela da garota. Entretanto, ela continua em pé, tentando acertar golpes no louva-deus, que, com grande agilidade, desvia e contra-ataca. Oliver, observando, lembra do que tinha lido no bestiário. Então ele sai do esconderijo e diz:
— Arkhena, esse monstro é especializado em contra-ataques! Tenta focar os golpes na direção para a qual ele vai desviar!
Ao ver o garoto, o louva-deus percebe que ele seria um alvo mais fraco. Por instinto, abandona a luta contra a garota e tenta ir até o rapaz, mas é impedido: pela primeira vez, Arkhena tinha conseguido surpreendê-lo. Agarrando uma das patas dianteiras do inseto, ela diz:
— Eu sou sua adversária, seu inseto nojento!
Usando sua força, ela consegue dar uma espécie de Irish Whip, arremessando o inseto ao chão.
— Fica escondido, tampinha!
— Tá bom! — fala, voltando para seu esconderijo.
O inseto, que tinha sido arremessado para frente da garota, volta a se levantar, mas uma das suas patas estava claramente ferida. Arkhena começa a atacar. O louva-deus ainda tinha sua velocidade, então conseguia desviar da maioria dos golpes, mas já não conseguia contra-atacar. Oliver, observando de longe, começa a pensar:
— O louva-deus é rápido… a Arkhena vai ter que acertar um golpe poderoso para derrotar ele de uma vez. Espera… agora que lembrei, deixa eu usar o Olho Que Tudo Vê!
Nome: Arkhena Big Beer
Idade: 20
Classe: Artista Marcial
Nível: 23
Habilidades: Transformação da Natureza (consegue transformar parte do seu corpo ou ele inteiro em urso)
— Ela consegue se transformar inteira?
Arkhena, já cansada daquela luta, grita:
— Já cansei dessa luta com você, inseto de merda! Vou com tudo!
Aumentando as partes transformadas em urso, a altura da garota dobra, chegando a dois metros e meio. Ao ver isso, o louva-deus se intimida e tenta fugir.
— Não, não! Você vai entender a diferença de um carnívoro para um inseto! Conheça o Abraço de Urso!
Projetando seu corpo ao máximo, com seus grandes braços estendidos, ela agarra o inseto. Usando toda sua força, a garota começa a esmagar o louva-deus. O monstro tenta se defender, mordendo a garota, mas falha miseravelmente, sendo esmagado por completo. Arkhena solta o inseto e, com um sorriso no rosto, diz:
Arkhena ganhou 1000 de experiência.
Oliver ganhou 1000 de experiência.
— Missão concluída!
Dois dias depois, na guilda de aventureiros, o grupo voltava a se encontrar.
— Vocês já retornaram! — diz Narah.
— Sim, e voltamos com as duas missões concluídas!
— Certo, por favor, mostrem os itens de conclusão!
Juan mostra o bico da ave. Narah confere rapidamente e diz:
— Perfeito! Essa missão foi concluída com sucesso!
— Agora é nossa vez, Oliver!
Oliver coloca as patas do louva-a-deus sobre a mesa. Narah repete o processo e, após conferir, afirma:
— Ok, essa missão também foi concluída com sucesso. Por favor, aguardem que irei registrar e trazer as recompensas.
Narah pega os itens e se retira. O grupo se senta em uma mesa próxima, e Juan logo começa a conversar.
— Tudo bem com a missão de vocês? Tiveram alguma dificuldade?
— Mas é claro! Esse rapaz é um ótimo suporte!
— Fico feliz que esteja bem, Oliver — diz Rina com alívio na voz.
— Sim, eu e a Arkhena somos uma boa dupla. Mas e vocês, como foi a missão?
— No começo foi complicado, mas logo nos acostumamos.
— Sim, o senhor Juan é bem forte. Quase não precisei fazer nada.
— Para de ser modesta, Rina! Você evitou uns golpes que seriam bem complicados!
— Eu nem fiz tanto assim! — exclama, envergonhada.
No meio da conversa, Narah retorna. Ela procura o grupo e chama por eles.
— Pessoal, por favor, venham até aqui!
— Estamos indo! — responde o grupo ao mesmo tempo.
Os quatro se aproximam. Narah coloca um saco de moedas no balcão e diz:
— Aqui está a recompensa de vocês. Obrigada pelo serviço e, por favor, descansem antes de pegar a próxima missão!
— Obrigado, mas desta vez não podemos descansar! Queremos fazer o teste para nos tornarmos um grupo oficial da guilda!
Narah suspira.
— Olha… como atendente eu sou obrigada a aceitar o pedido, mas como alguém que gosta de vocês, preciso perguntar: têm certeza?
— Pode ficar tranquila, nós temos um plano!
— Eles têm a mim, a mais forte lutadora! Pode deixar que eu resolvo!
— Rina, Oliver… vocês concordam com isso?
— Eu confio neles.
— Eu… acho que temos uma chance.
— Então até vocês acreditam que podem vencer? Então não posso fazer muita coisa. Vou marcar o teste…
Narah se retira até a sala do chefe da guilda. Alguns minutos depois, o grupo ouve uma gargalhada alta — claramente o chefe também não acreditava neles. Mas eles tinham um plano e iriam apostar tudo nele. Depois de um tempo, Narah retorna.
— Vou repetir as palavras exatas do chefe: ele normalmente não aceitaria porque, em tese, nem a Rina nem o Oliver são aventureiros oficiais. Mas como ele gostou da ousadia de vocês, vai abrir uma exceção.
— Beleza! Vamos mostrar do que somos capazes!
— Certo… há uma taxa, mas acho que dinheiro não é problema pra vocês, né?
— Na verdade, acho que é… não sei se posso contribuir muito… — diz Arkhena, pegando o saquinho de moedas.
— Não se preocupe com dinheiro, Arkhena! Deixa com a gente! — diz Juan, sorrindo de forma convencida.
Juan coloca um grande saco de moedas na mesa. Arkhena, surpresa e desconfiada, pergunta:
— Vocês são algum tipo de gangue de criminosos?
— Bem, é uma longa história… mas digamos que antes de você entrar no grupo fizemos uma missão que rendeu muito.
— É verdade — confirma Rina. — Eles são meio loucos, mas realmente ganharam isso honestamente.
— Tá bom, né…
— Bom, a média de tempo para organizar o teste é de duas semanas. Então aguardem até lá!
— Ok, temos duas semanas para nos preparar!
Duas semanas depois…
Com antecedência, Narah avisou que o teste seria em um campo de batalha perto da guilda, contra membros da Black Dragon — a guilda mais forte da cidade. No dia marcado, o grupo chega ao local e encontra um espadachim e uma arqueira. O espadachim diz:
— Vocês são o grupo que vai fazer o teste para se tornar afiliado?
— Sim! — responde o grupo.
— Somos seus adversários!
— Você é Sir Kael Durnhart? — pergunta Juan, surpreso.
— Vejo que me conhece! Sim, sou eu. E esta aqui é Lyanna Ferrowind.
— Droga… logo eles…
— Juan, você parece conhecê-los. Quem são? — pergunta Oliver, confuso.
— Sério que você não conhece? Eles fazem parte do Grupo 1 da Black Dragon. O Kael provavelmente é o segundo melhor espadachim do reino, e a Lyanna é a melhor arqueira.
— Ei, segundo? Às vezes ganho da Cassandra!
— A cada cem combates você ganha um — provoca Lyanna.
— Ainda assim ganho às vezes!
Narah chega ofegante, encerrando a conversa.
— Desculpa o atraso! As coisas estão agitadas na guilda. Vou explicar as regras: teremos dois combates. A Black Dragon enviará apenas um membro por luta, enquanto o time de vocês… qual é o nome do grupo?
— Acho que não pensamos nisso… alguma sugestão?
— Os Grandes Ursos? — diz Rina.
— Os Aventureiros? — diz Arkhena.
— Boas sugestões, mas acho que não… Oliver?
— Não tenho nenhuma agora…
— Certo, vou deixar você responsável por isso!
— Por quê eu?
— Acho você o mais criativo!
— Eu concordo — diz Rina.
— É isso aí, tampinha! Essa missão fica com você!
— Tá bom… fazer o quê.
— Chamarei vocês de Grupo Desafiante. Para passarem no teste, devem vencer as duas lutas. O combate acaba se alguém chegar a estado crítico.
— Ok!
— Black Dragon, quem vai primeiro?
— Quer ir primeiro, Lyanna?
— Vou sim.
— E vocês, Desafiantes?
— Tudo conforme o plano. Vamos, Rina?
— Vamos!
Capítulo 16: O Grande Urso pardo e a Princesa
Oliver e Arkhena rapidamente tiram seus companheiros da arena e, usando poções de cura, tratam seus ferimentos. Rina, ainda consciente, diz:
— Agora é com vocês!
— Vamos com tudo, Arkhena!
— Vamos, tampinha!
Do outro lado da arena, Lyanna conversava com Kael antes do combate.
— Perdeu a aposta, hein, Lyanna!
— Eles foram mais fortes do que eu esperava.
Narah, sem entender a desistência, vai até Kael e Lyanna e pergunta:
— Até agora não entendi… por que você se rendeu?
— Eu e o Kael fizemos uma aposta. Se um de nós sofresse um ferimento, teria que desistir e pagar um almoço para o outro.
— Mas isso não é certo! Eles têm que ser testados!
— Olha, Narah… se eles conseguiram encostar em aventureiros Rank S, pode ter certeza de que têm potencial.
— Tá bom, se vocês dizem… — suspira. — Time desafiante, prontos para o segundo combate?
— Sim! — respondem os dois ao mesmo tempo.
— Black Dragons?
— Claro! Ver a Lyanna lutar me deixou animado!
— Vai devagar, seu viciado em combate!
— Pode deixar!
Arkhena e Oliver entram na arena, seguidos por Kael. Antes do combate começar, Kael decide conversar:
— Qual é a estratégia de vocês? A do espadachim e da escudeira era interessante, mas nenhum de vocês carrega armas!
— Não precisamos de arma, porque vamos te quebrar na porrada! — diz Arkhena, preparando-se.
— Se você diz… vamos ver do que são capazes.
— Acho que os dois times estão prontos. Que o segundo combate tenha início!
Oliver inicia o combate entregando duas poções para Arkhena. Ela rapidamente bebe uma delas. Kael percebe que provavelmente eram poções de fortalecimento e ataca para impedir. Com um golpe rápido, tenta derrubá-la, mas algo o impede. Ao olhar para baixo, vê Oliver segurando sua perna.
— Sério? Sua função era só entregar a poção. Você é bem inútil, não é?
Oliver tenta ignorar, mas Kael usa a perna livre e o chuta, derrubando-o. Ao olhar para Arkhena, vê que ela já terminou a primeira poção e vai começar a segunda. Ele tenta atacar de novo, mas é impedido outra vez.
— Ainda não fui completamente derrotado!
— Você realmente é fraco, garoto.
Kael acerta Oliver com o cabo da espada, derrotando-o. Ao olhar para frente, sente algo atingir seu rosto. Ele percebe que está molhado.
— Não chame meu tampinha de inútil!
— O que você jogou em mim?
— Logo você vai descobrir.
Arkhena avança com uma série de golpes. Kael desvia e a atinge na barriga com o cabo da espada, fazendo-a recuar sem ar.
— Você não é fraca, mas seus golpes são estranhos. Já fez alguma arte marcial?
— Arte marcial? Não sei o que é isso. Só sei que vou acabar com você!
Arkhena tenta avançar novamente, mas Kael desvia com facilidade enquanto fala:
— Sendo sincero, todos os aventureiros deveriam aprender artes marciais. Às vezes só podemos contar com os punhos. Às vezes a arma quebra no combate, como aconteceu com sua amiga.
— Cala a boca! — grita Arkhena, furiosa.
— Que chatice. Pensei que fosse do tipo que conversa durante uma luta.
— Já mandei você calar a boca!
— Estou te dando uma dica valiosa. Se palavras não funcionam, talvez ações funcionem.
Kael recua e arremessa sua espada para cima. Corre em direção a Arkhena. Ela tenta contra-atacar, mas ele desvia com um balanço de corpo e acerta um soco nela. O impacto a deixa tonta.
— Viu? Artes marciais.
— Merda, ele é espadachim… como é tão forte?
— Recuperada? Vamos para mais uma troca!
Kael avança; Arkhena tenta se defender. Ele a engana com o movimento do corpo e acerta mais um golpe no estômago. Ela quase cai, mas seu instinto de predadora desperta. Usando a perna, defende o golpe.
— Conseguiu se defender… impressionante! Mas ainda não é o bastante!
Kael tenta socá-la no rosto — mas seu corpo para no meio do golpe.
— O quê? O que aconteceu?
— Você está paralisado, senhor convencido!
— Espere… aquilo que você jogou em mim… era uma poção de paralisia?
— Sim! E só deu certo porque o tampinha chamou sua atenção. Nosso plano deu certo, Oliver!
Arkhena reúne toda sua força e acerta um soco no rosto dele… mas algo está errado. O rosto de Kael não se move.
— Ra! Pelo jeito você é mais fraca do que imaginei.
A paralisia cessa. Arkhena, perplexa, é chutada e arremessada ao chão.
— Como assim?! Eu acertei ele com tudo! Ele nem mexeu… que droga foi isso?!
— Deve estar pensando “por que ele não caiu?” “Eu dei meu máximo”... Simples: eu sou forte e você é fraca — diz Kael, aproximando-se.
— Fraca… eu? Nem com minha força total… eu não era a herdeira do Urso…
— Cala a boca.
— Ah, essa voz… garotinho, ainda está acordado?
— Você pode ser o segundo maior espadachim ou o que for. Mas não ouse falar da Arkhena! Ela é a mulher mais forte que eu conheço!
— Olha só. Acho que você não sabe o que é ser forte, garoto.
— Sei, sim. Pessoas fortes nunca desistem, nunca fogem e arriscam a vida pelos companheiros!
— Acha que seu discurso vai me fazer desistir? Inimigos não viram amiguinhos com palavrinha bonita.
— Quem disse que eu estava falando com você?
— Como assim?
Kael sente algo estranho atrás dele. Medo.
Quando se vira, recebe um soco no rosto que o joga longe. Ele se levanta e vê Arkhena — mas diferente. Pelos pelo corpo, presas e garras maiores.
— Vejo que tinha uma carta na manga — diz, cuspindo sangue.
Oliver usa sua habilidade:
— Olho que Tudo Vê!
Nome: Arkhena Big Beer
Idade: 20
Classe: Artista Marcial
Nível: 23
Habilidades:
• Transformação da Natureza — transforma parte ou todo o corpo em urso.
• Fúria Bestial — por 1 minuto, combina todo o potencial físico humano e bestial.
— Então é realmente uma nova habilidade!
— Agora sim ficou interessante!
Kael pega sua espada, animado. Arkhena avança de forma selvagem.
— Era isso que eu queria! Martelo Esmagador!
Os dois colidem — ou colidiriam. Mas alguém surge entre eles.
— O que aconteceu? — pergunta Narah.
Oliver, caído, observa: uma mulher de cabelos prateados para ambos com as mãos nuas.
— Quem é você?
— Cassandra! Por que você atrapalhou? Agora que estava ficando legal! — reclama Kael.
— Você nunca mede suas ações. Esse golpe teria matado ela.
Arkhena desmaia ao voltar ao normal. Kael suspira:
— Acho que me empolguei demais.
— Você sempre faz isso. E, respondendo sua pergunta: sou Cassandra Drakeheart.
— Eu lembro da sua voz… você estava na loja.
— Exatamente. Fico feliz que lembre. Agora vamos. Temos assuntos a resolver.
— Sim, chefe! — respondem Kael e Lyanna.
Narah retoma:
— Como Arkhena seria derrotada, eu declaro—
— Narah, sei que ela seria derrotada, mas o incompetente do seu companheiro ia matá-la, e isso é contra as regras. Não pode aprová-los… mas deixe como reserva.
— Certo. O melhor que posso fazer é: essa luta termina em empate.
— Vocês agora são grupo reserva certificado pela guilda.
— Não era o que queríamos, mas serve.
— Black Dragons são fortes… mas logo alcançaremos! — diz Arkhena, confiante.
— Quando vocês dois ficaram tão próximos? — pergunta Narah, vendo Arkhena colada em Oliver.
— Também queria saber isso… — comenta Juan.
— Eu reconheci oficialmente o Oliver como membro espiritual do clã dos Ursos Pardos!
— Membro espiritual? Não como namorado? — pergunta Rina, incomodada.
— Claro que não! Ele é muito novo pra ser chefe do clã! É como… um afiliado.
— Mas por quê agora?
— Eu tenho vergonha de falar… mas ele foi a primeira pessoa que acreditou em mim de verdade. Ele conquistou meu respeito.
De repente, eles escutam movimento lá fora — passos e cavalos.
— O que está acontecendo? Algum evento? — pergunta Oliver.
— Você não soube?
— Então está acontecendo algo?
— Sim. A princesa do reino veio visitar a cidade.
— Sério?! Vamos ver!
— Ainda precisam preencher documentos! — reclama Narah.
— Ah, que chato…
— Também queria ver a princesa… — murmura Rina.
— Podem ir. Eu e Arkhena ficamos aqui. — diz Juan.
— Eu? Por quê eu?
— Deixa as crianças serem crianças.
— Tá bom…
— Obrigado, Juan! Vamos, Rina! — diz Oliver, puxando a garota.
— V-vamos! — responde ela, vermelha.
Quando Oliver está saindo, Juan pergunta:
— Já pensou em um bom nome?
— Claro!
— Qual?
— Dragon Killers!
— Dragon Killers… gostei.
Lá fora, várias pessoas observam a princesa em sua carruagem, acenando.
— Tem muita gente! Não vamos conseguir ver!
— Vamos pelo meio!
Por serem baixos, eles se esgueiram, mas se perdem.
— Rina? Onde você está?
Oliver tenta encontrá-la, mas acaba reparando na princesa. Cabelos vermelhos, olhos azuis como diamantes, quase da idade dele.
— Nossa… ela é bonita.
De repente, algo estranho acontece. Uma bola de fogo surge no céu, vindo em direção à carruagem. Muitos acham que é um show… até que explode.
— Defendam a princesa! Estamos sob ataque!
Oliver se vê caído no chão. O impacto da explosão fez com que muitos moradores fossem atingidos, mas ele estava bem, recobrando lentamente a consciência.
— O que aconteceu?
— D-d-demônios! Estamos sendo atacados por demônios, corram!
— Demônios… — diz, levantando-se. — Eu preciso correr o mais longe possível!
Assustado, a primeira coisa que o garoto faz é procurar um lugar para se esconder. Uma grande cortina de fumaça o impedia de enxergar, e, somado ao zumbido da explosão, seus sentidos estavam completamente bagunçados. Hiperventilando, ele tenta se acalmar.
— Se acalma, Oliver… tenho que procurar a Rina!
Próximo de onde estava, um grito pôde ser ouvido. Instintivamente, ele avança pela cortina de fumaça até encontrar a origem do som. Uma garota estava sendo atacada por algo que parecia um esqueleto.
— Não tenho nenhuma arma, mas preciso ajudar!
A garota se arrastava pelo chão enquanto desviava dos golpes do esqueleto. Chorando, ela gritava:
— Alguém me ajude!
No instante em que ela seria atingida, Oliver surge e se joga contra o esqueleto com o próprio corpo. A criatura desaba no chão. O garoto se aproxima da jovem e diz:
— Eu posso te ajudar, sou um aventureiro! — fala, estendendo a mão.
— Ah, obrigada! — responde ela, aceitando a ajuda do rapaz.
Oliver a ajuda a se levantar, mas, ao tentar apoiar o pé no chão, ela grita:
— Meu pé! — geme, sentindo dor.
Rapidamente, Oliver tira uma poção de fortalecimento de sua bolsa e a bebe. Em seguida, agacha-se e diz:
— Suba, eu vou te carregar!
— Tá bom… obrigada!
A garota sobe em suas costas. Fortalecido pela poção, carregar alguém parecia a coisa mais fácil do mundo. Oliver sai em disparada.
Correndo pela cortina de fumaça, ele encontra vários esqueletos, mas, com sua força física aumentada, consegue desviar de todos. Finalmente, a saída da fumaça se torna visível. Ao atravessá-la, ele vê a cidade completamente destruída e infestada de monstros. Moradores corriam desesperados enquanto aventureiros lutavam por todos os lados. Ao olhar para a lateral, percebe um orc se aproximando.
— Tem muitos monstros aqui, mas fica tranquila, eu vou dar um jeito!
— Tá bom!
O orc se aproxima rapidamente. Oliver tenta correr, mas a criatura ergue seu enorme porrete. Desviar seria difícil. No instante em que o golpe desceria, uma figura surge à frente dele.
— Muralha de Ferro!
Usando seu escudo, a guerreira consegue bloquear o ataque do orc. Ao reconhecer Oliver, ela diz:
— Oliver! Ainda bem que está bem! Eu estava te procurando. — Ao notar a garota em suas costas, pergunta: — Quem é essa?
A garota, ao perceber quem era a companheira de Oliver, fica envergonhada.
— Ah… desculpe minha ousadia, não havia percebido que era a senhorita. Oliver, corra o mais longe que conseguir, eu darei cobertura!
— Ok!
— Atrair!
Quase todos os monstros da área passam a focar nela. Oliver volta a correr o mais rápido possível. A cidade possuía duas entradas: a principal, por onde ele havia entrado, e outra que ligava a cidades vizinhas e ao reino. Ele segue em direção à segunda, mas, a cada passo, ainda encontra monstros.
— Droga… isso não se compara nem de longe ao ataque à minha vila…
Após avançar um pouco mais, ele vê um orc sendo derrotado.
Arkhena ganhou 1000 de experiência.
Oliver já sabia: Arkhena estava por perto. Ele se aproxima e a encontra derrotando alguns goblins. Ao vê-lo, ela corre em sua direção.
— Oliver! — preocupada, ela o examina. — Ainda bem que você está bem! Eu e o Juan estamos procurando você e a Rina.
— De alguma forma saí ileso. Encontrei a Rina há algum tempo, ela está bem!
— Ainda bem… — suspira aliviada. — Quem é essa garota nas suas costas?
— Não sei. Encontrei ela perto do local do ataque. Estou tentando tirá-la da cidade.
— Ajudando os mais fracos, como um grande urso-pardo… estou orgulhosa de você! Mas agora vá. O Juan levou a Narah para fora da cidade e provavelmente você vai encontrá-los no caminho.
— E você?
— Vou atrás da Rina! Eu sei que ela consegue se defender, mas desta vez não vou deixar nenhum dos meus para trás.
— Tá bom. Eu já bebi uma poção, mas ainda tenho outra.
— Pode beber sem medo! Eu consigo me virar!
— Tem certeza, Arkhena? Acho melhor você usar.
— Você correu a cidade inteira com uma garota nas costas. Com toda certeza, precisa mais do que eu.
— Mas…
— Nada de “mas”. Como membro do clã dos Ursos Pardos, seu dever é salvar essa garota. Então, como matriarca, eu ordeno: beba a poção e saia da cidade!
— Ok! Nos encontramos no portão de saída!
— Combinado!
Oliver bebe a última poção de fortalecimento e volta a correr. Após algum tempo, percebe que a quantidade de monstros diminuiu, embora ainda fosse possível encontrar alguns orcs e goblins. Um deles o percebe e ataca com seu enorme porrete — um golpe que poderia ser fatal.
— Dessa vez ninguém vai me ajudar… mas fugir não vai ser difícil!
Com todos os atributos físicos aprimorados, desviar se torna simples. Ele passa por baixo das pernas do orc, confundindo a criatura e deixando-a para trás.
— Ei, garota, você está bem?
— Garota? Ah… estou sim.
— Estamos quase chegando!
— Obrigada!
Depois de correr cerca de dois quilômetros, Oliver avista alguns cavaleiros enfrentando um ogro com dificuldade. De repente, um espadachim surge nas costas da criatura e, com um único golpe, a derrota.
Juan ganhou 1000 de experiência.
— Juan! Finalmente te achei!
Oliver corre gritando em direção ao companheiro, que logo o reconhece.
— Oliver! Oliver!
Os guardas próximos questionam:
— Esse é um dos companheiros que você estava procurando?
— Sim! Mas… ele tem uma garota nas costas?
— Tem sim… — diz o guarda, tentando enxergar melhor. — Aquela garota é a…
— Juan! Juan! — Oliver gritava, correndo em sua direção.
De repente, a expressão de todos muda de alívio para desespero. Sem entender, Oliver reduz a velocidade.
— Oliver! Corre! Vem logo! — grita Juan, desesperado.
— Mas por quê…?
Subitamente, Oliver perde as forças. Ao olhar para as pernas, vê que ambas estavam gravemente feridas. Sem conseguir se sustentar, ele cai no chão. Em um ato instintivo, gira o corpo e protege a garota para que ela não se machuque.
Então, ao erguer o olhar, vê atrás deles uma criatura de cerca de um metro e oitenta: pele azul, asas semelhantes às de um morcego e chifres como os de um bode.
— Um demônio! Corram! Protejam a princesa!
Capítulo 18: A escuridão demoníaca!
Caído no chão, Oliver segurava a princesa em seus braços. Enquanto observava o demônio, o garoto pensava:
— Isso é um demônio? Eu nem vi de onde veio o ataque…
— Corte Rápido!
Juan, com toda a velocidade que tinha, avançou contra a criatura. O demônio, sem sequer esboçar reação, murmurou:
— Fagulha Negra.
Uma rajada de energia demoníaca avançou contra o espadachim. Juan tentou cortar o golpe com sua habilidade, mas lhe faltava força. O ataque o lançou violentamente contra o chão.
— Juan!
Rapidamente os guardas chegaram e retiraram a princesa, mas o demônio percebeu a intenção deles com um simples olhar.
— Esferas Negras.
Várias esferas de energia demoníaca foram disparadas. Os guardas foram atingidos e mortos instantaneamente.
— Com isso, poderei ir embora.
Ele criou uma última esfera e a lançou contra a princesa. O golpe seria fatal — mas Oliver não permitiria. Mesmo com as pernas feridas, reuniu suas últimas forças, se levantou e se jogou na frente dela, usando o próprio corpo como escudo. A esfera atingiu seu braço.
— Por que você está fazendo isso?! — gritou a garota. — Ele está claramente atrás de mim!
— Desculpa… meus pais nunca aceitariam que eu deixasse alguém indefeso para trás.
Mesmo sendo uma princesa, ela jamais esperava que um aventureiro desconhecido arriscasse a própria vida por ela.
— Eu ainda não acabei!
Juan se levantou com dificuldade. Ao sacar a espada, percebeu que a lâmina estava quebrada.
— Não posso perder!
Ele pegou duas espadas caídas dos guardas e avançou novamente.
— Corte Rápido!
— Já não havia falhado antes? — ironizou o demônio. — Fagulha Negra.
Juan desviou no último instante, abrindo uma brecha e atacando com um golpe frontal — mas o demônio segurou a lâmina com a mão e a quebrou como vidro.
— Merda!
— Esfera Negra.
Juan foi atingido em cheio e caiu desacordado.
Oliver respirava com dificuldade quando ouviu a princesa:
— Você é a princesa, não é?
— Sim…
— Então corra o mais longe que conseguir. Eu vou tentar segurar ele.
— Você vai morrer!
— Apenas corra.
A garota obedeceu.
— No três… um, dois, três!
Ela disparou. O demônio ergueu o dedo, reunindo energia.
— Se quiser alcançá-la, vai ter que passar por mim — disse Oliver, se erguendo.
— Ainda consegue ficar de pé? Morra de uma vez. Esfera Negra.
A esfera voou — mas Oliver foi empurrado de repente, e o ataque explodiu no chão, abrindo uma cratera.
— Oliver! Eu já disse para você parar de se machucar em todas as missões!
— Alice…?
— Você acha que eu deixaria meu irmão sozinho?
— Quem disse que ela está sozinha? — ecoou outra voz.
Arkhena e Rina surgiram no campo de batalha.
— Nós não conseguimos enfrentar esse monstro — disse Oliver.
— Então vamos ganhar tempo — respondeu Arkhena.
Enquanto Rina defendia com o escudo, Oliver foi levado para um canto, onde viu duas figuras familiares.
— Diana… Ruby?
— Viemos ajudar — disse Ruby. — Agora fique quieto, vamos te curar.
O demônio perdeu a paciência.
— Morram de uma vez… Black Hole!
Um centro de gravidade se formou, puxando tudo ao redor. Rina foi arrastada, sua armadura começou a se despedaçar enquanto ela gritava de dor.
— Alice, não cheguem perto! — gritou ela.
Arkhena ativou a Fúria Bestial e atacou o demônio, mas seus golpes não causaram dano. Um único ataque do inimigo a lançou contra a parede.
Alice tentou um ataque furtivo — sua lâmina quebrou ao tocar o corpo do monstro.
— Falta força — disse o demônio. — Esferas Negras!
Alice desviou até escorregar em uma cratera e cair, sendo atingida parcialmente e ficando inconsciente.
Oliver, mesmo ferido, se levantou.
— Eles só precisam de tempo… então eu vou completar a missão.
O demônio preparou uma gigantesca Esfera Negra.
— Isso vai destruir tudo… Ruby, Diana, corram!
A magia foi lançada — mas foi cortada ao meio no ar.
Uma figura surgiu à frente deles.
— Vocês cumpriram sua missão. Compraram tempo suficiente.
Diante deles estava Cassandra Drakenhart, a mulher conhecida como a mais forte do continente — líder da guilda Black Dragons.
— Você é? — diz Oliver, quase desmaiando.
— Cassandra Drakenhart. Pode ficar tranquilo, rapaz. Agora eu estou aqui!
O demônio que observa a cena diz:
— Mais um humano? Vocês não param de aparecer!
— Pode ficar tranquilo, eu vou ser a última pessoa que você vai ver!
— Quanta arrogância! Morra de uma vez, Black Hole!
Oliver, ao ver aquela habilidade destruidora novamente, diz:
— Tome cuidado, essa habilidade é poderosa!
— Como eu disse, fique tranquilo, garotinho!
O demônio dispara aquela poderosa esfera de energia negra. Cassandra olha para ele e diz:
— Trovão Furioso!
Em um piscar de olhos, Cassandra some, e a esfera de energia é cortada ao meio. O demônio, perdido, procura a mulher:
— Cadê? Aonde foi parar aquela mulher?!
Rapidamente o demônio para de falar. Sangue começa a sair de onde seria o braço daquele monstro. Ao se virar, ele vê que Cassandra estava atrás dele. Ainda sangrando, ele pega o braço cortado no ar e simplesmente o encaixa no seu corpo. A garota volta ao chão, dizendo:
— Então a cor do seu sangue é roxo!
— Pelo jeito você não é um completo inseto como os outros!
— Não chame aqueles que dão a sua vida para salvar outras pessoas de insetos. Um demônio podre como você não tem esse direito.
— Você é realmente arrogante, criança! Vamos ver se você não é só de falar! Black Hole!
Novamente o demônio começa a juntar uma quantidade absurda de energia em uma esfera. Cassandra, antes de preparar seu golpe, diz:
— Vai usar novamente aquela técnica? Assim você deixa as coisas muito simples!
— Sempre impaciente! — diz o demônio, com um sorriso no rosto.
Do absoluto nada, várias esferas negras surgem. Ainda com o sorriso no rosto, ele dispara. Cassandra puxa sua espada e corre na direção do demônio, desviando de todas com movimentos extremamente perfeitos. Ela se aproximava. O monstro, vendo-a chegar mais perto, começa a disparar cada vez mais. Enquanto desviava, ela preparava seu golpe:
— Trovão Furioso!
Como um trovão, ela corta todas as esferas e com sua espada perfurou o peito do demônio. Mas, para a surpresa da garota, aquele monstro, ao invés de morrer, sorria e dizia:
— Isso ainda não é o bastante para me matar! Black Dragon!
À queima-roupa, o demônio dispara uma rajada explosiva de energia sombria. Sem conseguir reagir, Cassandra é mandada ao chão. Oliver, que observava, diz:
— Um golpe à queima-roupa? Nem ela poderia sobreviver a isso.
O impacto do corpo de Cassandra havia feito uma grande cratera. De lá, uma voz pode ser escutada:
— Não ache que vou perder tão facilmente! Black Dragon? Um golpe com o mesmo nome da minha guilda… que desagradável.
Cassandra se levantava e cuspia sangue. O demônio, surpreso, diz:
— Interessante. Não esperava encontrar um humano tão poderoso. Seu nome é Cassandra Drakenhart?
— Não desejo que um demônio sujo se lembre do meu nome!
— Você realmente me irrita! Faça o que puder para me divertir!
O demônio começa a disparar várias esferas na garota. Mesmo machucada, ela continuava a desviar. Avançando rapidamente, ela se preparava para usar novamente seu golpe especial:
— Trovão Furioso!
Novamente, como um raio, ela corta as esferas negras e aparece na frente do demônio. Dessa vez, Cassandra mirava a cabeça do monstro. Antes que ela pudesse acertar, o demônio diz:
— Previsível! Black Dragon!
Novamente a garota é acertada por uma incrível rajada de energia. Dessa vez, preparada, ela usa a espada para se defender. Mesmo ainda sendo mandada ao chão, Cassandra conseguiu evitar a maior parte do dano.
— Pelo jeito, um golpe direto não é a melhor opção!
— O que foi, garotinha? Você não havia dito que iria me derrotar?
— Cala a boca, demônio repulsivo! — gritava, nitidamente irritada. — Está na hora de ir com tudo.
Com sua espada empunhada, ela respirava profundamente. Com o olhar fixado no demônio, ela diz:
— Trovão Zero!
Sua espada começa a focar, totalmente energizada por trovões. Aquela grande quantidade de energia transbordava da espada. Olhando para o demônio, ela dizia:
— Trovão Furioso!
Pela terceira vez, a garota some como um raio. O demônio rapidamente diz:
— Novamente esse golpe? Já disse que isso não é suficiente para me matar!
O demônio sente a presença da garota nas costas. Sem entender como ela havia chegado tão rápido, assustado, ele tenta se virar, mas Cassandra não desperdiça uma oportunidade tão fácil. Com sua espada, ela corta a cabeça do demônio. Ela desce até o chão, se vira para o garoto e diz:
— Eu falei que ia ganhar, né? — dizia, com um grande sorriso no rosto e a cabeça do demônio em sua mão.
— Forte… ele é bem forte!
Oliver estava quase desmaiando no chão, mas antes que ele pudesse perder a consciência, várias pessoas começam a chegar no campo de batalha. Duas avançam até o garoto. Olhando para a situação, elas dizem:
— Merda, esse moleque ficou nessa situação!
— Como ele sobreviveu a um combate contra um demônio sem saber lutar?
Ao olhar para aquelas pessoas, Oliver reconhece que eram Kael Durnhart e Lyanna Ferrowind. Os dois começam a tratar dos ferimentos do garoto. Outros membros da guilda Black Dragons estavam fazendo os tratamentos iniciais nos companheiros de Oliver. Cassandra, em pé, com a cabeça do demônio, comandava tudo.
Mas algo estranho acontecia atrás dela. O corpo daquele monstro começa a se levantar.
Desesperado por ninguém ter percebido, o garoto grita:
— Cassandra!
A garota, ao escutar o grito, olha diretamente para Oliver. Ele observava fixamente algo atrás dela. Seus instintos começam a sentir uma presença. Puxando a espada, ela se vira. Mas não tinha sido rápido o suficiente.
O corpo do demônio solta uma poderosa rajada de energia contra todos naquele local. Kael e Lyanna, ao perceberem, se colocam na frente do garoto como escudos humanos. Todos são acertados. Uma grande cortina de fumaça se forma.
Mas o menino consegue escutar passos indo em sua direção. Antes de chegar, ele se agacha e pega algo.
— Merda, o que aconteceu?
A cortina de fumaça se dispersa. Oliver finalmente consegue enxergar a situação: Kael, Lyanna e os outros membros dos Black Dragons estavam caídos no chão. Menos Cassandra — extremamente machucada, ajoelhada no chão e usando a espada como apoio, ela encarava o demônio. O mesmo se aproximava da garota, dizendo:
— Você realmente achou que tinha me vencido, garota insolente.
O demônio, que segurava a própria cabeça, encaixa-a no pescoço. Logo depois, ele dá um pequeno estalo enquanto diz:
— Eu sou Morghast, o Demônio da Guerra. Como você conseguiu arrancar minha cabeça, vou dar o benefício de saber meu nome!
— Mesmo com a cabeça dele sendo arrancada, ele ainda está vivo!
— Acho que já posso mostrar minha verdadeira forma!
— Verdadeira forma? Como assim?
O demônio começa a se transformar. Seu corpo, que se comparava ao de um adulto de dezoito anos, começa a mudar. Rapidamente ele ganha músculos gigantescos e chega aos três metros de altura.
Cassandra percebe que ele havia ficado mais poderoso. Ela olha ao redor e vê a maioria dos seus companheiros caídos. Sem escolha, ela se levanta e diz:
— Trovão Zero!
Novamente, com sua espada transbordando poder, mesmo extremamente machucada, ela aponta na direção do demônio e diz:
— Vamos para a segunda rodada!
Oliver olhava para Cassandra, mesmo machucada ela não se rendia, sem poder fazer nada ele resolve usar sua habilidade, olho que tudo vê.
Nome: Cassandra Drakenhart
Idade: 22
Classe: Heroina
Nível : 50
Habilidades:
Senso heroico, ganha bônus em seu nível me lutas contra criaturas de viés malignos
Magias: Trovão Furioso, Trovão Zero.
— Ela é forte, mas mesmo com esse poder o quão forte esse demônio é?
Oliver novamente tenta usar sua habilidade no demônio, o mesmo percebe a intenção.
— Uma habilidade de verificação de estados? Interessante vou deixar você ver para entender minha superioridade.
Nome: Morghast, o Demônio da Guerra
Idade: Desconhecido
Classe: Cavaleiro do Apocalipse
Nível : 70
Habilidades:
Forma verdadeira, troca todo poder mágico por força física.
Magias: Esfera negra, Dragon Negro.
— A diferença de nível não é gritante, ela pode conseguir!
Morghast avança na direção da garota, usando sua espada ela consegue bloquear o primeiro golpe, mas o chão embaixo do seus pés racha. O demônio começa a desferir vários socos, Cassandra tenta desviar ou bloquear aquela ataques, mesmo evitando o dano ela era empurrada para trás.
— Está vendo a minha superioridade?
— Preciso acabar com ele como apenas um golpe, Trovão Furioso!
Mesmo pressionada, ela consegue usar sua magia, quase se teleportando para as costas do demônio, pronta para dar golpe mortal a garota ataca, mas para sua surpresa Morghast rapidamente se vira e com seu punho acerta um golpe em cheio. Cassandra sem conseguir se defender e manda contra os destroços de uma casa.
— Ele é forte!
Em questão de segundos Cassandra voltava para o campo de batalha, agora com um ataque direto, entretanto usando seu braço com escudo Morghast, além de levar poucos dano ele prende a espada da heroína, sem conseguir tirar a espada ataque, o demônio acerta um soco na barriga da garota. Na mesma hora ela cospe sangue.
— Merda!
Percebendo que a espada na sairia de lá ela larga, ela corre na direção de Oliver e pergunta:
— A princesa correu?
— Sim.
— Vou segurar o máximo de tempo que consigo, se finge de morto, tente sair vivo. — Diz, andando de volta para o campo de batalha.
Oliver caído olhava Cassandra fazendo de tudo para desviar dos golpes do demônio, em sua mente vários pensamentos vinham.
— De novo, eu vou perder as pessoas que são importantes, eu achava que mesmo eu não sendo forte eu poderia ajudar, mas no final eu sempre estou no chão caído!
As memórias da morte da sua mãe e todo tempo com seus companheiros rodavam em sua mente, frustrado e irritado ele socava o chão com o resto da sua força.
— Por que, porque eu nunca posso ajudar!
Em lágrimas de ódio algo estranho acontecia, seu peito estava quente, o garoto não sabia o que estava acontecendo, mas sua habilidade, olho que tudo vê se ativa novamente.
Nome: Oliver Vics
Idade: 13 anos
Classe: Mestre de Guilda
Nível: 10
Habilidades:
Treinador acelerado ( Dobra o Xp do seu companheiros )
Olho que tudo vê ( pode ver o status de outras pessoas )
Magia:
Transferi de level: Dá de forma temporária o seu level e melhora o nível de um ou mais alvos.
— Uma magia? Transferência? Como eu ganhei ela? Ah quer saber isso não importa vou usar! Transferência de level, Cassandra Drakenhart!
Nome: Cassandra Drakenhart
Idade: 22
Classe: Heroína
Nível : 50 + 2
Habilidades:
Senso heroico, ganha bônus em seu nível me lutas contra criaturas de viés malignos
Magias: Trovão Furioso, Trovão Zero.
Nome: Oliver Vics
Idade: 13 anos
Classe: Mestre de Guilda
Nível: 10
Habilidades:
Treinador acelerado ( Dobra o Xp do seu companheiros )
Olho que tudo vê ( pode ver o status de outras pessoas )
Magia:
Transferi de level: Dá de forma temporária o seu level e melhora o nível de um ou mais alvos.
Cassandra sente que sua força tinha aumentado, ao olhar para o Oliver ele estava caído, mas com a mão erguida em sua direção, ela raciocina que esse aumento de força repentino, tinha sido graças a ele, a garota então grita:
— Não sei o que fez, mas faça mais, talvez eu consiga vencer!
— Eu dei dois níveis para ela… Essa habilidade tira meus níveis, mas quer saber se for preciso para derrotar esse malditos demônio eu entrego o que for necessário!
Cassandra continuava a desviar esperando para ver se Oliver conseguia repetir a ação que havia aumentado sua força, até que ela escuta!
— Cassandra! Pode ficar com tudo! Mas derrote ele! Transferi de level, Transferi de level, Transferi de level, Transferi de level
Nome: Cassandra Drakenhart
Idade: 22
Classe: Heroína
Nível : 50 + 10
Habilidades:
Senso heroico, ganha bônus em seu nível me lutas contra criaturas de viés malignos
Magias: Trovão Furioso, Trovão Zero.
Ao terminar de usar a magia, Oliver desmaia, Cassandra sente que sua força e velocidade aumentando, com mais confiança ela corre na direção do demônio, ele tenta acertá-la, mas com salto gracioso e desvia e chega perto o pára arranca a sua espada do braço daquele monstro.
— Vamos para a terceira rodada! Trovão Zero, Trovão Furioso
Com um rápido ataque a garota corta o peito do monstro, assustado com a rápido aumento de força ele diz:
— Você estava escondendo sua força? O que aconteceu.
— Sendo sincera, nem eu sei, mas agora tenho a força para te superar!
Raios saiam da espada de Cassandra, ela dá um rápido ataque, Morghast tenta contra atacar com soco, mas a força atual da heroína era extraordinária. Com sua espada ela corta o braço do demônio!
— Desgraçada! — Grita, de dor o demônio!
Percebendo que ele teria uma ataque de fúria ela tenta se afastar pulando para trás, mas no o demônio consegue agarrar sua perna a deixando de ponto cabeça, sem opções a garota rapidamente pensa:
— Acertar o coração não adianta, a cabeça não o derrotou, mas deixo ele imobilizado, então vai ser isso!
O demônio tendo um ataque de raiva, aperta a perna da garota, Cassandra em rápido ataque joga a espada da cabeça do demônio. Ao ser acertado ele solta e os dois caem no chão.
— Agora é minha chance de cortá-lo dar um jeito de não deixar nenhum pedaço para ele se regenerar!
Devido a experiência da garota, o único jeito de matar uma criatura que se regenerava era destruindo totalmente, não deixo algo para ela se regenerar. Com esse pensamento ela tenta se levantar, mas percebe que sua perna tinha sido esmagada.
— Merda, eu não consigo levantar!
Sem conseguir ficar ela se arrastava até a o demônio, entretanto antes de chegar ela escuta uma voz:
— O seu grande mago chegou!
— Aquele é….
— Eu, o grande Magnus Corvane, vim aqui para salvá-la!
— Falastrão!
— Falastrão?
— Ataca com sua magia mais poderosa!
— Então você que acabe com esse demônio?
Enquanto ele falava, o demônio começava a se levantar, a cabeça começava a regenerar aos poucos!
— Vai logo! Não deixe nenhum pedaço!
— Nenhum pedaço? Então tá bom! Divine Destruction!
A cabeça do demônio estava prestes a se regenerar completamente, mas do céu uma luz intensa e poderosa acerta o demônio. O demônio fica com corpo totalmente destruído, mas aquilo não tinha sido o suficiente para matá-lo, com seu boca regenerada ele fala:
— Vocês humanos de merda nunca vão me matar! Eu sou imortal!
— Não morreu com um Divine Destruction? Que tal vários então — Diz o mago sorrindo.
— Vários? — Questiona, o demônio com um temor no seu olhar.
— Sim! Vários! Divine Destruction, Divine Destruction, Divine Destruction, Divine Destruction!
Várias raios de luz caem no mesmo ponto, sem possibilidade de desviar o demônio apenas gritava de dor, em meio a isso prestes a morrer ele diz:
— Mesmo se eu morrer, os outros três vão matar todos vocês! Então só aguar…
— Cala a boca demônio sujo, Divine Destruction, Divine Destruction! — Exclama, o mago interrompendo o demônio.
Em poucos minutos, toda a existência do demônio e devastada da terra, Morghast, o Demônio da Guerra tinha sido derrotado.
Algum tempo depois…
Os olhos de Oliver se abriam lentamente, com piscadas compassadas. Seu ouvido zumbia, mas ele podia escutar algumas vozes, seguidas por vários passos.
— O que está acontecendo? — Oliver! Oliver! — Quem é que está falando comigo?
Quando sua visão se estabiliza, ele vê Diana e Ruby chorando ao ver o garoto acordar!
— Finalmente você acordou! — exclama Diana, chorando de felicidade. — O que aconteceu? Quanto tempo eu dormi? — Por semanas! — Sério? Bom, devido ao ataque que sofri, isso seria natural.
O jovem rapaz tenta se levantar, mas sente uma dor intensa. Diana logo o impede de continuar, dizendo:
— Não ouse se mover, suas feridas ainda não melhoraram! — Ah, inclusive, deixa eu avisar seus companheiros! — dizia Ruby, ainda emocionada de ver o garoto vivo. — Acho melhor ainda não se mexer, né? — questiona ela, dando um sorriso. — É melhor mesmo. Por agora descanse, vou buscar alguns remédios para você.
Diana se levanta para sair do quarto, mas antes de sair ela se vira e diz:
— Ainda bem que você está bem! — diz, envergonhada, mas com algumas lágrimas no rosto. — Eu que agradeço por cuidar de mim, Diana.
Depois de um tempo…
Oliver começa a escutar passos vindo na direção da porta, seguidos por gritos!
— Parem de barulheira aqui! — Sem correr, pessoal!
Em alguns segundos a porta se abre. Juan, Arkhena e Rina aparecem no consultório.
— Finalmente acordou, né, Oliver! — Oliver, ainda bem que você está bem! — É bom ver vocês! — Você não pode nos preocupar tanto assim, a Rina mal conseguiu dormir de tanta preocupação! — Ei!! — exclamava Rina, extremamente envergonhada.
Logo uma terceira pessoa entrava na sala onde Oliver repousava.
— Vocês duas são muito barulhentas!
Juan entrava na sala. Oliver observava que, mesmo ficando um bom tempo desacordado, seus companheiros ainda estavam com faixas pelo corpo.
— Vocês ainda não se recuperaram totalmente, né? — Ninguém daquela luta saiu totalmente bem, mas saímos vivos, isso é o importante! — Mas é claro, ninguém que anda com a grande Arkhena morreria tão fácil! — Fico feliz que todos estão bem, ainda mais você, Oliver! — De alguma forma saí vivo! Mas o mais importante: o que aconteceu com o demônio? — Cassandra Drakenhart o derrotou! — Então derrotamos um General demônio…
Por mais que eles não fossem os principais realizadores desse feito, todos estavam felizes. A conversa com o grupo se estendeu até o final da tarde, quando todos decidiram voltar para suas casas. A noite cai e, antes de pegar no sono, o rapaz escuta uma voz:
— Ei, Oliver!
Oliver reconhece a voz. Ele começa a olhar para todos os cantos, mas falha em encontrar de onde ela vinha.
— Aqui, bobão!
Ao olhar para a janela atrás dele, ele finalmente encontra sua companheira. Alice estava lá.
— E aí, como você está? — Acho que bem! — O que tínhamos conversado sobre você parar de exagerar? — Ah, você sabe como é, né? — Estou começando a perceber que nunca estou longe de confusões estando à sua volta, hein! — Hehe… — Mas, ainda bem, você está bem. — Desculpa te dar tanto trabalho, Alice. — Fazer o que? É o papel de uma irmã cuidar do seu irmão! — É, mas dessa vez tivemos que enfrentar um demônio… Sinceramente, é um milagre sairmos todos vivos! — Bom, há meses enfrentamos a líder da guilda dos bandidos e, sinceramente, sair vivo contra ela também foi um milagre. Então já é o segundo milagre que fazemos. — Realmente… — Mas fica tranquilo. Contra a guilda dos bandidos o erro foi nosso, mas não tínhamos como prever que nossa cidade ia ser atacada. — É, mas você poderia ter fugido! — Para de reclamar! Eu sei que, se um dia precisar, você também iria arriscar sua vida por mim!
Oliver fica em silêncio, vendo que tinha ficado sem argumentos. Alice ri, dizendo:
— Eu ainda me pergunto por que você tenta discutir comigo! Mas fico feliz que você está bem! Agora vou deixar você descansar! — Obrigado por vir. — Melhora logo e volta para casa, hein! — Tá bom!
Alice vai embora. Oliver volta a se deitar um pouco mais aliviado, mas ainda com o pensamento de que ele era um aventureiro, por isso estava acostumado a arriscar sua vida contra monstros, mas Alice não era aventureira, era apenas uma simples ladra.
No dia seguinte…
— Hora do almoço! — gritava Diana enquanto entrava no quarto. — Finalmente!
Oliver se levanta, pronto para comer. Diana entrega uma tigela com sopa.
— Sopa? — Sim, a sopa é boa e faz bem. — Tá bom, né. — Come rapidinho porque você tem visita. — Uma visita? De quem? — Você vai ver! — afirma, dando um leve sorriso.
Alguns minutos depois, algumas batidas na porta podem ser escutadas. A visita misteriosa de Oliver finalmente havia chegado.
— Pode entrar! — Licença!
Oliver reconhece aquela voz. Ao entrar, o garoto descobre a identidade daquela pessoa: Cassandra Drakenhart entrava no quarto. Surpreso, o garoto diz:
— Cassandra? O que você está fazendo aqui? — Não posso visitar o rapaz que me ajudou a derrotar o demônio? — Eu não acho que tenha feito tanto para merecer sua visita — falava ele, bem envergonhado. — Bom, eu não sei o que você fez, mas com toda certeza você foi fundamental na luta. Mas antes de tudo, como você está? — Bem, eu acho… — diz, olhando para seu corpo todo enfaixado. — Então estamos em situações parecidas!
Oliver repara que Cassandra estava usando muletas e sua perna estava completamente quebrada.
— Sua perna! Quando isso aconteceu? — Um pouco depois que você desmaiou. Fui pega pelo demônio, mas agora você precisa me contar: como você me deixou mais forte? — Ah, eu usei uma habilidade… — Uma habilidade? Sua classe, até onde sei, é mestre de guilda, né? — Sim, foi uma habilidade que ganhei durante a luta. — O que essa habilidade faz?
Oliver pensa por um segundo se deveria falar ou não, mas ele olha para os olhos de Cassandra e percebe que ela não parecia ter más intenções.
— O nome da habilidade é Transferir de Level. — Transferir level? Você consegue pegar todo o seu level e passar para alguém? — Quase isso, a transferência é temporária. — Temporária? Então, após um tempo, o level volta para você? — Novamente, quase certo. O level não volta para mim. — Você perdeu o level que me emprestou, então! Mas, mesmo assim, é uma habilidade forte. — Nem tanto, eu acho. — Essa habilidade pode ser decisiva, igual já foi! Oliver, você faz parte de uma guilda? — Ah, não, mas eu tenho um grupo de aventureiros! — Não tem interesse em entrar na minha guilda? Com a sua ajuda, vamos nos tornar cada vez mais fortes. — Mas para isso eu teria que deixar meu grupo? — Possivelmente, mas logo você se acostuma. Nós, aventureiros, somos treinados a lidar com várias pessoas. — Deixar meu grupo…
Oliver começa a pensar em toda sua jornada: o dia que conheceu Rina, quando Juan arriscou a vida para defender ele da guilda dos bandidos, e quando Arkhena finalmente o reconheceu. Entrar na maior guilda seria espetacular, mas abandonar seus companheiros não fazia parte dos seus planos.
— Sendo sincero, seria uma honra, mas não posso abandonar meus companheiros! — Fidelidade, né? Valorizo isso. Mas ainda vou deixar o convite em aberto.
Vários passos começam a ser escutados do lado de fora da clínica. Todos, exceto Cassandra, ficam visivelmente assustados. A heroína, vendo a situação, diz:
— Sendo sincera, imaginei que viriam, mas não tão cedo. — Viriam? Quem veio?
A porta logo se abre e, em seguida, uma voz tomava o ambiente:
— Oliver Vics está nesta clínica?
Diana, mesmo com medo, vai à frente falar com aquela misteriosa pessoa:
— Aqui é uma clínica de reabilitação! Você não pode sair entrando assim! — Diana, ele é um cavaleiro! — Ruby cochichava no ouvido da sua companheira. — Somos a guarda real, estamos atrás de Oliver Vics! Ele está nesta clínica?
Diana hesita em responder, mas logo a porta de um quarto se abre. De lá, Cassandra aparece dizendo:
— Ele está neste quarto!
Ao ver a heroína, o cavaleiro que parecia ser o chefe se ajoelha na frente da garota.
— Condessa Drakenhart! — Não precisa de tanta cerimônia, vá logo fazer o que foi ordenado. — Ok, agradeço.
O cavaleiro entra no quarto e encontra Oliver.
— O senhor é Oliver Vics?
— Ah, sim. — Ok, temos uma mensagem para o senhor!
— Uma mensagem? — Sim! O rei August Terceiro o convoca para um jantar.
— O rei? — questiona, completamente perplexo.
— Sim, o Rei o convoca! — Ao castelo? — Exato!
Oliver olhou para Cassandra, tentando decifrar se aquilo era verdade. A heroína apenas acenou positivamente com a cabeça. Sem saber o que fazer, o garoto gaguejou:
— Mas... por que eu? — Meu jovem, nós não temos total certeza, mas acreditamos que seja graças aos seus esforços em manter a Princesa a salvo. — Entendi. E quando vai acontecer esse jantar? — Em quatro dias! — Como eu vou chegar lá em apenas quatro dias?!
Cassandra, percebendo que seria difícil fazer o rapaz entender a logística dos Rank S, limitou-se a dizer:
— É mais fácil mostrar. Bom, despeça-se dos seus colegas. Amanhã eu volto aqui. — Tá bom — respondeu ele, ainda sem conseguir processar a situação.
Cassandra começou a afastar os guardas reais do quarto enquanto se despedia de Oliver.
Algum tempo depois...
Seus companheiros já estavam reunidos ao redor do leito do hospital quando Oliver soltou a bomba:
— Eu fui convocado pelo Rei. — O quê?! — gritaram todos, em uníssono. — Como isso aconteceu? — questionou Rina, com os olhos arregalados. — Acho que é porque eu salvei uma garota que era a Princesa, ou algo do tipo.
Naquele momento, todos começaram a se lembrar da fisionomia da menina que Oliver havia protegido no meio do caos e pensaram exatamente a mesma coisa: "Aquela era realmente a Princesa!"
— Esse Rei é tipo o chefe do clã? — perguntou Arkhena. — Mais ou menos isso. — Então você tem que preparar uma boa oferenda! Mas não se preocupe, a grande Arkhena irá te ajudar! — Tome muito cuidado lá, Oliver — pediu Rina, preocupada. — Não faça nada que eu não faria — recomendou Juan, com um meio sorriso. — Obrigado, Rina. Obrigado, Juan! — Será que carne de boi é o bastante? Se bem que esse chefe deve comer isso todo dia... Carne de javali? Não... — murmurava Arkhena, pensativa, ignorando o resto da conversa. — Sendo sincera, a ideia de você ir à capital me preocupa. Lá existem ratos demais — comentou Alice, cruzando os braços. — Acho que a Cassandra Drakenhart vai me acompanhar. — Drakenhart, né? Não confio muito nela, mas não temos muita escolha. — Talvez um peixe? Não, é muito simples. Que tal carne de jacaré? Mas onde eu acharia um jacaré a estas horas? — Arkhena continuava o seu monólogo. — Preciso lembrar que você ainda está em fase de recuperação, Oliver! — interveio Diana, com um tom autoritário de médica. — É verdade, né? — Oliver deu uma leve risada. — Então, nada de se envolver em lutas! — ralhou Alice. — Ainda mais você, que sempre faz questão de se machucar o máximo possível. — Carne de camelo? Será que alguém na capital já comeu um camelo? — insistia Arkhena. — Bom, vamos indo? Vamos deixar o Oliver descansar — sugeriu Juan, levantando-se. — Realmente. Tchau, Oliver! Bom descanso — despediu-se Rina. — Obrigado! — Durma bem. Amanhã eu passo na sua casa, pego umas roupas suas e trago para cá — avisou Alice. — Carne de bisão?... — questionava-se Arkhena, encarando o teto. — Vamos, Arkhena! O Oliver precisa descansar! — exclamou Juan, puxando a garota-besta pela gola. — Ei! Me solta! Eu ainda não decidi a oferenda real!
Em poucos segundos, a turma barulhenta saiu do quarto, permitindo finalmente que o garoto relaxasse.
No dia seguinte...
Oliver acordou e olhou para a mesa de cabeceira ao seu lado. Uma mochila o aguardava e, presa a ela, havia uma carta. O garoto a pegou e começou a ler:
"Caro Oliver, comprei um kit de aventura e coloquei algumas das suas roupas na mochila. Lembre-se de que este kit é apenas para uma emergência, não ouse se aventurar por aí! Vou alertá-lo novamente: não confie em nobres, eles são cobras traiçoeiras. Fora isso, boa viagem. Assinado: Alice."
— Essa menina está sempre cuidando de mim — exclamou ele, sorrindo terno para o papel.
O garoto se levantou e trocou as vestes de hospital por suas roupas de viagem. Poucos segundos depois, a porta se abriu e Diana entrou trazendo uma bandeja:
— Oliver, já acordou? — Sim, há alguns minutos. — Então já viu o que a Alice deixou para você, né? — Sim! — Bom, coma logo o seu café da manhã para se encontrar com a Cassandra. — Ok!
Oliver tomou o desjejum rapidamente, pegou a mochila e preparou-se para partir.
— Vou indo então! — Se cuida, Oliver! Não exagere. Não quero ver você deitado nesta cama tão cedo! — Pode deixar. Obrigado por cuidarem de mim!
Quando Oliver saiu da clínica rumo ao ponto de encontro, Ruby percebeu a expressão melancólica no rosto de Diana e resolveu questioná-la:
— Está triste porque o Oliver foi embora? — Eu fico feliz que ele tenha se recuperado... Mas eu devo a minha vida a aquele garoto. Queria ter passado um pouco mais de tempo com ele. — Tente não se preocupar. Pelo que o pessoal do grupo dele disse, acho que vamos vê-lo com bastante frequência por aqui. — É... Aquele garoto realmente não tem jeito.
A clínica era relativamente próxima aos portões internos da cidade, então em poucos minutos Oliver chegou ao local combinado. Cassandra já o esperava, acompanhada por Sir Kael Durnhart e Lyanna Ferrowind. Ao avistá-lo, a heroína disse:
— Finalmente você chegou, hein, Oliver?! — Ah, desculpe a demora! — Então esse pirralho também vai com a gente? — perguntou Kael, arqueando uma sobrancelha. — Óbvio, né? Ele foi convocado pessoalmente pelo Rei! — respondeu Lyanna. — Bom dia para vocês. Obrigado por me acompanharem. — Fique tranquilo, rapaz. Estamos honrados pelos seus esforços naquela grande batalha — disse Kael, batendo de leve no ombro do garoto. — Eu não acho que tenha feito muita coisa além de fugir... — Chega de conversa, vamos! — cortou Cassandra, impaciente.
A heroína retirou um rolo de pergaminho ornamentado de sua capa. Lyanna se aproximou de Oliver com um sorriso cúmplice e sussurrou:
— Está pronto para ver algo incrível? — Algo incrível? — Todos prontos? — perguntou Cassandra, segurando o papel firmemente. — Sim! — responderam os três ao mesmo tempo. — Então tá bom. Reditus!
Uma luz azulada e intensa começou a brilhar sob os pés dos quatro. Oliver arregalou os olhos, visivelmente assustado, quando sentiu seu corpo flutuar no ar.
— O que está acontecendo?! — gritou o garoto, apavorado.
Sir Kael começou a gargalhar da reação do menino. Lyanna, percebendo o deboche do parceiro, provocou:
— Não sei por que você está rindo tanto, Kael. Na sua primeira vez usando o Reditus, você até chorou! — Eu não me recordo de tal dia! — Pois eu me lembro muito bem!
Antes que eles pudessem continuar a discussão, o espaço ao redor deles distorceu e os quatro foram arremessados em alta velocidade através de um túnel de luz. Oliver continuou berrando por um bom tempo, mas o pânico logo deu lugar ao fascínio conforme ele se acostumava com o movimento.
— Finalmente se acalmou? — questionou Cassandra, divertida. — Acho que sim... Mas o que é isso, afinal? — Você sabe como funciona um pergaminho mágico? — Não muito. — Bom, vou explicar do começo. Alguns magos de alto nível têm a habilidade de selar uma magia em um papel especial. Quando alguém rasga o pergaminho ou pronuncia o encantamento, a magia é ativada instantaneamente. — Entendi! Então, mesmo você não sendo uma maga, pode usar magias de suporte. — Sim! Mas os pergaminhos de viagem são incrivelmente caros. Ainda mais este que estamos utilizando hoje. — Por que este é diferente? — A magia contida nele é o Reditus. Basicamente, ela teletransporta um grupo de pessoas de volta para um local pré-estabelecido e fixo. Hoje, no continente inteiro, só existe um usuário capaz de criar esse feitiço. — Deve ser alguém extremamente importante, então. — Sim... O próprio Rei — revelou Lyanna, sorrindo. — Graças à sua convocação, o palácio nos enviou este pergaminho. Então, nós é que agradecemos por não termos que marchar por semanas. Agora relaxe, em poucas horas estaremos na capital.
Oliver engoliu em seco. Ele se lembrava de que a viagem normal para a capital poderia levar até um mês a cavalo. Descobrir que existia uma magia capaz de encurtar esse tempo para meras horas era simplesmente surreal.
Algumas horas depois...
O grupo finalmente alcançou o destino. A magia de teletransporte se dissipou exatamente em frente aos portões da capital imperial. Oliver ficou boquiaberto; os portões da muralha externa eram ridiculamente luxuosos, esculpidos em pedra branca e detalhes dourados. Cassandra se aproximou dos guardas da guarita e anunciou:
— Boa tarde. Estou entrando com três indivíduos sob a minha responsabilidade. — Boa tarde, Condessa Cassandra. Vejo que está acompanhada pelo Sir Kael e pela senhorita Lyanna. Mas... quem seria o garoto? — Este é Oliver Vics. — Por qual motivo um civil desta idade está entrando na capital imperial?
Cassandra respirou profundamente. Sem paciência para burocracia, ela puxou um documento com o selo real de cera vermelha e o estendeu para o guarda. O homem leu as primeiras linhas e empalideceu instantaneamente.
— E-ele foi convocado pelo próprio Rei August III?! — Sim. Algo mais? — N-não! Desculpe o transtorno, podem entrar imediatamente! — Vamos — chamou a heroína. — Sim! — respondeu o grupo.
Ao cruzarem os portões, Oliver sentiu-se em outro mundo. Se ele achava a cidade onde morava grande, a capital era uma metrópole monumental. As construções pareciam palácios, e as ruas eram pavimentadas com pedras polidas. As pessoas nas calçadas olhavam para ele com desdém e estranheza, provavelmente por causa de suas roupas simples de camponês e sua expressão de absoluto choque. Mas naquele momento, Oliver não se importava.
— Eu e o restante do grupo precisamos nos reportar à sede principal da guilda agora — avisou Cassandra, parando em um cruzamento. — Quer explorar um pouco a capital sozinho, Oliver? — Posso?! — Sim. Então faremos o seguinte: dê uma volta por aí, conheça o lugar e, quando o sol começar a se pôr, pergunte a qualquer guarda a direção da base dos Black Dragons. Nós nos encontramos lá. — Ok! — Mas com uma condição: sem entrar em confusões! — Pode deixar! — garantiu o garoto, sorrindo de orelha a orelha.
Oliver saiu correndo em disparada pelas ruas movimentadas. Lyanna olhou para o garoto se afastando e comentou com Cassandra:
— Não tem medo de que algo aconteça com ele sozinho por aí? — Pode não parecer à primeira vista, Lyanna, mas esse garoto é extremamente esperto. Não foi por acaso que ele sobreviveu a um Cavaleiro do Apocalipse. — Se a capitã diz, quem sou eu para duvidar...
Oliver corria pelos bairros comerciais, deslumbrado com as vitrines e as carruagens nobres. Mas, à medida que se afastava das avenidas principais, as ruas começavam a estreitar. Ao passar pela entrada de um beco sombrio, o murmúrio de vozes tensas chamou sua atenção:
— Por favor, senhor... Eu juro que irei pagar! — Eu já falei que quero o meu dinheiro até a semana que vem, ou as consequências serão terríveis.
Oliver estava acostumado a ver esse tipo de cobrança violenta nas favelas do subúrbio, mas ver aquilo acontecer no coração da capital o surpreendeu. Ele hesitou por um segundo, a voz de Cassandra ecoando em sua mente: "Não entre em confusões!".
O garoto deu dois passos para trás, fingindo que ia continuar seu caminho. No entanto, a curiosidade e o senso de justiça falaram mais alto. Ao espiar mais a fundo entre as paredes de pedra do beco, ele deparou-se com duas crianças, que pareciam ter a sua idade, sendo encurraladas e ameaçadas por um grupo de jovens nobres vestindo casacos caros e sorrisos cruéis.
Esquecendo completamente a promessa que fizera à heroína, Oliver cerrou os punhos e invadiu o beco, gritando com firmeza:
— Ei! Tiram as mãos deles agora!
Os jovens nobres se viraram e, ao verem Oliver, começaram a observar o garoto. Diante dos trajes simples do rapaz, a risada foi inevitável. Enquanto riam, eles diziam:
— O que uma mera criança como você pode fazer?
— Ah, então... — Enquanto pensava na resposta, Oliver rapidamente sinalizou com as mãos para que a dupla se agachasse atrás dos nobres. — Já sei! Que tal uma técnica das ruas?
— Tática das ruas?
— Sim! A tática do bate e corre!
Oliver correu na direção dos dois e, com toda a sua força, empurrou os nobres, que caíram no chão com tudo!
— Agora, corram! — disse ele, sinalizando para que os dois correram com ele.
O trio saiu correndo pela cidade até chegar a um ponto onde se julgavam seguros. Enquanto recuperava o ar, Oliver perguntou:
— Tudo bem com vocês dois?
— Ah, sim! — respondeu a dupla.
Ao olhar bem para os dois, ele viu que a garota era uma jovem maga de cabelos brancos, enquanto o rapaz era um jovem de cabelos loiros. Oliver rapidamente se lembrou de que já tinha visto aquela garota antes.
— Você é aquela maga! — disse, surpreso.
— Você é aquele garoto! — disse a maga, também surpresa.
— Vocês se conhecem por algum acaso? — perguntou o jovem arqueiro, ainda mais confuso.
— Não exatamente, mas acho que já nos encontramos em uma biblioteca na minha cidade. Inclusive, deixe-me apresentar: prazer, Oliver.
— Sim, nós nos vimos enquanto eu estava em uma missão... Ah, meu nome é Aria Vance!
— Entendi. Obrigado por nos ajudar, então! Sou Tristan Cross!
— Mas e aí, me digam: por que vocês não revidaram? Eles não pareciam tão fortes.
— Eu e a Aria devemos dinheiro para eles...
— Aí eles vieram cobrar!
— Ah, entendi. Mas por que vocês não fizeram missões da guilda? Vocês parecem aventureiros.
— As coisas aqui na capital são difíceis! Existe uma taxa para ser aventureiro, então pegamos dinheiro emprestado para pagar a taxa mensal!
— Sério?! — disse ele, lembrando-se das palavras de Alice.
— De qualquer forma, obrigado por nos ajudar! Mas temos que fazer missões para conseguir pagar a nossa dívida. Então, vamos nessa, Aria?
— Sim.
A dupla começou a se afastar. Ainda preocupado, Oliver foi até eles e disse:
— Eu também sou aventureiro e estou com o tempo livre. Posso ajudar em algo?
— Dividir a recompensa em três? Não sei se é uma boa ideia.
— Também não acho — concordou Aria.
— Eu posso ir sem ganhar nada! Só quero ganhar um pouco de experiência.
— O que acha, Aria?
— Ele nos salvou...
— Verdade. Acho que fazer esse favor é o mínimo que podemos fazer! Então está decidido, vamos lá, Oliver!
— Ótimo! Posso formar um grupo com vocês?
— Claro!
O grupo começou a caminhar até a saída da cidade. No caminho, Oliver resolveu usar sua habilidade para olhar o status dos dois:
Nome: Aria Vance
Idade: 14 anos
Classe: Maga
Nível: 15
Habilidades: Colapso Mágico (Quando sua magia se esgota, permite uma última magia com o dobro da eficiência)
Magias:
…..
…..
Nome: Tristan Cross
Idade: 15 anos
Classe: Arqueiro
Nível: 16
Habilidades:
Magias:
“Entendi, eles têm a mesma média de nível que o meu grupo!”, pensou Oliver.
— Ei, acabei esquecendo de perguntar: qual é o seu nível?
Oliver resolveu conferir o seu próprio status e, como ele imaginava...
Nome: Oliver Vics
Idade: 13 anos
Classe: Mestre de Guilda
Nível: 1
Habilidades:
- Treinador Acelerado (Dobra o XP dos companheiros)
- Olho que tudo vê (Pode ver o status de outras pessoas)
Magia:
- Transferência de Level (Dá de forma temporária o seu nível e melhora o nível de um ou mais alvos)
“Realmente voltou para o nível 1, mas não acho bom falar!”, pensou Oliver.
— Nível 12! — mentiu ele em voz alta.
— 12? Tá ótimo! Como você está vindo só para pegar experiência, pode deixar o trabalho duro com a gente, né, Aria?
— Sim.
— Mas qual é a missão?
— Exterminar dez goblins na floresta.
— Ok!
O grupo caminhou até finalmente chegar à floresta. Por mais que Tristan não tivesse nenhuma habilidade dedicada a rastrear, ele tinha uma ótima aptidão natural para aquilo. Em pouco tempo, eles encontraram um mini acampamento de goblins. O trio se escondeu nos arbustos enquanto se preparava para o ataque.
— Vamos começar?
— Sim!
— Então vamos com tudo!
Aria e Tristan empunharam seu cajado e seu arco, prontos para o combate. Rapidamente, a maga começou a conjurar um feitiço de suporte:
— Precisão!
— Perfeito!
Tristan começou a disparar diversas flechas, acabando com quatro goblins de uma vez.
O grupo recebeu 20 de experiência.
Os goblins restantes rapidamente perceberam de onde estavam vindo as flechas. Eles se juntaram e correram na direção do arbusto!
— Tá na hora, Aria!
— Bola de Fogo!
Aria conjurou a magia, que acertou todos os goblins de uma vez, derrotando-os na mesma hora. Oliver, impressionado, disse:
— Oh, a magia realmente é incrível!
— Nem tanto!
O grupo ganhou 80 de experiência.
Antes de recolherem os itens dos inimigos, os três observaram se havia mais algum goblin no acampamento.
— Acho que está tudo limpo — disse Tristan.
— Também não vi nada! — confirmou Oliver.
— Então, vamos lá!
Os três começaram a recolher o que havia sobrado dos inimigos. Enquanto fazia a contagem dos alvos derrotados, Tristan percebeu que tinham eliminado dois a mais do que o necessário. Feliz, ele disse:
— Dois a mais, hein, Aria!
— Sim! — disse Aria, com um sorriso de canto de boca.
Eles rapidamente terminaram de recolher tudo e voltaram para a cidade. Percebendo que a noite já estava prestes a cair, Oliver disse:
— Acho que vamos nos separar aqui. Obrigado por me levarem!
— Sem problemas. Nós ainda temos que passar na guilda.
— Então, até outro dia! Aria, você um dia pode me ensinar magia, hein!
— Ah... quem sabe…
Oliver saiu correndo na direção da base dos Black Dragons. Tristan virou-se para Aria e comentou:
— Até que ele é legal, né?
— Mais ou menos…
Enquanto corria em direção ao seu destino, Oliver de repente parou e começou a se perguntar:
— Espera... Onde fica a base mesmo?
Depois de algumas horas, Oliver finalmente encontrou a base dos Black Dragons: era uma mansão gigantesca. O garoto ficou meio receoso em bater na porta, mas o frio da noite já estava apertando, então ele tomou coragem. No entanto, no exato momento em que o rapaz iria bater, a porta se abriu rapidamente e Cassandra apareceu dizendo:
— Cadê esse menino?! Já está esfriando aqui fora!
— Ah... Oi? — disse ele, surpreso.
— Finalmente chegou! Vamos entrar logo, está muito frio!
— Ok!
Oliver entrou na mansão. Por fora ela parecia enorme, mas por dentro era ainda maior. O garoto ficou maravilhado com a beleza do lugar, embora tenha percebido que havia algo estranho ali: tudo era quieto demais.
— Gostou, Oliver?
— Achei muito bonito! É muito silencioso também.
— Normalmente não é assim! Muitos membros estão em missão, então fica mais calmo mesmo. Mas venha, vou te apresentar o seu quarto.
Os dois começaram a caminhar pelos corredores da mansão até que, no caminho, encontraram. Lyanna Ferrowind.
— Você encontrou a base sozinho? — perguntou ela, eufórica.
— Sim?
— Eu sabia! Aquele maldito do Kael vai ter que me pagar um jantar! — comemorou, fazendo uma dança estranha.
— O quê? — questionou o garoto, sem entender o que estava acontecendo.
— Ah, é que a Lyanna e o Kael têm essa mania de ficar apostando sobre coisas bestas.
— Um jantar gostoso, um jantar saboroso! — exclamava ela, continuando a sua dança.
Uma porta se abriu de repente e Kael apareceu, irritado:
— Que barulheira é essa?!
— Jantar gostoso, jantar saboroso!
Ao olhar para a cena, Kael percebeu oque estava acontecendo e, frustrado, resmungou:
— Merda... Ele conseguiu achar a base!
— Vamos logo, Oliver. Esses dois aí não têm mais salvação!
— Tá bom!
Os dois voltaram a caminhar pelo corredor até finalmente chegarem ao quarto do rapaz.
— Chegamos! Este é o nosso quarto de hóspedes. Não está com os nossos melhores lençóis, mas está tudo lavado e limpo.
— Não se preocupe com isso... Considerando que eu já dormi no chão, ter uma cama já é demais — sussurrou ele, com vergonha.
— Então está bom. Boa noite, Oliver.
— Obrigado!
O garoto entrou no quarto e se jogou na cama. Ele nunca havia deitado em um colchão tão macio e, em poucos segundos, acabou adormecendo profundamente.
No dia seguinte…
— Oliver! Oliver! Oliver!
O garoto, que parecia desmaiado, acordou com Cassandra batendo em sua porta. Ainda sonolento, ele girou a maçaneta.
— Ah, bom dia! — disse, limpando as "cabeças de dorminhoco" dos olhos.
— Você acordou só agora? — questionou ela, preocupada.
— Acho que apaguei! Mas já vou me arrumar.
— Caramba! Vamos lá, qual roupa você trouxe? Deixa eu ver.
— Eu trouxe a mesma roupa de sempre.
— Aqueles trapos velhos? Você pretende jantar com o Rei usando essas roupas?
— A-acho que sim?
— Não é possível...
Cassandra se aproximou do garoto e rapidamente percebeu outro detalhe alarmante:
— Você tomou banho recentemente? — perguntou, tampando o nariz.
— Acho que já faz um tempinho desde o último...
— Oliver, coma alguma coisa na cozinha e tome um banho. Temos uma banheira de imersão aqui.
— Ok!
Oliver foi até a cozinha, onde um banquete o aguardava. Ele nunca tinha comido tanto em toda a sua vida! Logo depois, o garoto seguiu para a área dos banhos. Em sua percepção, seria algo simples, mas nada era simples naquele lugar: uma banheira enorme o esperava, e quem estava lá dentro, relaxando na água quente, era o próprio Kael.
— Olha só quem está por aqui.
— Bom dia, Sir Kael!
— Me chame só de Kael.
— Tá bom.
Meio constrangido, o garoto se lavou rapidamente e depois entrou na banheira, suspirando de alívio com a água quente. Enquanto relaxava, começou a pensar: "Queria que o pessoal estivesse aqui..."
Kael, percebendo que o rapaz estava aproveitando o momento, puxou conversa:
— Gostou da nossa base?
— Sim! Tudo aqui é tão grande, chique...
— Olha, normalmente nós não aceitamos novos membros, mas a Cassandra gosta de você. Se quiser, eu converso com ela para te colocarmos na guilda.
— Entrar para os Black Dragons?
— Sim!
Por um segundo, o garoto pensou na possibilidade, mas logo as boas lembranças com seus companheiros invadiram sua mente. Oliver, então, respondeu com firmeza:
— Seria uma honra, mas eu não posso abandonar meus companheiros!
— Oh, fidelidade, né? Respeito isso, garoto.
Kael se levantou, ajeitando a toalha na cintura, e disse:
— Aproveite o resto do banho!
— Obrigado!
Oliver ficou na banheira por dez minutos. Ao sair e retornar ao seu quarto, encontrou uma carta sobre a cama, acompanhada por um bilhete que dizia: "Uma roupa nova para você não passar vergonha". O garoto pegou o traje e impressionou-se com a qualidade do tecido. Vestiu-se rapidamente e encarou o reflexo no espelho:
— Oh... Eu realmente pareço um nobre! Quanto será que custou isso? — assustou-se um pouco com o valor presumido daquelas vestes finas.
Em seguida, voltou a ouvir batidas na porta, seguidas pela voz de Cassandra:
— Ei, Oliver! Já terminou de se vestir?
— Oi, já estou saindo!
Quando Oliver abriu a porta, encontrou Cassandra usando um vestido belíssimo e elegante. Ao vê-lo, ela sorriu de canto:
— Não é que, bem-vestido, você até que é bonitinho?
— Isso foi um elogio?
— Considere que sim! Mas vamos indo?
— Mas não era um jantar?
— Todo jantar da corte é acompanhado por um baile antes.
— Então por que não chamam de almoço?
— Perguntas demais, tempo de menos! Vamos andando.
— Ok!
Na porta da mansão, Lyanna e Kael os esperavam.
— Finalmente os nossos astros chegaram! — exclamou Lyanna, com um sorriso divertido no rosto.
— Não existe astro maior do que Kael Durnhart! — gabou-se o espadachim.
— Ah? Sim, sim, continue com esse pensamento! — debochou a arqueira.
— Por alguma razão essa resposta não me agradou, mas vou ignorar!
— Chega, vocês dois! Vamos indo.
— Ok!
Do lado de fora, uma carruagem luxuosa os aguardava. O grupo entrou e o veículo partiu em direção ao castelo imperial. Durante o trajeto, Kael olhou para o garoto, que parecia um pouco tenso, e perguntou:
— O que foi, garoto?
— Ah... É que eu nunca participei de um evento como este.
— Pudera! É óbvio que nunca foi; normalmente, esse tipo de celebração é fechado para a plebe.
— Ei, Kael, pega um pouco mais leve nas palavras! — repreendeu Lyanna, irritada com a falta de tato do companheiro.
— Mas é a verdade.
— Realmente... Eu posso até ter ido a festas na infância, mas quando meus pais morreram, eu era muito novo para me lembrar.
— Pode ter ido? Como assim? Seus pais eram nobres ou algo do tipo?
— Acho que sim. Minha mãe dizia que o meu pai cuidava muito bem do lugar onde morávamos.
— Sério? Qual é o seu sobrenome, garoto?
— Vics.
— Vics? Não conheço nenhuma família nobre com esse sobrenome. Às vezes, seu pai era apenas o chefe da sua vila ou algo parecido.
— É bem possível…
Cassandra, que escutava tudo em silêncio, franziu o cenho, começando a matutar que já havia escutado esse nome em algum lugar do passado.
Algum tempo depois, eles finalmente chegaram ao castelo. Desceram da carruagem e deram de cara com a guarda real do portão principal. A líder dos Black Dragons apresentou o grupo:
— Viemos para o baile. Estou acompanhada por Kael Durnhart, Lyanna Ferrowind e Oliver, da cidade imperial.
— Sim, Condessa Cassandra. Podem entrar!
O grupo cruzou os grandes portões do palácio. Ao avistar o hall de entrada, Oliver ficou boquiaberto; ele já havia achado a base dos Black Dragons luxuosa, mas aquilo estava em outro patamar. A entrada deles atraiu alguns olhares curiosos da alta sociedade, mas os nobres logo voltaram a conversar entre si. Kael e Lyanna rapidamente se distanciaram para cumprir velhas conhecenças, fazendo com que o jovem olhasse confuso para Cassandra:
— Eles não vão ficar aqui com a gente?
— Os dois são nobres, têm conexões políticas para cultivar.
— Entendi…
Poucos segundos depois, vários nobres e aristocratas cercaram Cassandra, bombardeando-a com perguntas e cumprimentos sobre a recente vitória contra o demônio. Sem que percebesse a movimentação ao seu redor, Oliver foi empurrado para a periferia da roda social devido à multidão que se formava. Sozinho no meio do salão de mármore e ouro, sentindo dezenas de olhares altivos caírem sobre suas roupas, ele pensou desesperado:
— E agora, o que eu faço?
Oliver, acuado, ia para um canto esperando que Cassandra aparecesse, mas a sua solidão logo acabaria. Um grupo de filhos de nobres rapidamente foi até o garoto e começou a provocar:
— Um rosto novo por aqui?
— Ah, oi... Está falando comigo?
— Sim. Por mais que eu esteja tentando lembrar do seu rosto, de quem você é filho?
— Ah, de ninguém muito importante.
— Não quer falar o seu nome, é?... É filho bastardo de alguém, então?
— Não é nada disso!
— Parando para analisar, faz sentido. Observe estas roupas! — disse um deles, tocando na gola do traje do rapaz.
— Ei! — disse Oliver, tirando a mão do garoto de sua roupa.
— Um filho bastardo de um nobre ousa colocar as mãos sujas em mim?! — exclamava o nobre, com cara de nojo.
Antes que o garoto pudesse continuar, um guarda foi até a escada principal e anunciou:
— A família real está entrando no salão!
O Rei, a Rainha e os três príncipes desceram as escadas, entrando no hall principal. Todos os convidados ficaram em silêncio. O Rei tomou a frente e disse:
— Agradeço a todos pela vinda a esta comemoração. Há alguns dias vencemos a primeira batalha contra os demônios. Este baile é em nome de todos nós que fizemos de tudo para acabar com os demônios!
Oliver começou a olhar em volta. Além do trio da Black Dragons, só havia mais uma pessoa ali que ele reconhecia por ter participado da batalha.
— Então, por favor, continuem a comemoração!
Os nobres que cercavam Cassandra passaram a atenção para a família real. O grupo de garotos voltou a focar a atenção em Oliver, mas a heroína retornou para o lado do rapaz, dizendo:
— Quem são esses amigos, Oliver? — perguntou ela, com um olhar imponente.
— C-Cassandra Drakenhart?! — disseram os nobres, assustados.
— Eles só vieram me cumprimentar!
— Exatamente, já estamos indo! — disseram, se afastando rapidamente.
Depois que os garotos saíram de perto, Cassandra comentou:
— A nobreza é complicada mesmo, mas logo você se acostuma.
— Não sei, não…
Depois de um tempo, uma garota de cabelos vermelhos e um lindo vestido começou a se aproximar de Oliver com passos tímidos:
— Olá... — disse, com uma certa timidez na voz.
Cassandra, ao ver quem era, ajoelhou-se imediatamente. Oliver, sem entender nada, disse:
— Oi?
Cassandra, percebendo que Oliver não fazia a mínima ideia de quem ela era, puxou o garoto para que ele se ajoelhasse junto dela e sussurrou em seu ouvido:
— Ela é a Princesa do reino!
— M-Minhas desculpas, Princesa! Prazer, meu nome é Oliver.
— Por favor, se levantem!
Cassandra e Oliver se levantaram, e a garota começou a falar:
— Não nos apresentamos devidamente. Prazer, meu nome é Princesa Aurélia. Agradeço por todos os seus esforços para me salvar.
— Não precisa agradecer! Sendo sincero, eu nem sabia que você era a Princesa na hora em que te ajudei. Então só fiz o que um aventureiro faria por qualquer um!
— Entendi! — disse ela, maravilhada pelas palavras do garoto. — Mesmo assim, agradeço. Se hoje estou viva, é por causa dos seus esforços!
Vários nobres observavam que a jovem Princesa estava conversando com Cassandra e um rosto desconhecido. Nisso, o mesmo grupo de jovens nobres de antes se aproximou rapidamente do rapaz e disse:
— Ei, nós conhecemos você!
— Eu? — questionou Oliver, inicialmente confuso, mas ao olhar para os rostos deles, reconheceu quem eram.
— Você é o garoto que nos atrapalhou de cobrar as dívidas no beco!
— Ah, não foi exatamente isso…
Vendo a situação esquentar, Cassandra se aproximou do ouvido de Oliver e perguntou baixinho:
— O que você fez?
— Eles estavam intimidando uns garotos lá, aí eu ajudei eles.
— Você tem que parar de ser o herói dos oprimidos!
— Desculpa!
Cassandra olhou para os nobres e perguntou:
— Quanto é a dívida desses garotos?
— Um milhão de nicols!
— Um milhão?!
A Princesa, confusa, afastou-se da confusão. Os nobres começaram a alterar o tom de voz:
— Diga, garoto, como você vai resolver isso? Aquela dupla de ratos estava sumida há meses, e quando finalmente os encontramos, você atrapalha!
— Mas vocês estavam querendo bater neles!
— Não importa, aqueles dois devem dinheiro!
O Rei, vendo a confusão acontecer no meio do salão, aproximou-se e interveio:
— O que está acontecendo aqui?
O grupo de nobres se ajoelhou imediatamente. Cassandra e Oliver fizeram o mesmo. O Rei então disse:
— Se levantem. Me digam o que aconteceu para que vocês estejam fazendo tamanho escarcéu em meu palácio.
— Vossa Majestade, estamos apenas interrogando este jovem.
— E acham que o baile real seria o melhor momento para isso?
— Desculpe cometer tal ultraje ao seu baile, mas esse rapaz atrapalhou a cobrança de uma dívida de mais de um milhão de nicols.
— E quem seria você? — perguntou o Rei, olhando para Oliver.
Cassandra rapidamente interveio:
— Ele é o Oliver, da cidade imperial!
— O jovem que salvou a Princesa Aurélia! — exclamou o Rei. — Bom, devido ao apreço pelos seus esforços, irei intervir para uma mediação. Por favor, me acompanhem.
— Eu posso acompanhar? — questionou Cassandra.
O grupo seguiu o Rei para a sala de reuniões. A Princesa ficou de fora, mas permaneceu colada à porta tentando escutar a conversa.
— Bom, por favor, se sentem e me expliquem a situação.
Os nobres explicaram tudo ao Rei, que concluiu:
— Então vocês desejam que o garoto assuma a dívida no lugar desses aventureiros?
— Exatamente!
— Vejamos... Você tem esse dinheiro disponível, garoto?
— Não... Eu tenho só treze anos, acho que nunca vi tanto dinheiro assim.
— Compreendo. Então você teria disposição para encontrar os dois aventureiros?
— Acho que sim.
— Então voltaremos a ter uma reunião em uma semana.
— Muito obrigado, Vossa Majestade!
Os nobres se levantaram e saíram pela porta. Ao saírem, encontraram a Princesa e se curvaram:
— Desculpe por atrapalhar!
— Sem problemas…
Dentro da sala, o Rei olhava para o rapaz e dizia:
— Situação complicada em que você se colocou, garoto.
— Eu tenho essa mania de entrar nela sem perceber...
— Vossa Majestade, pode deixar que irei auxiliá-lo na busca por eles — ofereceu Cassandra.
— Agradeço por isso, Cassandra Drakenhart. Sobre o nosso jantar, vamos adiar para a próxima semana. Foquem em resolver esse problema.
— Ok!
A dupla saiu pela porta, também encontrando a Princesa do lado de fora. Oliver acenou para ela; a garota sorriu para o rapaz, despedindo-se.
— Tchau, Vossa Majestade! — disse Cassandra.
— Tchau, Princesa!
Os dois voltaram ao local do baile. Todos os olhares continuavam neles. A dupla andou rapidamente até a porta de saída, mas Oliver parou e perguntou:
— E o Kael e a Lyanna?
— Fique tranquilo. Depois que terminarem os assuntos deles, eles voltam para a base. Vamos focar em resolver o seu problema!
— Ok!
Eles saíram do castelo e entraram na carruagem rumo à base. Aproveitando o tempo a sós, Cassandra questionou:
— Há possibilidade de esses dois pagarem essa quantia?
— Acho que não. Tudo o que sei sobre eles é que devem dinheiro por causa da guilda da capital ou algo assim.
— Provavelmente, quando iniciaram, entraram em uma guilda achando que teriam ajuda.
— Como assim?
— Infelizmente, não existem apenas boas pessoas. Algumas guildas têm esquemas de recrutar jovens aventureiros com a promessa de ajudá-los, mas no final apenas cobram uma taxa altíssima para que fiquem nela.
— A Alice realmente estava certa...
— Mas, sinceramente, Oliver, não existem muitas maneiras além de você entregá-los...
— Não existe nenhuma outra maneira?
— Até existe...
— Deixe-me adivinhar: alguma luta ou algo do tipo?
— Uma guerra de guildas... Mas, como você oficialmente não tem uma guilda registrada, é impossível. Além disso, eles são considerados uma guilda de médio porte.
— Se eu tivesse uma vantagem, você acha que venceríamos?
— Com vantagem? Talvez...
— Certo... — disse o garoto, pensativo. — Espera, acho que pode funcionar!
— Como assim?
— Senhor! Pode nos levar o mais rápido possível?! — gritou Oliver para o condutor.
— Oliver, o que você está fazendo?
— Já te explico! Vamos indo, cada minuto é importante!
— Tá bom, né…
Uma semana depois…
O Rei, os três nobres, Oliver e Cassandra estavam reunidos na sala de reuniões real. O Rei começou a sessão:
— Hoje estamos aqui para resolver as questões apresentadas na semana passada. Oliver, você trouxe os devedores?
— Quais eram os nomes mesmo? — perguntou o Rei.
— Tristan Cross e Aria Vance — respondeu o nobre.
— Oliver, você trouxe os devedores?
— Sim! Eles estão aqui fora.
— Uhm... Só acredito vendo — desdenhou o nobre.
— Sem problemas! Eles podem entrar, Vossa Majestade?
— Sim.
Tristan e Aria entraram na sala. Os nobres ficaram surpresos ao vê-los, mas logo se animaram.
— Vejo que você realmente cumpriu a sua parte do trato! Ótimo. Vejo que entendeu o seu erro. Vossa Majestade, aproveitando a sua presença, poderia nos ajudar a decidir uma punição para esses dois?
— Mas quem disse que eu estou entregando eles? — disse Oliver.
— Como assim, garoto?! Você está louco?! — disse o nobre, irritado.
— Vossa Majestade, eu os trouxe para que soubesse o tipo de atitude que os seus nobres têm!
— Como assim?
— Eles se aproveitam de jovens aventureiros e os afundam em dívidas!
— Silêncio, seu moleque! Vossa Majestade, por favor, não dê ouvidos a ele!
— Por favor, deixe o garoto falar — ordenou o Rei.
— Depois ficam cobrando como se eles tivessem feito algo de errado! — continuou Oliver.
— Ele está mentindo! Ele está mentindo!
— Isso é verdade? — questionou o Rei, olhando para os jovens.
Os dois apenas acenaram que sim. O nobre, zangado, gritou:
— Silêncio, seus vermes!
Cassandra, que escutava tudo, pensou consigo mesma:
“Primeira parte do plano concluída.”
Alguns dias atrás…
— Vamos lá, explique o seu plano...
— Quando você disse que talvez com vantagem nós venceríamos, tudo o que precisamos é criar essa vantagem.
— Nenhuma pessoa consciente te daria uma vantagem de graça.
— Exato, mas se eles não perceberem...
— Uhm... E como você faria isso?
— Estes nobres me pareceram facilmente irritáveis.
— Entendi onde você quer chegar…
De volta ao presente…
— Bom, de fato, para a nobreza do reino, essa atitude é totalmente condenável. Mas isso não muda o fato de que eles têm uma dívida — ponderou o Rei.
— Exatamente! Nós exigimos o pagamento logo!
— Infelizmente, gostaria de resolver isso de outra forma — disse Oliver.
— Outra forma? — perguntou o nobre.
— Uma guerra de guildas!
— E por que nós aceitaríamos isso? Apenas queremos o nosso dinheiro!
— Por acaso vocês têm medo de um grupo de aventureiros?
— Não gastamos tempo e recursos em algo que não nos trará lucro!
— Por algum acaso você está com medo porque eu tenho ligações com a guilda da Cassandra?
— O fato de você ter ligações com a guilda da Cassandra não significa que podemos permitir que ela te ajude!
— Na verdade, segundo o estatuto da guilda dos aventureiros, uma guilda pode entrar como aliada em uma guerra — pontuou Oliver.
— Mesmo assim, a presença dos Black Dragons seria injusta!
— Podemos negociar termos justos para a guerra!
— Mesmo assim, uma guerra não seria lucrativa para nós!
Percebendo que ele não aceitaria tão facilmente, Oliver decidiu usar a sua última cartada.
Alguns dias atrás…
— Já conseguimos encontrar a dupla dinâmica — dizia Cassandra.
— Ótimo, quando eles chegarem podemos continuar com o plano!
Algum tempo depois…
Aria e Tristan finalmente chegaram à mansão dos Black Dragons. Ao verem Oliver, Tristan disse:
— Ficamos sabendo do que aconteceu! Desculpa por enfiar você nessa confusão!
— Por mais que você tenha se enfiado sozinho... — comentou Aria.
— Aria!
— Não precisam se preocupar!
— Mas antes de qualquer coisa, temos que deixar claro que não pretendemos simplesmente nos entregar! — disse Tristan.
— Não quero ser cachorrinha daqueles nobres...
— Calma! Eu também não pretendia simplesmente entregar vocês. Eu tenho um plano, mas vou precisar da ajuda de vocês dois.
— Um plano...
— Acho que vale a pena escutar, pelo menos... — cedeu Aria.
O trio entrou na casa e foi até a sala de estar, onde Cassandra os esperava.
— Ela é a Cassandra Drakenhart! Em carne e osso! — exclamava Tristan, perplexo.
A heroína estava tomando uma xícara de chá enquanto os esperava. Até Aria ficou impressionada ao vê-la. Cassandra, ao notar a presença deles, disse:
— Oh, a razão de todas as minhas recentes dores de cabeça finalmente chegou.
— Ah, desculpa, senhora Cassandra...
— Bom, se sentem e escutem o que o garoto tem a dizer.
— Ok! — disseram, acomodando-se na luxuosa poltrona da base dos Black Dragons.
— O plano é o seguinte: iremos forçar uma guerra de guildas! — anunciou Oliver.
— Uma guerra de guildas?! É impossível ganhar deles! Todos os aventureiros daquela guilda têm uma média de nível de 25 a 30! Além de serem muitos! — alertou Tristan.
— Realmente, é impossível... Não conseguimos igualar o combate — complementou Aria.
— Mesmo se conseguíssemos isso, por que eles iriam aceitar? Devemos muito dinheiro a eles!
— Com isso, pode deixar comigo... — disse Cassandra.
De volta ao presente…
— Que tal o dobro do que eles te devem? — provocou Oliver.
— Como vocês pagariam o dobro se nem conseguem pagar o valor normal?
— Isso você pode deixar comigo! — disse Cassandra, interrompendo a discussão. — Eu e os Black Dragons assumimos a dívida gerada em caso de derrota do Oliver.
— Uma dívida com os Black Dragons... Interessante. Nesse caso, uma guerra de guildas pode ser muito lucrativa! — disse o nobre, de olhos brilhando.
Oliver olhou para Cassandra como se estivesse agradecendo pela ajuda. A heroína não planejava pagar tal valor porque confiava que o plano do garoto daria certo. E, mesmo se desse errado, ela secretamente planejava obrigar o menino a entrar em sua guilda, podendo assim entender mais sobre aquela habilidade que a deixou mais forte na luta contra o demônio.
— Ok, mas tenho uma exigência para que a guerra seja realizada! — disse Oliver, confiante.
— Você ainda quer exigir algo? Diga logo, se for aceitável, podemos negociar...
— Que tal colocarmos um limite máximo de nove aventureiros de cada lado?
— Nove? Isso nos limita muito... Mas posso concordar, desde que a participação de qualquer membro dos Black Dragons seja proibida!
— Certo. E gostaria de poder escolher o terreno em que iremos lutar.
— O terreno? Tanto faz... Pode escolher.
— Vossa Majestade, o senhor autoriza a guerra?
— Sem problemas...
— Então resolveremos isso no campo de batalha!
Cassandra se levantou e disse:
— Irei passar as informações para a guilda. Com sua licença, Vossa Majestade.
O Rei acenou em concordância. Cassandra saiu da sala com um único pensamento:
“Não é que o plano deu certo? Usando a participação dos Black Dragons como isca, ele conseguiu igualar o número de participantes e ainda ganhou a escolha do terreno.”
— Agora tudo o que você precisa fazer é vencer!
No mesmo dia, Cassandra tinha ido à Guilda dos Aventureiros para registrar oficialmente a guerra de guildas. Graças à intermediação direta do Rei, nenhum detalhe crucial ficaria exclusivamente nas mãos da administração da guilda.
Mais tarde, naquele mesmo dia…
Oliver, Tristan e Aria aguardavam na mansão dos Black Dragons pela chegada de Cassandra. Após alguns minutos, a pesada porta se abriu e, para o alívio do trio, a heroína finalmente apareceu. Eles correram até ela e perguntaram ansiosos:
— O que a guilda falou?
— Eles aceitaram com facilidade, mas nós esquecemos de um pequeno detalhe.
— Qual? — questionou Oliver.
— Quando exatamente a guerra aconteceria.
— Verdade...
— Bom, devido a isso, eles estipularam o prazo padrão de preparação.
— Que seria de quanto tempo?
— Um mês.
— Um mês?!
— Exatamente.
— Mas um mês é o tempo perfeito para avisar aos meus companheiros o que está acontecendo! — disse Oliver, demonstrando certo desespero.
— Você sempre dá tanto trabalho assim? — suspirou Cassandra. — Como estou de certa forma envolvida nisso, vou te ajudar.
— Já disse que te adoro, Cassandra?
— Bom, eu ainda tenho um daqueles pergaminhos do Rei. Vou usar o Reditus para ir até lá e explicar toda a situação aos seus companheiros. Mas teremos que retornar do jeito tradicional.
— Tá bom... Você pode dar umas dicas para eles? Talvez ajudá-los a subir de nível...
— Vou ver o que posso fazer. Por agora, vou me preparar para partir.
— Ok!
Tristan e Aria, que escutavam toda a conversa atentos, perguntaram assim que a heroína se afastou:
— E o que nós vamos fazer enquanto isso?
— Certo. O primeiro passo é fazer algumas missões...
— Algumas missões? — questionou Aria, confusa.
— Acho que entendi! Primeiro vamos tentar alcançar um nível próximo ao dos nossos adversários, né? — exclamou Tristan.
— Isso também, mas quero fazer missões para explorar os arredores da capital. Preciso escolher o terreno ideal para ser o nosso campo de batalha.
— Ah, nós já fizemos muitas missões em volta da capital! Acho que podemos te ajudar bastante com isso, né, Aria?
— Sim…
Com o acordo selado, os dias começaram a passar. O trio realizava missões quase diariamente, mapeando diversos locais. O ponto que mais chamou a atenção de Oliver foi uma densa floresta localizada a leste. Enquanto caminhava sob as copas das árvores, ele perguntou:
— Esta floresta é muito interessante... Além dela, há mais alguma coisa por perto?
— Tem uma caverna! — exclamou Tristan.
— Também há uma cachoeira e uma grande clareira no meio da vegetação — acrescentou Aria.
— Podem me mostrar essa caverna?
— Claro!
O trio adentrou a floresta até alcançar a imponente entrada da caverna. Curioso, Oliver questionou:
— Vocês já entraram aí alguma vez?
— Não tenho certeza... Acho que não! — respondeu Tristan, pensativo.
— Já entramos sim, mas fomos só até a metade — corrigiu Aria. — Se não me engano, a missão era coletar asas de morcego.
— Verdade! Parando para pensar, lembro que a partir do meio da caverna comecei a sentir uns arrepios sinistros.
— Esta caverna pode ser muito útil... Será que nós três conseguimos explorá-la até o fim?
— Demorou um dia inteiro para chegarmos à metade da última vez. Se levarmos suprimentos suficientes, acho que sim — avaliou Tristan.
— Então está combinado. Vamos voltar à base; amanhã temos um longo trabalho a fazer!
— Ok! — respondeu a dupla.
No dia seguinte...
Oliver, Tristan e Aria estavam diante da entrada sombria da caverna, prontos para a expedição. O garoto olhou para os dois e perguntou:
— Prontos?
— Sim! — exclamaram os dois em uníssono.
O trio adentrou o local. Inicialmente, a caverna parecia tranquila, surgindo apenas pequenos roedores pelo caminho. Conforme avançavam, notaram musgo luminescente cobrindo as paredes de pedra. Algumas horas depois, encontraram bandos de morcegos gigantes e, aproveitando a oportunidade, os derrotaram para acumular pontos de experiência.
Atingindo aproximadamente o meio da caverna, decidiram fazer uma pausa. Oliver acendeu uma fogueira e logo começaram a preparar uma refeição. Aproveitando o momento de descanso, Tristan tomou a palavra:
— Oliver, sendo bem sincero... eu tenho uma dúvida.
— Pode falar.
— Por que você nos ajudou?
— Como assim?
— Quer dizer... você nos encontrou e o caminho mais fácil seria simplesmente nos entregar aos nobres para sair do problema.
— Verdade, eu também estava curiosa quanto a isso — admitiu Aria.
— Sendo bem sincero, não existe uma razão tão complexa — sorriu Oliver. — Sempre que eu precisei, apareceram pessoas incríveis para me ajudar. Então, senti que devia fazer o mesmo por vocês...
Os dois olharam admirados para o rapaz. Tristan declarou com firmeza:
— Tem alguma coisa que possamos fazer por você em troca? Fazemos qualquer coisa!
— Qualquer coisa? Acho que tenho dois pedidos.
— Desde que não envolva dinheiro, acho que não teremos problemas — disse Aria, um pouco tímida.
— Bom, o primeiro pedido: o que acham de entrarem para o meu grupo? Eu sei que não sou forte, mas o meu grupo principal é muito poderoso.
Os olhos dos dois brilharam. Eles nunca haviam recebido um convite formal de um líder antes; por terem níveis considerados baixos na capital, os outros grupos costumavam cobrar taxas para aceitá-los.
— Nós aceitamos!
— Ah, que ótimo! O segundo pedido é algo mais direcionado à Aria.
— Pode falar. Se estiver ao meu alcance, eu faço.
— Quero que você me ensine um pouco de magia.
— Magia? Não sei por que você quer aprender algo tão cansativo, mas tudo bem, podemos tentar!
— Então está combinado! Vamos terminar de comer e depois fazer turnos de guarda para dormir.
— Ok!
Para a refeição, Oliver havia trazido carne seca e, aproveitando a fogueira, eles a esquentaram para tornar o prato mais saboroso. Ao terminarem, ajeitaram-se para descansar, mantendo a regra de que um vigiaria enquanto os outros dois dormiam.
Pela manhã, durante o turno de vigilância de Aria, a maga escutou um ruído estranho vindo das profundezas. Ela se levantou silenciosamente para investigar, pensando que poderia ser apenas um morcego remanescente.
“Falta pouco para eles acordarem. Vou resolver isso sozinha para que possam dormir mais um pouco”, pensou ela.
Aria pegou uma das pedaços de madeira que usavam como tocha e avançou em direção ao som. Caminhou por alguns minutos até paralisar diante do que viu: à sua frente estava uma criatura colossal, com cerca de cinco metros de altura. Aterrorizada, ela soltou um grito estridente.
— Oliver, você escutou isso? — perguntou Tristan, acordando sobressaltado.
— Escutei! — disse Oliver, levantando-se em um pulo. — Cadê a Aria?!
— Aria!
Tristan, reconhecendo o grito de sua parceira, pegou o arco rapidamente. Oliver fez o mesmo com sua mochila, e ambos correram na direção do som. Ao chegarem, depararam-se com Aria correndo em desespero de um urso anormalmente gigante.
— Fujam! — gritava a maga.
— Merda, ele é gigante! — exclamou Tristan, apreensivo.
— Vamos lá, nós conseguimos derrubá-lo!
Oliver correu na direção do monstro. Ao passar por Aria, ele puxou um pergaminho mágico de sua mochila e o desenrolou:
— Congelar!
Uma rajada de gelo cobriu os pés da fera, prendendo-a temporariamente ao chão. Tristan avançou em velocidade, disparando diversas flechas contra o peito da criatura. Oliver recuou até onde Aria estava e perguntou:
— Você está bem?
— Acho que sim... Ele tentou me morder, mas corri o mais rápido que pude.
— Ótimo. Precisamos dar um jeito nele, mas o feitiço do pergaminho logo vai perder o efeito e só tenho mais um deste tipo.
— Ok! O que você quer que eu faça?
Oliver elaborou um plano rápido e sussurrou no ouvido da maga. Ela o encarou com hesitação:
— Tem certeza de que vai dar certo?
— Quase certeza!
— Ah... Tá bom, acho que não temos opção melhor...
Aria saiu correndo para longe da zona de combate. Oliver correu até Tristan e ordenou:
— Atraia ele para onde montamos o acampamento!
— Entendido!
O gelo começou a se despedaçar e, em poucos segundos, a fera se libertou. Oliver correu o mais rápido que pôde até o local da fogueira e retirou o segundo pergaminho mágico. Em poucos instantes, ouviu os gritos de Tristan, que atraía a enorme criatura exatamente pelo trajeto planejado.
— Tá na hora! Congelar!
Oliver ativou o pergaminho, mas desta vez direcionou o feitiço para o solo à frente da fera, criando uma placa de gelo liso. O urso escorregou e começou a deslizar sem controle pela caverna, direto para onde Aria esperava com o cajado empunhado.
— Bola de Fogo! Bola de Fogo! Bola de Fogo!
A garota disparou feitiços sucessivos que causaram grandes explosões no monstro, fazendo-o tombar pesado no chão. Oliver correu até a companheira para desferir o golpe final. Tristan, por outro lado, escutou ruídos estranhos vindos dos restos da fogueira e foi investigar.
— Aria, consegue usar mais uma magia?
— Acho que sim, mas vou desmaiar de exaustão logo depois...
— Merda, isso seria ruim. Será que uma flecha do Tristan finaliza ele?
— Acho que não...
— Fazer o quê... Acabe com ele de uma vez!
— Ok!
Aria se preparou para conjurar seu último feitiço, mas Tristan entrou subitamente na frente deles. Oliver, surpreso, gritou:
— O que foi?! Temos que acabar com esse bicho agora!
— Calma! Olhem ali na fogueira!
Oliver e Aria olharam e viram um pequeno filhote de urso sentado perto das cinzas, comendo ruidosamente os restos da carne seca que haviam deixado. O jovem Mestre de Guilda compreendeu a situação na hora.
— Eles foram atraídos pelo cheiro da comida?
— Acho que sim!
Oliver aproximou-se devagar do urso gigante que estava caído. Ele tirou da mochila mais um pedaço de carne seca
e colocou gentilmente perto do focinho da criatura.
— Entendi... era só fome.
Oliver dividiu o restante da sua reserva de alimentos entre o urso ferido e o filhote. Em poucos minutos, a grande fera conseguiu se levantar. O trio recuou alguns passos, preparando-se para o pior, mas para a surpresa deles, a criatura apenas pegou o filhote com a boca e caminhou lentamente para o fundo da caverna.
— Ok... acho melhor voltarmos, né?
— Concordo!
— Sim...
O trio recolheu seus pertences e caminhou em direção à saída. Tristan, percebendo que Oliver parecia concentrado, puxou conversa:
— Bom, infelizmente usar esta caverna na estratégia vai ser meio difícil, né?
— Na verdade, não. Acho que podemos usar tanto a floresta quanto a caverna. Depois vocês me levam para ver a clareira e a cachoeira?
— Aí é com a Aria.
— Ok, sem problemas! — sorriu a maga.
Enquanto caminhava sob a luz do sol que começava a despontar na saída da caverna, Oliver mentalizava: “O local da batalha já está quase definido. Agora, só
preciso dos membros extras…“
Oliver andava de um lado para o outro na sala, sem saber exatamente o que fazer. Quase todo o seu plano estava bem encaminhado, exceto pela parte mais crucial: a aquisição dos novos membros para fechar a equipe.
— Merda! Preciso arrumar uma solução para isso logo…
Tristan e Aria, que naquele momento atuavam como hóspedes temporários na mansão dos Black Dragons, passavam pela sala enquanto se preparavam para mais uma missão de exploração. Ao notar a impaciência do jovem líder, a maga perguntou:
— Tudo bem, Oliver? Precisa de alguma coisa?
— Depende... Você conhece algum aventureiro confiável que possa nos ajudar no plano? — perguntou ele, visivelmente inquieto.
— Ah... desculpe. Eu meio que só me aventurei com o Tristan e com você — respondeu Aria, um pouco constrangida.
Percebendo que havia soar ríspido sem querer, Oliver desculpou-se imediatamente:
— Me desculpe! Eu só estou um pouco frustrado por não ter conseguido recrutar ninguém até agora...
— Não se preocupe! E me desculpe por não poder ajudar nessa parte.
— É verdade — acrescentou Tristan. — O normal seria os aventureiros terem uma vasta rede de contatos, mas a dívida em que nos metemos nos fez afastar de tudo e de todos.
— Fiquem tranquilos. Eu sou meio inútil no combate direto, então deixa que dessa parte administrativa eu cuido! Podem ir para a missão; eu vou dar um jeito!
— Ok, deixamos isso nas suas mãos então, né, Aria?
— Sim... Mas se precisar de qualquer coisa, avise que tentaremos ajudar!
— Podem deixar…
Assim que a dupla saiu para cumprir o contrato do dia, Oliver voltou a martelar ideias na cabeça por um longo tempo. Sem chegar a conclusão alguma, decidiu que seria sensato buscar conselho com quem tinha mais experiência.
Como já conhecia bem a rotina dos moradores da mansão, sabia que Sir Kael costumava treinar no pátio àquela hora. O garoto foi até o veterano espadachim.
— Oi, Sir Kael. Desculpe atrapalhar seu treino!
— Olá, jovem Oliver! Do que precisa? Talvez de algumas dicas valiosas deste grande espadachim?
— Seria uma honra, mas hoje preciso de outra coisa...
— Diga! Se estiver ao meu alcance, tentarei ajudar.
— O senhor saberia me dizer onde posso recrutar aventureiros?
— Recrutar aventureiros? Hum... sobre isso, infelizmente não posso te ajudar. Nunca precisei fazer algo parecido! Todos os problemas que aparecem no meu caminho eu resolvo sozinho na base da lâmina!
— Ah, entendi...
— Pergunte para a Lyanna. Às vezes ela sabe de algo útil.
— Certo! Novamente, desculpe atrapalhar seu treino.
— Fique tranquilo. Você é praticamente um aprendiz da Cassandra, então é natural te ajudar!
— Hehe…
Oliver despediu-se e seguiu em direção à sala de jantar, onde Lyanna costumava terminar o café da manhã naquele horário.
— Oi, Lyanna. Desculpe atrapalhar sua refeição...
— Que nada, Oliver! Diga aí, do que você precisa?
— É que preciso arrumar alguns aventureiros para me ajudar na Guild War.
— Quanto dinheiro você tem disponível para pagar os contratos?
— Não muito...
— Puxa... Eu até conheço um pessoal competente, mas eles cobrariam um valor bem alto. Posso ver se consigo cobrar alguns favores antigos para abaixar o preço...
— Ah, não precisa. Seria abusar muito da sua boa vontade.
— Tudo bem, mas se ficar sem saídas, me avise que tento dar um jeito.
— Obrigado!
Oliver saiu do cômodo refletindo: “O pessoal da Lyanna fica como última opção. Já devo demais à Cassandra; criar uma dívida com a Lyanna também complicaria bastante as coisas...”
Enquanto caminhava pelos corredores, passou perto da sala de descanso e notou algo incomum: havia uma figura desconhecida e suspeita no local. O garoto rapidamente se escondeu atrás de uma pilastra para observar. No entanto, antes que pudesse planejar qualquer movimento, a pessoa se levantou e disse em tom de deboche:
— Ora, ora... Vejo que temos um pequeno ratinho xeretando por aqui!
Percebendo que havia sido descoberto, Oliver começou a mapear rotas de fuga mentais. “A melhor opção é correr para o hall de entrada. Se eu for rápido o bastante, consigo chegar até onde a Lyanna está!”
Quando se virou para disparar em disparada, foi instantaneamente bloqueado. A figura misteriosa havia surgido exatamente à sua frente, como se tivesse se teletransportado.
— Aonde pensa que vai, garoto?
— Merda!
Olhando atentamente, Oliver finalmente pôde reparar nos detalhes da pessoa: era uma mulher jovem e imponente, de longos cabelos azulados, pele escura e orelhas pontiagudas características da raça élfica.
— Quem é você, garoto? — perguntou ela, encarando-o no fundo dos olhos.
— Oliver... Oliver Vics.
— Oliver? Nunca ouvi falar. O que você faz aqui?
— Eu... ah... sou meio que um convidado?
— Um invasor, então... Interessante. Tem coragem para invadir a base dos Black Dragons!
— Invasor?! Eu?! — disse ele, assustado.
Oliver percebeu que argumentar com aquela mulher seria difícil. Olhando ao redor, tentou traçar outra rota de fuga, mas sabia que a velocidade dela era anormal. Qualquer tentativa de correr seria frustrada em segundos.
—Merda! O que eu faço?!
— Diga logo, invasor! O que veio fazer aqui?
A tensão no ar era palpável, mas antes que a elfa fizesse qualquer movimento hostil, Lyanna entrou na sala rindo:
— Para de graça, Christine!
— Ah, Lyanna! Não deixa nem eu me divertir um pouco!
— O quê? — questionou Oliver, totalmente confuso.
— Fique tranquilo, Oliver. Esta é Christine Syl, membra oficial dos Black Dragons.
— E aí! Você é o Oliver de quem a Cassandra comentou, né?
— Sim...
— Seja bem-vindo! Eu estava fora cumprindo missões e só pude retornar agora. Obrigada por ter ajudado nossa líder na luta contra o demônio.
— Eu não fiz tanta coisa assim, mas... de nada!
— Inclusive, Oliver — interveio Lyanna —, acho que a Christine pode te ajudar com o seu problema de recrutamento.
— Hum? Precisa de alguma ajuda minha?
— Acho que sim...
— Bom, conversem aí. Vou terminar meu café da manhã — disse Lyanna, retirando-se da sala.
Ficaram apenas Oliver e Christine no cômodo. O rapaz, um pouco tímido, começou a explicar:
— Então... você ficou sabendo da Guild War?
— Mas é claro! Virou notícia por todo o reino! Um aventureiro novato da Cidade Imperial desafiando uma guilda influente da capital... Sendo bem sincera, achei que era mentira ou loucura. Mas quando vi que a minha guilda estava mediando o confronto, fiquei ainda mais entusiasmada!
— Pois é...
— Mas me diga: do que você precisa exatamente?
— Eu preciso arrumar alguns aventureiros para fechar a equipe de nove membros.
— Aventureiros... Acho que realmente posso te ajudar com isso.
— Sério mesmo?! — exclamou Oliver, esperançoso.
— Sim! Escute com atenção o que você vai precisar fazer…
Alguns dias depois…
Oliver caminhava pelas estradas de terra em direção a um vilarejo afastado, situado a alguns dias de viagem da capital. O garoto consultava um mapa surrado e resmungava:
— Acho que estou no lugar certo... Pelo menos é onde o mapa que a Christine me deu indica.
Após mais algum tempo de caminhada, ele finalmente avistou a pequena vila chamada Sonlin. Ao entrar, notou imediatamente a extrema precariedade do local: habitações decadentes e pessoas visivelmente desnutridas e sujas pelas ruas.
“Esta vila me lembra muito as periferias da Cidade Imperial...”, pensou, recordo-se de seu próprio passado.
O garoto continuou caminhando até encontrar uma pequena e sombria taverna. Ao adentrar o estabelecimento, percebeu a presença de várias figuras excêntricas e de aspecto perigoso. De certa forma, aquele local funcionava como uma guilda de aventureiros clandestina.
Oliver foi até o quadro de avisos e pregou um panfleto com a proposta de recrutamento. Em pouco tempo, alguns frequentadores se aproximaram para ler a folha, e o jovem começou a escutar os comentários:
— Haha! Lutar contra uma guilda nobre da capital? Só um doido aceitaria isso!
— Então as notícias eram reais? Eles realmente acham que têm alguma chance?
— Vamos embora, essa missão é uma roubada garantida.
Oliver abaixou a cabeça, frustrado. Não havia muito o que fazer; segundo Christine, aquele local abrigava mercenários e banidos, e a expectativa era de que algum aventureiro desesperado aceitasse a oferta.
Após alguns minutos de desânimo, um jovem magro de óculos de proteção na testa aproximou-se dele:
— Você é o Oliver Vics?
— Aham, sou eu mesmo...
— Deixa eu te fazer uma pergunta: nessa Guild War, haverá vários aventureiros da capital, certo?
— Sim...
— Sabe dizer a média de nível deles?
— Acho que entre o Nível 25 e 30.
— 25 a 30?! — disse o sujeito, surpreso.
— É... é muito alto? — perguntou Oliver, cabisbaixo.
— Significa que eles provavelmente aguentam algumas explosões e efeitos alucinógenos mais concentrados... — respondeu o rapaz, abrindo um sorriso macabro.
— Acho que sim... mas por quê? — questionou Oliver, sem entender a reação.
— Perfeito! Eu preciso de cobaias para as minhas novas fórmulas!
— Cobaias?!
— Sim, cobaias!
— Não entendi direito, mas não estou em posição de questionar muito. Seja bem-vindo à equipe!
— Meu nome é Felix Vane! Vou organizar minhas poções e, em alguns dias, parto para a capital.
— Nos encontramos lá! Quando chegar, procure pela mansão dos Black Dragons.
— Combinado!
Felix saiu correndo empolgado da taverna. Oliver permaneceu no local por mais algumas horas esperando que mais alguém demonstrasse interesse, mas ninguém se aproximou.
“Pelo menos consegui uma pessoa... É melhor eu ir embora. A única recomendação estrita que a Christine me deu sobre este lugar foi para nunca passar a noite aqui.”
Oliver levantou-se e saiu da taverna. Ao caminhar pelas ruas de Sonlin, encarou novamente a miséria dos moradores.
“Isso provavelmente é reflexo das sequelas da guerra contra os demônios... A vila onde morava com a minha mãe passava pelas mesmas dificuldades.”
Enquanto avançava rumo à saída do vilarejo, ouviu uma voz afobada chamando ao longe:
— Ei! Ei, contratante! Espera!
Oliver virou-se e viu Felix correndo em sua direção, acompanhado por uma garota. O jovem esperou a dupla se aproximar. Ofegante, Felix falou:
— Contratante... antes que você fosse embora, gostaria de oferecer os serviços da minha colega aqui!
— Ufa... ainda bem que deu tempo! Eu sou Nadia Thorne!
A jovem estava visivelmente sem fôlego. Olhando para ela, Oliver reparou que suas roupas e cabelos estavam cheios de lama e folhas agarradas. Sem saber exatamente como reagir, disse:
— Oi, eu sou Oliver Vics. Você também é uma aventureira?
— Pode não parecer agora, mas sou! Pelo menos na teoria...
— Como assim 'na teoria'?
— Sendo bem sincera, sou mais uma entusiasta de golens!
— Golens?
— Você nunca ouviu falar em golens?! Eles são incríveis! Existem os golens de masmorra, que são super fortes e resistentes; os golens guardiões florestais, que os elfos criam; existem golens puramente mágicos...
— Ei! Foca! Você veio aqui para se candidatar! — interrompeu Felix, chacoalhando a amiga.
— Verdade! Bom, Oliver, eu gostaria de fazer parte do seu time na Guild War. Acho que posso ajudar com os meus golens, por mais que eles sejam um pouco... defeituosos.
— Defeituosos? Como assim?
— Ah, eles sempre vêm com algum probleminha estrutural ali e aqui...
— Alguns saem pequenos demais, outros são lentos como tartarugas e por aí vai! — zombou Felix.
— É verdade... mas prometo não ser um estorvo na batalha!
Oliver escutou os dois atentamente. Como já previa, não estava em posição de ser seletivo. Olhando para a excêntrica dupla diante de si, ele sorriu:
— Bom, o emprego é seu!
— É sério?! Muito obrigada! Finalmente poderei testar meus golens em um combate real! Muito obrigada, senhor contratante!
— Agora vamos logo, Nadia! Preciso organizar meus reativos e materiais!
— Verdade, eu também!
Em poucos segundos, a dupla despediu-se e saiu correndo de volta para o vilarejo. Oliver, por sua vez, retomou a caminhada rumo à saída de Sonlin, agora com um semblante muito mais animado. O último passo do seu plano finalmente tinha todas as peças necessárias para funcionar.
Alguns dias antes da guerra...
Oliver recebeu uma carta oficial da Guilda dos Aventureiros. Ao abri-la, leu o seguinte conteúdo:
Caro Senhor Oliver Vics,
Fizemos por meio deste informar o formato do confronto que a Killers Dragons disputará contra a nobreza. Vocês deverão escolher três pontos de controle em um terreno previamente demarcado e defendê-los durante uma noite inteira. Se, ao amanhecer, vocês mantiverem o domínio de ao menos um dos pontos, a vitória será oficialmente declarada para a sua guilda.
Ao terminar a leitura, Oliver abriu um sorriso satisfeito:
— Ótimo! Esse formato é perfeito para a minha estratégia!
Algum tempo depois...
Estando na mansão dos Black Dragons, Oliver escutou várias batidas afobadas na porta de entrada. Ele correu para atender e, ao girar a maçaneta, deparou-se com seus novos contratados:
— Boa tarde, senhor contratante! Viemos avisar que já chegamos à capital! — anunciou Felix.
— Desculpe a demora, contratante! — pediu Nadia, um pouco sem jeito.
— Que bom que chegaram! Querem entrar? Nossos outros companheiros devem retornar em breve — convidou Oliver.
— Pode ser!
Oliver conduziu Felix e Nadia até a sala de estar. A dupla caminhava pisando devagar, visivelmente receosa por estar dentro de um lugar tão luxuoso. O jovem Mestre de Guilda foi até a cozinha, preparou um bule de chá e retornou servindo uma xícara para cada um.
Nadia encarou a xícara fumegante sem entender o que era:
— Ei, Felix... que líquido estranho é esse?
— Acho que é algum tipo de veneno experimental...
— Isso se chama chá! — riu Oliver.
— Então essa água escura se chama chá? — perguntou Nadia.
— Podem beber, garanto que é bom!
— Ok...
Os dois engoliram em seco e tomaram um pequeno gole. Em seguida, arregalaram os olhos e olharam um para o outro:
— Isso é maravilhoso! — exclamou Nadia, eufórica.
— Do que isso é feito?! Eu preciso saber quais reagentes você usou! — exigiu Felix, analisando o líquido.
— São só algumas ervas...
— Quais ervas?! Onde posso encontrá-las?!
No meio daquela agitação, a porta principal da mansão abriu-se ruidosamente. Tristan e Aria haviam acabado de retornar de sua missão diária.
— Eita, acho que o Oliver encontrou um pessoal bem animado — comentou Tristan, impressionado.
— Meus dias de paz acabaram... — suspirou Aria, sorrindo de leve.
As duas duplas se encontraram no hall. Oliver levantou-se e fez as apresentações:
— Tristan e Aria, estes são os aventureiros que contratei para nos ajudar na Guild War.
— Prazer, companheiros do contratante! Sou Felix Vane!
— Oi! Eu sou a Nadia Thorne. Espero conseguir ajudar!
— Prazer, eu sou o Tristan Cross, e esta é a Aria Vance.
— Prazer em conhecê-los... — disse Aria.
— Vou aproveitar para fazer chá para vocês dois também! — avisou Oliver. — Agradeço, Oliver!
— O meu pode ser morno? — Pode deixar!
— Espera! Vocês dois também conhecem as maravilhas do chá?! — questionou Felix, ainda obcecado pelo assunto.
Oliver retornou à cozinha para preparar mais uma rodada. Não demorou muito para escutar vozes familiares vindo do pátio externo:
— Calma, Arkhena! Estou procurando a chave!
— Para que chave?! É só arrombar essa porta!
— Arkhena, não faça isso!
— Calado, Juan! Eu sou a alfa deste grupo!
— Senhorita Cassandra, quer ajuda para procurar a chave na bolsa?
— Por favor, Rina...
— Que demora! Eu vou arrombar essa porcaria!
— Arkhena!
— Me solta, Juan!
Percebendo que a situação do lado de fora estava prestes a virar um caos, Oliver correu e abriu a porta. Deparou-se com uma cena cômica: Juan tentava segurar Arkhena, que tentava mordê-lo para se soltar, enquanto Cassandra e Rina reviravam uma bolsa gigante procurando as chaves.
Ao ver o amigo, a garota-besta desferiu um cotovelo em Juan, correu em disparada e deu um abraço apertado em Oliver:
— Que saudades! — exclamou a garota, quase sufocando o rapaz.
— Eu também estava com saudades, Arkhena!
— Oliver... Pelo visto, aonde você vai, a confusão te encontra, né? — riu Juan, aproximando-se.
— Pelo visto, sim, Juan!
— Mas é por isso que gosto de você! Nunca fico entediado ao seu lado!
— Oi, Oliver! Está tudo bem? Os nobres não te machucaram enquanto estávamos fora, né? — perguntou Rina, preocupada.
— Não, Rina. Pode ficar tranquila!
— Como estão os planejamentos para a batalha? — questionou Cassandra, exibindo olheiras de cansaço.
— Faltam poucos detalhes, mas a estrutura geral já está pronta!
— Ainda bem... Vamos entrar, preciso urgentemente de uma boa noite de sono.
O grupo dos Dragon Killers adentrou a mansão. Vendo a exaustão estampada no rosto da heroína, Oliver aproximou-se e perguntou em tom baixo:
— Cassandra, está tudo bem?
— Mais ou menos...
— O que aconteceu no caminho?
— Esse seu grupo é mil vezes mais barulhento que o meu!
— Como assim?
— A Arkhena queria arrumar briga com qualquer monstro ou viajante que passava, o Juan sempre incentivava, e quando discordavam, os dois começavam a gritar! A coitada da Rina... não sei como ela aguenta esses dois.
— Acho que ela já se acostumou com o tempo... Mas peço desculpas por eles! — Fazer o quê... Nada que uma noite de sono em silêncio absoluto não resolva.
Todos se reuniram na ampla sala de estar. Oliver tomou a frente e declarou:
— Bom, temos bastante gente para apresentar hoje. Dragon Killers, conheçam nossos novos companheiros temporários!
Os dois grupos começaram a se cumprimentar e conversar. Cassandra, bocejando, começou a subir os degraus da escada:
— Faça uma reunião aí e depois me conte os detalhes.
— Pode deixar! — respondeu Oliver, virando-se para o grupo.
— Pessoal, gostaria de passar a nossa estratégia. Primeiro, vou explicar o formato da Guild War!
Oliver explicou detalhadamente as regras enviadas pela guilda. Ao término da explicação, Arkhena levantou a mão:
— Então, mesmo se perdermos um dos pontos, nós podemos retomar o controle dele depois?
— Exatamente!
— Entendi! — sorriu a garota-besta, estalando os nós dos dedos.
— No momento, temos oito membros disponíveis: quatro focados em suporte e retaguarda, três na vanguarda, e eu, que farei o possível para coordenar tudo na liderança — detalhou Oliver.
— Nesse caso, não teríamos como dividir as tropas de forma igualitária nos três pontos, certo? — questionou Aria.
— Exatamente. Mas, para isso...
Antes que Oliver pudesse concluir o raciocínio, Cassandra começou a descer as escadas novamente:
— Se vocês precisam de um nono membro para equilibrar os times, pode deixar que eu resolvo.
— Mas você é uma Rank S! Não pode emprestar nenhum membro dos Black Dragons para a nossa guilda — lembrou Oliver.
— Não se preocupe. Essa pessoa não faz parte da minha guilda. Inclusive, inseri-la em algo tão importante será um grande favor que você fará para mim.
— Ok... Se você diz! De qualquer forma, vamos estruturar os times. O primeiro ponto de controle será...
No castelo real, dezenas de nobres influentes reuniam-se em um grande salão iluminado. Por meio de uma artefatos mágicos de projeção, um imenso espelho cristalino exibia as imagens ao vivo do campo de batalha. No centro do salão, o bobo da corte da família real atuava como o mestre de cerimônias.
— Senhoras e senhores, eu sou Noxiel, seu humilde narrador! Hoje presenciaremos um magnífico espetáculo de tática e poder! De um lado, a prestigiada guilda Noble Cavaliery! Do outro, a jovem e audaciosa Dragon Killers! Vejamos do que estes aventureiros são capazes!
Cassandra, Sir Kael e Lyanna observavam a projeção de um camarote reservado. A heroína mantinha os braços cruzados, a expressão visivelmente tensa.
— Acho que nem quando enfrentamos os demônios no sul você esteve tão nervosa assim — comentou Lyanna, sorrindo de canto.
— Quando estou no campo de batalha, posso garantir a vitória com a minha própria lâmina. Mas quando preciso apenas assistir sem poder intervir, fico desse jeito!
— Fique tranquila, Cassandra. O garoto se preparou da melhor forma possível — consolou Kael.
— Isso é inegável! — concordou Lyanna.
— Espero que vocês estejam certos... — murmurou Cassandra.
Na Clareira...
Juan, Tristan e Aria aguardavam em silêncio o início oficial do confronto no Ponto de Controle da clareira. A jovem maga olhou para o espadachim e perguntou:
—Falta muito para começar?
— Alguns minutos. Mas, mesmo depois do sinal, vai demorar um pouco para entrarmos em combate direto — explicou Juan.
— Eles vão começar em um ponto distante da floresta, então vai levar tempo até nos encontrarem?
— Isso.
— Mesmo assim, não relaxem. Eles são nobres ricos; podem ter artefatos de rastreamento para nos localizar rapidamente! — alertou Juan.
— Certo, capitão! — responderam os dois novatos.
Uma imensa esfera de fogo cruzou os céus da floresta, explodindo no ar e sinalizando o início oficial da Guild War. Juan empunhou o cabo de sua katana:
— Estejam preparados!
O objetivo dos Dragon Killers era simples, porém cruel: resistir por aproximadamente nove horas até o amanhecer.
Trinta minutos após o início...
Os arbustos na borda da clareira começaram a se mover ruidosamente. Juan colocou a mão na bainha, dando dois passos à frente. Dos galhos baixos, emergiu apenas um pequeno coelho selvagem.
— Ah... era só um coelhinho?
Juan baixou a guarda por um breve segundo. Mas esse curto instante de hesitação foi o suficiente. Aria, mantendo a guarda alta, percebeu uma oscilação na mana do ambiente. Com reflexos rápidos, apontou o cajado:
— Bola de Fogo!
Dezenas de flechas mágicas dispararam do alto das árvores na direção de Juan. O espadachim tentou recuar, mas estava muito próximo da zona de impacto. Para sua sorte, a esfera de fogo conjurada por Aria explodiu no ar, interceptando os projéteis inimigos e anulando o dano.
— Merda! Vamos nos reagrupar!
— Certo!
Juan recuou para junto de seus aliados. Da vegetação densa, emergiram quatro oponentes: um cavaleiro de armadura pesada, um bardo portando um violão encantado, um atirador de balestra e um esgrimista elegante.
— Vamos com tudo! Gabriel, Varis, Valerius! — ordenou o líder rival.
— Entendido, Capitão Julian!
O cavaleiro e o esgrimista avançaram velozmente. Juan sacou sua lâmina e partiu para o bloqueio.
“Estamos em quatro contra três... Agora é só seguir o plano do Oliver!”
Um tempo antes, na sala de reuniões...
— Como todos sabem, lutaremos em desvantagem numérica e de nível — explicava Oliver, apontando para o mapa.
— Se estiverem em um ponto e perceberem que não vão conseguir segurar o avanço deles, não cometam suicídio. Abandonem o posto estrategicamente e reforcem o ponto de controle mais próximo.
— Entendido! — responderam os membros da guilda.
De volta à clareira...
A katana de Juan colidiu contra as lâminas de Julian e Valerius. O jovem espadachim trocou golpes rápidos com a dupla, mas sabia que o combate direto e estático era uma péssima ideia contra adversários de nível superior. Aproveitando o amplo espaço da clareira, ele começou a recuar em círculos.
“Hora de usar o terreno a meu favor!”
Valerius, o esgrimista, mantinha a pressão com estocadas velozes. Varis, o atirador posicionado na retaguarda, disparou um novo virote na direção de Juan, mas a flecha foi desviada no ar por um disparo preciso de Tristan:
— Vou dar suporte, capitão! — Ótimo!
Mesmo sob pressão, Julian conseguiu antecipar a rotação de Juan, fechando sua passagem com o escudo rúnico para desfazer sua esquiva:
— Fique parado, escória! — Bola de Fogo!
Aria disparou um feitiço concentrado que atingiu o peitoral de Julian em cheio, forçando o cavaleiro a recuar e dando a Juan o espaço necessário para se reequilibrar. Tristan olhou para a maga:
— Belo ataque!
Aria nem sequer respondeu, mantendo a concentração total na manipulação do fluxo de mana.
De repente, uma melodia vívida começou a ecoar pela clareira. O bardo Gabriel começara a tocar seu instrumento encantado. A música rápida e ritmada fez com que uma aura dourada cobrisse o corpo dos nobres.
— Agora não temos tempo para enrolação! Vamos com tudo! Destrua tudo, Orochimaru! Corte Rápido!
Juan ativou sua habilidade de combate. Usando toda a sua força, desferiu um corte em arco esperando incapacitar Valerius. No entanto, para sua surpresa, o esgrimista bloqueou o golpe com uma velocidade sobre-humana.
“Merda! Ele ficou mais rápido?!”
Juan tentou se afastar, mas Julian já recuperado atacou pela lateral. O jovem espadachim esquivou-se no último milissegundo, sofrendo um corte superficial no ombro.
— Merda!
— Capitão! — gritou Tristan, preocupado.
Tristan preparou-se para disparar contra Julian, mas uma virote lançado por Varis passou raspando por ele e atingiu em cheio a coxa de Aria. A garota soltou um gemido de dor e caiu ajoelhada na grama. Tristan desfez sua postura para socorrê-la, mas a maga gritou:
— Tristan, foca no combate! Deixa que eu me viro! — A-Ah... ok!
Vendo o sangue escorrer do ombro de Juan e a companheira ferida na retaguarda, Tristan entrou em pânico. Sacou uma nova flecha, mas suas mãos tremiam incontrolavelmente.
“Eu preciso fazer algo! Preciso retribuir o Oliver e o pessoal por terem me acolhido... Se ao menos eu tivesse uma habilidade especial de ataque!”
Enquanto a tensão tomava conta de sua mente, o arqueiro lembrou-se de uma conversa que tivera com Aria semanas atrás:
— Aria, como você aprendeu suas magias? — perguntou Tristan durante uma pausa na caminhada.
— Que interesse repentino... Posso saber o motivo?
— Nada, só curiosidade mesmo.
— Certo... Existem habilidades técnicas e magias arcanas. As habilidades de classe normalmente despertam quando passamos por situações extremas de risco de vida ou quando subimos de nível. Já as magias podem ser aprendidas por meio de grimórios, mestres ou intuição ao evoluir.
— E como a pessoa sabe que aprendeu algo novo no meio da luta? —
Uma voz ecoa na sua mente dizendo o nome da habilidade.
— Uma voz na cabeça? — zombou Tristan. — Vocês magos são muito estranhos!
De volta ao presente...
A mente de Tristan estava a mil. Juan desdobrava-se para segurar Julian e Valerius sozinho, enquanto Aria usava mana pura para cauterizar a ferida na perna.
Tristan puxou a corda do arco até o limite, mas Varis interceptou sua mira disparando um virote que partiu a haste de sua flecha ao meio:
— Uma estratégia desesperada como essa não vai funcionar contra a elite da capital! — debochou o atirador nobre.
Varis puxou o gatilho da balestra novamente, disparando um projetil direto no peito de Tristan. O arqueiro pensou em esquivar-se, mas percebeu que, se saísse do trajeto, o projétil atingiria Aria, que estava caída logo atrás.
— Merda!
Tristan girou o torso para receber o impacto no ombro em vez do peito. No momento exato em que a ponta de ferro perfurou sua pele, o choque de dor e o desespero de proteger seus amigos fizeram seu sangue pulsar. Uma voz cristalina ressoou em sua mente:
[Habilidade Despertada: Tiro Ilusório]
“Então era disso que a Aria estava falando... Não sei exatamente como funciona, mas vou usar!”
Tristan puxou uma nova flecha e disparou contra Varis. No meio do trajeto, o projétil desmembrou-se magicamente, transformando-se em três flechas idênticas.
Sem saber qual era a verdadeira, Varis disparou sua balestra em pânico, atingindo uma das ilusões. A flecha real passou direto pela defesa e cravou-se no ombro do bardo Gabriel.
A melodia do violão foi interrompida abruptamente, e a aura dourada que fortalecia os nobres se desfez. Juan, que trocava golpes com a vanguarda inimiga, sentiu imediatamente a queda nos atributos dos adversários:
— É agora! Destrua tudo, Orochimaru! Corte Rápido!
Juan avançou com velocidade máxima. Seu ataque cortou a armadura de Julian e feriu o peito de Valerius. Percebendo a perda do suporte musical e o sangramento de seus homens, o cavaleiro Julian ordenou:
— Recuar! Vamos nos reorganizar!
Os quatro nobres recuaram rapidamente para a vegetação. Tristan ensaiou dar alguns passos à frente para persegui-los, mas foi contido pela mão firme de Juan sobre seu ombro:
— Capitão, é a nossa chance de acabar com eles!
— Acalme-se, Tristan. Temos uma integrante ferida e o objetivo é defender o ponto. A noite ainda é muito longa...
Tristan olhou para trás. Aria usava um pequeno feitiço de chama para estancar o sangramento da coxa. A primeira investida havia sido repelida, mas a batalha estava longe de terminar.
[Tempo restante para o amanhecer: 7 horas e 50 minutos]
No Castelo Real...
A primeira rodada de confrontos havia acabado de ser transmitida pelos espelhos de cristal. Ao ver o desfecho favorável na clareira, Christine deu uma risada alta, apoiando as mãos na cintura:
— É... até que o pessoal do Oliver sabe muito bem o que faz!
— Cassandra, sendo bem sincero, gostei demais das habilidades táticas daquele garoto — comentou Sir Kael.
— Acho que deveríamos promovê-lo a vice-líder e colocar ele no lugar da Lyanna!
— Ei! Pois eu acho que deveríamos trocar você pelo menino Juan! — rebateu Lyanna, cruzando os braços.
Cassandra suspirou, aliviada. Ao redor do camarote real, vários nobres murmuravam que a tática de recuo dos Dragon Killers havia sido astuta, mas que provavelmente não funcionaria uma segunda vez.
“Pode até não funcionar novamente”, pensou a heroína, mantendo os olhos fixos na projeção, “mas eles já ganharam o que mais precisavam: tempo.”
Duas horas depois...
No Ponto 3, a área da Cachoeira , Oliver, Arkhena e a nona integrante dos Dragon Killers aguardavam a chegada dos invasores.
— Está sentindo alguma coisa, Arkhena? — perguntou Oliver.
— Eles estão se aproximando... mas ainda temos um tempinho! — respondeu a garota-besta, farejando o ar concentrada.
— Ótimo. Graças ao seu olfato aguçado, conseguimos saber exatamente de onde virão.
— Argh! Quando é que esse pessoal vai aparecer?! — reclamou a novata, batendo o pé no chão com impaciência.
— Calma, Crystal. Temos que ter paciência — pediu Oliver.
— Eu não quero ter paciência! Quero lutar logo!
— Eu sei, Crystal, mas as coisas não funcionam assim. Precisamos seguir o plano!
— Que se dane o plano! Eu quero usar minhas armas agora!
— Meu Deus... a Cassandra realmente me deve uma... — murmurou o garoto, cobrindo o rosto com as mãos.
Alguns dias antes, na mansão dos Black Dragons...
Oliver retornava de uma exaustiva sessão de treinamento com seus companheiros. Todos estavam acabados e seguiram direto para os quartos designados. Quando o garoto começou a subir os degraus, Cassandra o chamou:
— Oliver, venha cá um minuto.
— Tá bom... — respondeu ele, exausto.
Ao entrar na sala de estar, encontrou a veterana acompanhada de uma garotinha de cabelos escuros que parecia ter em torno de treze anos. Antes que a heroína pudesse abrir a boca, a menina deu um passo à frente, estufando o peito:
— Eu sou a grande Crystal Drakenhart! A filha mais nova da ilustre família Drakenhart, destinada a superar a heroína de Rank S!
— O quê?! — disse Oliver, piscando, confuso.
— Esta aqui é minha irmã mais nova, Oliver — suspirou Cassandra.
— Exato! Sou a irmã mais nova da heroína. Portanto, curve-se e beije meus pés, reles aventureiro!
— Ah... eu devo? — questionou Oliver, olhando para Cassandra com incerteza.
— Não! Por favor, não faça isso! — desabafou a heroína, aplicando um cascudo na garota.
— Vamos ao que interessa: ela é a nona integrante do seu time.
— Calma lá! Eu não vou me juntar a um grupo qualquer tão fácil! Logo eu, a futura líder dos Black Dragons!
— Futura o quê?! — indignou-se Cassandra.
— Futura líder! Você já está ficando velha, mana! Logo esse cargo será passado para mim, a nova e melhorada Crystal Drakenhart! — exclamou a menina, rindo de forma maliciosa.
Cassandra segurou a irmã pela gola da roupa enquanto desferia outro cascudo:
— Ignore o que ela diz! Diferente do resto da família, ela ainda não conseguiu uma licença oficial de aventureira, muito por culpa dessa personalidade insuportável!
— Minha personalidade é a de uma nobre refinada da alta sociedade! — gritou Crystal, revoltada.
— Então, lutar por vocês será uma excelente oportunidade para ela ganhar experiência real.
— Ei! 'Excelente oportunidade' é demais! — reclamou a garota, soltando-se da irmã e cruzando os braços no sofá, emburrada.
Aproveitando a pausa, Oliver usou discretamente sua habilidade de avaliação sobre a menina:
[Nome: Crystal Drakenhart]
[Idade: 13 anos]
[Classe: Mestre das Armas]
[Nível: 12]
[Habilidades Passivas: Aprendizado Acelerado, Bônus de Experiência com Armas Não Masterizadas]
— Resumindo — continuou Cassandra —, a classe dela é Mestre das Armas. Basta dar qualquer arma para ela que a mágica acontece.
— Menos espadas! — gritou Crystal, de cara fechada.
— É... por alguma razão fútil, ela se recusa categoricamente a usar espadas — completou a heroína.
Oliver analisou a situação rapidamente. Apesar da personalidade mimada, uma integrante capaz de se adaptar a qualquer tipo de armamento tanto de curta quanto de longa distância seria o curinga perfeito para a estratégia de defesa.
Animado, o jovem Mestre de Guilda aproximou-se dela:
— Prazer, eu sou Oliver Vics. Sua ajuda será fundamental para vencermos esta guerra, Crystal!
Por um milissegundo, os olhos da menina brilharam com o elogio, mas ela rapidamente ergueu o queixo:
— Hum! Talvez... só talvez, eu possa fazer esse favor para você!
— É sério?! Muito obrigado, Crystal!
— Isso mesmo! Agradeça à grande Crystal Drakenhart! Ah, mas tem um pequeno detalhe: minha família cortou minha mesada, então você terá que comprar o meu equipamento...
Cassandra, meio envergonhada, explicou:
— Os Drakenhart têm o costume de só apoiar financeiramente os membros da família após grandes feitos. Até lá, só fornecem moradia e comida...
— Entendi... Bom, ainda tenho um dinheiro guardado das missões. Amanhã vamos às compras! — prometeu Oliver.
— Agora sim você está falando a minha língua, contratante! — sorriu a garota.
De volta ao presente...
— Oliver! Eles chegaram! — alertou Arkhena.
— Já estava na hora!
Oliver retirou de sua bolsa de suprimentos uma besta de mão compacta e um aljavas de virotes, entregando-os para a garota:
— Crystal, você começa na retaguarda.
— Quantos são, Arkhena? — perguntou Oliver.
— Pelo cheiro, três!
— Consegue segurar o combatente de frente?
— Pode deixar!
Do meio da vegetação densa, três oponentes emergiram: um sujeito esguio com vestes de assassino, uma sacerdotisa portando um báculo e um guerreiro de porte avantajado com correntes rúnicas enroladas nos braços.
— Finalmente os encontramos! — declarou Balthazar, o guerreiro de correntes. — Cedric, avance pela lateral! Lady Seraphina, fique atrás dando suporte de cura!
— Entendido, Senhor Balthazar!
— Arkhena! Crystal! Vamos lá! — ordenou Oliver.
— Sim!.
— Não me dê ordens! — resmungou Crystal, ajustando a Besta.
Arkhena disparou em direção ao guerreiro:
— Você é meu!
Balthazar, com extrema frieza, desenrolou as correntes dos braços e as arremessou no ar, prendendo os pulsos de Arkhena antes que ela se aproximasse.
— O que vai fazer agora, garotinha? — debochou o nobre.
Arkhena não respondeu. Apenas manteve o avanço, arrastando as correntes. Balthazar tentou recuar para manter a distância, mas a garota-besta pegou impulso na raiz de uma árvore e desferiu um voadora dupla no peito do adversário, arremessando-o longe.
Enquanto isso, Cedric, o assassino, contornou a batalha em alta velocidade rumo a Crystal. Mesmo disparando vários virotes, a diferença de nível era grande demais, e a jovem Drakenhart não conseguia acompanhar a esquiva do inimigo. Cedric ergueu as adagas para desferir um golpe fatal, mas Oliver surgiu do flanco, agarrando a menina e jogando ambos no chão.
— Merda! Sai de cima de mim! — reclamou Crystal.
— Escuta! — disse Oliver, sério.
— Atraia ele para perto da queda d'água!
— Mas lá a água vai tirar minha mobilidade!
— Confie em mim! Eu tenho um plano!
— Tá bom, vai!
Crystal levantou-se e correu em direção à base da cachoeira. Oliver colocou-se no caminho de Cedric para atrasá-lo. Embora estivesse no Nível 1, o garoto dominava a arte da esquiva como ninguém após meses treinando contra oponentes mais fortes.
Do outro lado, Lady Seraphina usou uma magia de restauração em Balthazar, que se levantou rapidamente e lançou suas correntes novamente contra Arkhena.
— De novo essa estratégia?! — irritou-se a garota-besta.
— Sim! Mas desta vez não vou deixar você se aproximar!
Balthazar começou a mover-se em círculos, prevendo os passos de Arkhena e mantendo a corrente esticada.
— E agora? O que vai fazer?!
— Você acha que eu só sei fazer isso?! Transformação da Natureza!
Gritando com fúria, Arkhena ativou sua habilidade bestial, transformando-se em um urso colossal. A expansão de sua massa muscular despedaçou o elo das correntes de Balthazar. Livre, a fera avançou e desferiu uma patada devastadora nas costas do guerreiro, forçando-o a recuar ensanguentado.
Enquanto isso, na base da cachoeira, a água batia na cintura de Crystal e nas coxas de Cedric.
“Espero que o Oliver saiba o que está fazendo...”, pensou a menina, tentando se equilibrar nas pedras limoas.
Cedric, demonstrando extrema destreza, saltava de rocha em rocha para encurtar a distância.
— Crystal! — gritou Oliver do alto da margem, apontando para as rochas.
— Ele quer que eu atire nas pedras?! Mas ele vai desviar no ar! Ah, quer saber... vou confiar!
No momento em que Cedric saltou para a última rocha, Oliver retirou um grimório de sua bolsa e conjurou:
— Lodo Deslizante!
O feitiço cobriu a rocha de limo mágico no exato momento do pouso. O assassino escorregou feio em pleno ar. Sem capacidade de manobra, tentou se equilibrar, mas foi atingido em cheio pelo virote disparado por Crystal.
— Merda! — gritou Cedric, caindo na água.
— Não é que deu certo?! — comemorou a menina.
Todavia, Balthazar e Seraphina iniciaram uma contra-ofensiva arriscada. A sacerdotisa agarrou-se às costas do guerreiro, aplicando feitiços de cura contínuos enquanto ele girava as pesadas correntes em área. Incapaz de desviar devido ao tamanho de sua forma bestial, Arkhena começou a receber uma sequência brutal de golpes.
— Droga... não consigo desativar a transformação agora! — rugiu a garota-besta, encurralada.
Cedric, ferido e irritado, levantou-se da água e invocou sua magia oculta:
— Névoa Ilusória!
Uma densa fumaça prateada cobriu toda a base da cachoeira, anulando totalmente a visão de Crystal. Em questão de segundos, sons de lâminas cortando a carne e os gritos de dor de Crystal ecoaram pelo local.
“Pensa, Oliver! Pensa!”, disse o garoto para si mesmo, vendo o sangue escorrer na névoa. “A Arkhena não consegue esquivar porque é grande demais na forma de urso, e a Crystal não consegue lutar porque não enxerga o assassino... Se eu inverter as lutas delas...!”
Sem pensar duas vezes, Oliver correu para o meio da área de impacto das correntes de Balthazar, usando o próprio corpo para empurrar Arkhena:
— Troca!
Arkhena entendeu a ordem na hora. Desfez a forma de urso, retornando à forma humana, e disparou para dentro da névoa. Usando seu olfato apurado, localizou Crystal ferida e ajoelhada.
— O que você está fazendo aqui?! — perguntou a jovem Drakenhart.
— Vamos trocar! — disse a garota-besta.
Sem dar tempo para explicações, Arkhena agarrou Crystal pela cintura e a arremessou com toda a força para fora da fumaça, na direção de Oliver!
— Ahhh! — gritava Crystal, voando pelo ar.
Oliver, mesmo bastante machucado pelos golpes das correntes, puxou duas adagas curtas de sua bolsa e as jogou para cima. Crystal percebeu o plano instantaneamente: soltou a besta no chão e agarrou as duas adagas no ar. Oliver jogou-se embaixo dela, amortecendo sua queda na grama.
— Você está bem?! — perguntou ela. — Não se preocupe comigo... Vai!
Crystal levantou-se e, aproveitando seu tamanho reduzido e baixa estatura, esquivou-se por baixo do balanço das correntes de Balthazar. O guerreiro tentou canalizar um golpe direto para prendê-la, mas a diferença de mobilidade era gritante.
Quando as correntes finalmente foram na direção do peito da menina, Oliver saltou na frente, sendo aprisionado no lugar dela.
— Oliver!
— Acaba com eles! — gritou o Mestre de Guilda.
— Merda, peguei o garoto errado! — praguejou Balthazar.
Crystal avançou em velocidade máxima contra Balthazar. O guerreiro fechou os olhos esperando o golpe fatal das adagas, mas o impacto nunca veio.
— O quê?! — disse ele, abrindo os olhos.
— Balthazar... — gemeu de dor a sacerdotisa atrás dele.
Crystal havia passado direto por ele, cravando as duas adagas nos ombros de Lady Seraphina e desativando a fonte de cura dos nobres.
Enquanto isso, na névoa da cachoeira, Cedric tentava atacar Arkhena pelas costas, mas a garota-besta fechou os olhos, confiando unicamente em seu olfato para rastrear o cheiro de sangue da lâmina do assassino.
— Achei você!
Com um soco devastador, Arkhena atingiu o peito de Cedric, arremessando-o desacordado contra as pedras da cachoeira. A névoa desfez-se imediatamente.
Sem a curandeira e com o assassino fora de combate, Balthazar usou o resto de suas correntes para recolher seus companheiros feridos:
— Vocês venceram esta rodada... mas não achem que acabou!
O guerreiro recuou em disparada pela floresta.
Cansados e ensanguentados, Oliver, Arkhena e Crystal caíram sentados na grama. A garota-besta olhou para a menor e sorriu:
— Até que você é valente, garotinha!
— Todos os Drakenhart são! — respondeu Crystal, corando ligeiramente.
— Vocês foram incríveis. Obrigado, meninas! — agradeceu Oliver.
No Castelo Real...
Christine, que assistia à transmissão ao vivo, olhou para Cassandra:
— Agora entendo por que você aposta tanto nesse garoto. Ele é incrivelmente esperto e corajoso!
— Sim... mas eles sofreram danos pesados — ponderou Cassandra.
Antes que pudessem comemorar a vitória no Ponto 3, Lyanna gritou, olhando para a tela de projeção do Ponto 2:
— Que droga!
— Ainda faltam mais de cinco horas! Será que eles vão aguentar?!
— preocupou-se Kael.
Cassandra aproximou-se rapidamente da tela:
— O que aconteceu no Ponto da Clareira?!
— Eles perderam o controle... — respondeu Lyanna.
Na Cachoeira...
Enquanto o trio tentava recuperar o fôlego, um sinalizador de fumaça verde subiu aos céus vindo do centro da floresta. Crystal apontou para o alto, confusa:
— Fumaça verde? O que significa isso?
— O Ponto da Clareira foi dominado pelos nobres... — respondeu Oliver, levantando-se com dificuldade.
[Tempo restante para o amanhecer: 5 horas e 30 minutos]
Faltavam apenas três horas para o amanhecer. A Noble Cavaliery já havia dominado o Ponto da Clareira e atacava periodicamente o Ponto da Cachoeira. Quanto ao terceiro e último local de controle, os nobres ainda não faziam a menor ideia de onde ficava.
Exausto e irritado, um dos grupos de busca da guilda rival parou diante de um imenso conjunto de rochas no meio da vegetação:
— Donald, Beatrice, vamos descansar um pouco! — ordenou Sir Brant, tirando o elmo. — Tudo bem, Sir Brant — respondeu o mago, ofegante.
Os três sentaram-se na relva e começaram a debater o paradeiro do último objetivo:
— Nós já vasculhamos quase toda esta região! Segundo o mapeamento que compramos, o ponto de controle deveria estar por aqui! — Eu tentei mapear os arredores. Dêem uma olhada nisto — disse Beatrice, puxando um mapa de couro de sua bolsa.
Seus companheiros inclinaram-se para observar os anotações. A guerreira apontou para as áreas hachuradas:
— Nós já checamos cerca de noventa por cento do perímetro. Faltam apenas estes três setores! — Certo! Eu vou investigar o setor sul! — exclamou Donald, levantando-se. — Eu fico com o norte! — afirmou Brant. — Então eu cubro o oeste!
Donald e Brant dispararam na direção de suas respetivas rotas. Beatrice permaneceu por alguns segundos no local para guardar o mapa na mochila. De repente, atrás de si, escutou um ruído sutil — algo muito semelhante a uma risada abafada.
A guerreira levantou-se num pulo, sacando o machado. Olhou ao redor buscando a origem do som, mas tudo o que havia atrás de si eram duas grandes rochas cobertas de musgo.
— O que foi isso?! — questionou-se, confusa. — Merda, não tenho tempo a perder com paranoia! Preciso ir logo!
Ajustando as tiras da armadura, Beatrice saiu em disparada pela floresta.
Do outro lado das rochas, no interior escuro da caverna...
— Quase fomos descobertos por causa dessa sua risada, Felix! — sussurrou Nadia, irritada. — Mas como não rir?! — debochou Felix, em tom baixo. — Eles estão procurando a gente há horas e simplesmente passam direto! — Mesmo assim! Temos que levar isso a sério! — Por favor, não briguem, pessoal... Precisamos manter o silêncio absoluto — pediu Rina, tentando apaziguar a dupla.
Nadia caminhou até a parede de pedras que bloqueava a entrada da caverna. Dando leves batidinhas na superfície rígida, disse em tom orgulhoso:
— Podem ficar tranquilos. A função destes golens é justamente se parecerem com rochas comuns! Por mais que eles só sirvam para isso... — Fazer o quê... Eu queria lutar logo, mas se são as ordens do contratante, temos que obedecer — comentou Felix. — Com certeza! — Obrigada, gente... eu acho — sorriu Rina, ajustando o escudo no braço.
Duas horas se passaram...
O grupo da Noble Cavaliery reuniu-se novamente diante do paredão de rochas. Com os nervos à flor da pele e a exaustão tomando conta, a discussão começou:
— Não tinha nada no setor sul! — esbravejou Brant, revoltado. — No norte também não havia nada! — reclamou Donald. — Onde foi que esses ratos de merda se esconderam?! — gritou Beatrice.
Possessa, Beatrice puxou o mapa novamente. Todas as marcações indicavam que a área inteira já fora coberta. Em um acesso de fúria, ela arremessou seu machado pesado contra as rochas diante deles.
CLANG!
— Que merda! — Não adianta ficar arremessando armas por aí, Beatrice! Precisamos focar em uma solução! — repreendeu Sir Brant. — Eu sei... desculpe.
Ainda bufando, a guerreira aproximou-se da pedra para recuperar a arma cravada. Ao puxá-la pela haste, notou um odor químico estranho e um brilho fluorescente.
— Mas o que é isto...?
Do ponto onde o machado perfurara a rocha, um líquido azul viscoso começou a escorrer lentamente.
— Isso é... cristal de mana líquido?!
Sem entender como uma rocha natural vertia mana processada, Beatrice virou-se para a retaguarda:
— Donald, vem cá! — O que foi agora? — Vem logo! — Tá bom, tá bom...
Donald aproximou-se. Ao bater os olhos na substância azulada que escorria pela rocha, o mago arregalou os olhos. Sacando o cajado em um gesto puramente instintivo, começou a canalizar:
— Bola de Fogo!
— Que merda é essa?! — gritou Beatrice, esquivando-se por um triz da explosão.
A esfera mágica atingiu em cheio o topo da rocha. Quando a fumaça se dissipou, a carcaça de um golem destruído revelou a passagem para uma vasta caverna subterrânea!
— Achamos?! — perguntou a guerreira, sorrindo com crueldade. — Finalmente!
Os três nobres sacaram suas armas e adentraram a penumbra do túnel.
No Castelo Real...
— Eles finalmente encontraram o terceiro ponto! — exclamou um dos aristocratas da plateia.
Christine olhou para Cassandra, que mantinha os dedos entrelaçados em silêncio:
— Faltam cinquenta minutos, né? — Sim... — Então a verdadeira batalha está prestes a começar!
Cassandra fechou os olhos, sussurrando uma prece ao teto do salão:
“Vamos, Oliver... segure firme!”
De volta à caverna...
O grupo da Noble Cavaliery avançava pelas galerias escuras. O túnel tornava-se cada vez mais estreito.
— Donald, use um feitiço de chama para iluminar o caminho! — ordenou Brant. — Pode deixar.
Pequenas esferas de fogo surgiram na ponta do cajado de Donald, iluminando as paredes úmidas. A metros dali, Rina, Felix e Nadia aguardavam a aproximação.
— Ok, pessoal... Fase dois do plano! — avisou Rina. — Deixa com a gente! — disse Felix, ajeitando a bandoleira de poções. — Vamos com tudo! — comemorou Nadia.
Rina deu um passo à frente no corredor, surgindo no campo de visão dos nobres:
— Finalmente encontramos você! — disse Brant. — Infelizmente, não posso deixar vocês passarem daqui — declarou a escudeira com firmeza. — Beatrice, Donald, avancem e procurem o símbolo do ponto! Eu cuido dessa garota! — ordenou o cavaleiro. — Entendido! — responderam os dois, correndo pelas laterais.
Brant avançou em linha reta. Vendo a investida, Rina respirou fundo e bateu o escudo no chão:
— Eu nunca testei isto em humanos, mas tomara que funcione... Provocar!
Uma onda de energia translúcida emanou de Rina. Instintivamente, a atenção de Beatrice, Donald e Brant voltou-se inteiramente para ela, forçando o trio a redirecionar seus ataques contra o escudo da garota.
— Ótimo, funcionou! Agora, aguentar... — murmurou Rina.
Brant e Beatrice começaram a golpear a barreira de Rina. Donald, na retaguarda, começou a conjurar um feitiço de alta potência:
— Saiam da frente! Bola de Fogo!
Beatrice e Brant encostaram-se nas paredes de pedra para dar passagem. Vendo a imensa massa de chamas vindo em sua direção, Rina gritou:
— Felix, agora! — Estava na hora!
Felix surgiu detrás da retaguarda de Rina e arremessou um frasco de cor alaranjada diretamente no feitiço que se aproximava, enquanto a escudeira ativava seu trunfo:
— Muralha de Ferro!
A poção colidiu contra a Bola de Fogo no meio do túnel. A mistura alquímica altamente volátil reagiu com a mana do feitiço, gerando uma explosão devastadora que reverberou por toda a caverna.
— Fique atrás do meu escudo, Felix! — Hehe! Explodam! — gargalhou o alquimista.
BOOOM!
No Castelo Real...
A projeção estremeceu com o clarão da explosão.
— Nossa! Os Dragon Killers apelaram para um plano suicida no final?! — narrou Noxiel, impressionado.
Lyanna, apreensiva, olhou para Kael:
— Kael... será que eles vão ficar bem?! — Não precisa se preocupar. Aquele pessoal do Oliver é duro na queda! — afirmou o veterano. — Nem tanto... — interrompeu Christine, apontando para o espelho lateral.
Lyanna e Kael olharam para a outra projeção: o Ponto da Cachoeira acabara de ser totalmente dominado pelos nobres. Restava apenas o Ponto da Caverna sob a posse dos Dragon Killers.
— Merda! — praguejou Kael.
Cassandra, que assistia a tudo em absoluto silêncio, respirou fundo e perguntou:
— Quanto tempo resta, Christine? — Trinta minutos... — Vamos, Oliver... vocês conseguem!
De volta à caverna...
Protegida por seu escudo encantado, Rina conseguiu absorver o impacto da onda de choque. No entanto, o trio da Noble Cavaliery também havia sobrevivido. Cobertos de fuligem e feridos, eles se levantaram com fúria nos olhos.
— Beatrice! Donald! Matem esses dois agora! — rugiu Brant. — Sim, senhor!
O trio avançou. Rina olhou para o jovem ao seu lado:
— Tudo bem com você, Felix? — Sim! Caramba, você e esse escudo são resistentes demais! — Obrigada. Mas agora é hora da terceira parte do plano!
Em vez de aceitarem o confronto direto, Rina e Felix viraram de costas e dispararam em fuga para as profundezas da caverna.
— Voltem aqui, seus ratos! — gritou Brant, perseguindo-os. — Tá na hora de testar mais uma! — disse Felix, gargalhando.
O alquimista arremessou um frasco transparente na direção de Beatrice. A guerreira instintivamente golpeou o vidro com o machado, partindo-o no ar.
Ao entrar em contato com o ar comprimido do túnel, o líquido reagiu instantaneamente, criando uma espessa barreira de gelo que bloqueou o corredor. Beatrice quase ficou presa na estrutura cristalina, sendo salva no último segundo pelo puxão de Brant. No entanto, seu machado ficou totalmente soterrado no gelo.
— Merda! Meu machado! — Saiam da frente! Vou abrir caminho! — gritou Donald. — Bola de Fogo!
O feitiço derreteu a parede de gelo. O grupo nobre retomou a perseguição. Rina e Felix ganharam alguns metros de vantagem, mas a diferença de nível permitia que os nobres os alcançassem rapidamente.
— Tá na hora da segunda! — avisou Felix, arremessando outro frasco.
Desta vez, vendo a poção voar, Brant e os outros frearam bruscamente para evitar o impacto.
— Hehe! Burros como uma porta! — zombou o garoto.
Ao colidir com o solo de pedra, o reagente alquímico transformou a terra firma em um lamaçal viscoso e denso. As pernas dos três nobres afundaram até os joelhos.
— Fiquem um pouco aí para esfriar a cabeça! — zombou Felix, acenando. — Merda! Merda! Merda! — urrava Brant, tentando se soltar.
Com muito esforço físico, os nobres conseguiram livrar-se da lama após vários minutos. A perseguição recomeçou, mas a vantagem de distância criada pelos Dragon Killers era considerável.
— Que raiva! Onde é que aqueles desgraçados se meteram?! — esbravejou Beatrice, lutando com as mãos nuas.
Conforme avançavam pelas galerias profundas, o som de múltiplos passos começou a ecoar nas paredes de pedra.
— Estão ouvindo? Eles estão perto! — animou-se Donald.
Contudo, os passos não estavam se afastando — estavam vindo direto na direção deles! E não pertenciam a apenas duas pessoas, mas a dezenas de criaturas.
— O que é isso...? — questionou o mago, recuando um passo.
Das sombras do corredor, surgiram dezenas de pequenos golens de pedra com o formato de rochas antropomórficas, avançando em bando.
— Atacar! — bradou Brant.
O grupo nobre começou a destruir as criaturas uma a uma. Mesmo sem armamento, Beatrice esmagava os golens menores com socos e chutes imbuídos de mana.
— Eles são fracos, mas são muitos! — Eu posso incinerar todos eles com uma magia de área! — ofereceu Donald. — Não! Você já gastou mana demais. Guarde o que resta para o ponto de controle! — ordenou Brant.
Do lado de fora da caverna...
Com a conquista definitiva do Ponto da Cachoeira, o grupo de nobres liderado por Julian e Balthazar reuniu-se na entrada do último setor. Como as regras do confronto não proibiam a união de forças após a tomada de um ponto, os sete integrantes restantes da Noble Cavaliery estavam juntos.
— Como está o seu pessoal, Balthazar? — perguntou Julian. — Cansados e feridos. Aquele grupo na cachoeira deu um trabalho absurdo... — Os da clareira também. O único ponto estranho é que eles abandonaram o posto assim que viram que seriam sobrecarregados — pontuou Julian. — Eles estão armando algo... — Não importa. Estamos em esmagadora vantagem numérica. Vamos entrar e acabar com isso de uma vez!
Faltavam apenas quinze minutos para o amanhecer. Os nobres prepararam-se para invadir a entrada principal da caverna, mas uma Bola de Fogo vinda da escuridão explodiu aos seus pés, barrando o avanço.
— Este é o fim da linha para vocês... E a próxima não vai errar o alvo! — avisou Aria, surgindo da penumbra com o cajado empunhado.
Balthazar deu uma risada de deboche:
— O que uma única maga ferida pensa que vai fazer contra sete de nós?!
Antes que pudesse avançar, outras figuras emergiram das sombras ao lado de Aria:
— Vocês acharam mesmo que poderiam mexer com a minha tribo e sair impunes?! — rosnou Arkhena, assumindo sua postura selvagem. — Se mexerem com a Aria, mexem comigo! — declarou Tristan, puxando a corda do arco. — É... o Oliver realmente nos mete nas piores confusões possíveis — sorriu Juan, sacando suas duas katanas. — Vocês vão conhecer a verdadeira ira de uma Drakenhart! — exclamou Crystal, empunhando uma lança curta.
Todos os membros restantes dos Dragon Killers estavam reunidos na entrada do túnel. Cansados, feridos e com equipamentos danificados, eles mantinham os olhos fixos na força inimiga. O objetivo era um só: impedir que a Noble Cavaliery alcançasse o fundo da caverna a qualquer custo!
— Limpem o caminho! Noble Cavaliery, matem todos eles! — ordenou Julian.
A batalha final na entrada da caverna começou.
Enquanto o confronto sangrento estourava na entrada, no fundo da galeria subterrânea...
Brant, Donald e Beatrice finalmente alcançaram a câmara central, totalmente envolta em escuridão. A única iluminação vinha da fraca chama mantida na ponta do cajado de Donald.
— Cadê eles?! — Aqui em cima! — avisou uma voz feminina.
Os três nobres olharam para o teto da galeria. A luz da chama revelou Nadia montada no topo de um golem colossal em forma de urso cavernoso.
— Conheçam o décimo membro dos Dragon Killers! — gritou a garota.
A imensa criatura de pedra saltou do teto, caindo pesadamente sobre o grupo. Sir Brant tomou a frente, fincando o escudo na rocha para segurar a investida do monstro de pedras:
— Vão! Derrotem os outros dois e tomem o símbolo do ponto!
Donald e Beatrice avançaram pela lateral em direção a Rina e Felix. Usando o último sopro de mana que lhe restava, o mago canalizou seu feitiço mais poderoso:
— Bola de Fogo!
A esfera flamejante rasgou o ar. Rina correu para a frente de Felix, erguendo o escudo. Contudo, a explosão anterior já havia comprometido a estrutura mágica de seu equipamento. Ao receber o feitiço direto de Donald, o escudo de Rina despedaçou-se em dezenas de fragmentos metálicos. A onda de choque atingiu a escudeira em cheio, arremessando-a desacordada contra a parede.
Donald desmaiou em seguida, caindo de joelhos no chão por exaustão total de mana.
Beatrice avançou em alta velocidade contra Felix. O alquimista tentou puxar um frasco de poção, mas a guerreira nobre foi mais rápida: desferiu um soco brutal no rosto do garoto, nocauteando-o instantaneamente.
Rina, caída e com a visão embaçada pelo sangue, assistiu à cena em desespero:
“Não... não é possível...”
Entretanto, a esperança ainda residia na criatura de pedra montada por Nadia. Rina virou o rosto para a esquerda, mas deparou-se com o golem de pedras completamente desmoronado. Nadia estava presa debaixo dos escombros da criatura, desacordada. Sir Brant, limpadando o suor da testa, começou a rir vitorioso:
— Vocês realmente acharam que podiam vencer a nobreza?! O último ponto é nosso!
No Castelo Real...
A transmissão exibia o cenário de derrota dentro da caverna. Os aristocratas nas arquibancadas começaram a comemorar.
“Merda... merda...!”, pensava Cassandra, apertando os punhos no camarote. — Eles foram verdadeiros guerreiros... — comentou Sir Kael, baixando a cabeça. — Ganharam o meu respeito — admitiu Christine.
Lyanna não conseguiu pronunciar uma palavra sequer. Apoiou o rosto no ombro de Kael, desolada.
Noxiel, o bobo da corte, caminhou até o centro do salão real para anunciar o veredito oficial:
— Foi um espetáculo inesquecível, senhoras e senhores! E a vitória da Guild War de hoje vai para a guilda...
Cassandra fechou os olhos, sentindo o peso da derrota.
De repente, um burburinho generalizado tomou conta dos nobres na plateia.
— Cassandra! Olha lá! — gritou Kael, sacudindo a heroína pelo ombro. — O quê?!
Ao abrir os olhos e encarar o espelho de cristal, Cassandra viu uma figura cambaleante posicionar-se entre Sir Brant e o símbolo do ponto de controle.
Dentro da caverna...
Brant encarou o garoto ensanguentado que se colocara em seu caminho:
— Você é o tal Oliver Vics? — Exatamente... — respondeu Oliver, arfando com dificuldade. — É você o líder desta guilda de coitados? — Mais ou menos isso... — Você parece ser um bom rapaz. Mas negócios são negócios. Você mexeu com as pessoas erradas! Espero que tenha aprendido a lição. — Eu não sou conhecido por aprender as coisas muito rápido... então me desculpe — sorriu o garoto, sem mover um músculo. — Bom... este é o seu fim!
Brant ergueu o punho fechado para desferir o golpe de misericórdia sobre Oliver. O garoto, sem energia alguma para esquivar, permaneceu parado.
Contudo, no milissegundo em que o ataque seria desferido, uma silhueta surgiu do nada, segurando o pulso do cavaleiro nobre com uma força esmagadora.
Oliver arregalou os olhos, incrédula:
— Cassandra?! O que você está fazendo aqui?! — Você não pode interferir, Cassandra Drakenhart! Isso vai contra as regras da guilda! — gritou Brant, tentando soltar o braço. — Eu não estou aqui para interferir — respondeu a heroína de Rank S, com um sorriso calmo no rosto. — Estou aqui para anunciar. — Anunciar o quê?! — questionaram os dois. — Que o sol acabou de despontar no horizonte. As nove horas se passaram... A Guild War está oficialmente encerrada!
Brant paralisou, aterrorizado. Olhou para a fresta no teto da caverna e viu os primeiros raios de luz dourada cortando a escuridão.
— N-Não pode ser...! — murmurou o nobre, caindo de joelhos, devastado. — Com a autoridade da casa Drakenhart e da equipe de mediação — declarou Cassandra, sua voz ressoando por toda a caverna —, eu anuncio a vitória oficial da guilda Dragon Killers!
Exausto, sem forças e com o corpo coberto de hematomas, Oliver deixou seu corpo tombar para trás na terra úmida. Cassandra aproximou-se, agachando-se ao lado do garoto e exibindo um radiante sorriso de orgulho:
— Você foi simplesmente incrível, Oliver.